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Quinta-feira

18 de Julho de 2019

Fotos exclusivas mostram cobertura de luxo onde italianos presos moravam em Praia Grande

Nicola e Patrick Assisi, pai e filho, são membros do grupo 'Ndrangheta', da região da Calábria, no Sul da Itália, que controla cerca de 40% dos envios globais de cocaína

Três coberturas duplex de luxo em um edifício em Praia Grande eram – a um só tempo – moradias, esconderijos e bunkers dos dois italianos acusados de ligação com o narcotráfico internacional e com a maior organização mafiosa do mundo: a ‘Ndrangheta', da região da Calábria, no Sul da Itália.

ATribuna.com.br obteve com exclusividade imagens internas das duas coberturas habitadas por Nicola e Patrick Assisi, pai e filho, além da terceira que eles possuem no mesmo prédio

De alto padrão, o condomínio tem 17 pavimentos e fica a uma quadra da orla, no bairro Aviação. Além das coberturas habitadas, os Assisi seriam donos de uma terceira, de número 165, no mesmo edifício. Os três apartamentos foram minuciosamente revistados pelos agentes da Polícia Federal.

Nicola residia na cobertura 163. Patrick morava na de número 161 com a mulher e um casal de filhos, aparentemente de 3 anos de idade. A família pouco saía do edifício e não mantinha contatos com os demais condôminos. Possuía dois carros, um Corolla e um Logan, mas optava por receber prestadores de serviços nas coberturas.

Cabeleireiro, manicure e médico das crianças, quando necessário, eram chamados ao Edifício Praia Reis. Os Assisi evitavam, com isso, exposições desnecessárias e tentavam perpetuar a ocultação de suas origens criminosas.

Em busca de esconderijos de drogas e armas, os agentes da PF quebraram paredes e tetos de gesso. Os imóveis ocupam os 16º e 17º andares. Os policiais federais apuraram que a porta principal do apartamento de Patrick era meramente decorativa, porque atrás dela foi construída uma parede de tijolos.

Imagens exclusivas mostram apartamento de luxo onde italianos mafiosos viviam em Praia Grande (Foto: AT)
ATribuna.com.br obteve imagens exclusivas da cobertura de luxo onde moravam os mafiosos italianos (Foto: AT)

Prisão

Nicola e Patrick Assisi eram procurados pela Justiça de seu país e foram presos na manhã de segunda-feira (8), em Praia Grande, durante a Operação Barão Invisível, da Polícia Federal.

A pedido do escritório da Interpol no Brasil, os Assisi tiveram mandados de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Justiça brasileira aguarda a remessa de documentos e do cumprimento de outras formalidades legais para extraditá-los à Itália.

Porta principal do apartamento de Patrick era meramente decorativa (Foto: A Tribuna)
Polícia Federal quebrou teto de gesso em busca de drogas escondidas no apartamento (Foto: A Tribuna)

Suspeitos de serem o braço da ‘Ndrangheta' na América do Sul, Nicola e Patrick estavam foragidos desde 2014. Condenado a 14 anos por tráfico e associação para o tráfico, na Itália, o pai possui passaporte argentino falso com o nome de Javier Varela. Suspeita-se que ele e o filho passaram por Portugal e Argentina antes de virem ao Brasil.

Investigações apontam que a máfia italiana e o Primeiro Comando da Capital (PCC) se associaram já há algum tempo para enviar cocaína à Europa, principalmente pelos portos de Santos e Paranaguá (PR).

A facção paulista, que se expandiu pelo país e pela América do Sul, conseguiu ampliar os seus tentáculos dominando o tráfico na fronteira com o Paraguai e estabelecendo relações comerciais diretas com os produtores de cocaína deste país, da Bolívia e do Peru.

Dinheiro em espécie foi apreendido pela PF (Foto: Polícia Federal)