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Sexta-feira

19 de Julho de 2019

Márcio Cabeça rebate Rodrigo Casa Branca e diz que 'justiça já aconteceu'

Prefeito de Mongaguá contrapõe falas de ex-presidente da Câmara, que criticou Executivo

O prefeito de Mongaguá, Márcio Melo Gomes, o Márcio Cabeça, decidiu se posicionar sobre as críticas feitas pelo ex-presidente da Câmara, Rodrigo Cardoso Biagioni, o Rodrigo Casa Branca (PSDB), em relação ao Executivo e à situação política vivida na cidade.

Em entrevista publicada por A Tribuna On-line em 30 de dezembro de 2018, o vereador, que chegou a assumir o comando de Mongaguá por duas vezes em 2018, teceu uma série de comentários sobre a gestão do município.

Casa Branca acusou Cabeça de jogar a opinião pública contra o Legislativo, "criando projetos em pacote, colocando diversos remanejamentos de verbas da prefeitura em um único documento, forçando os vereadores a votarem e aprovarem movimentações milionárias, usando pequenas compras de algo realmente válido e importante ao povo". 

Segundo o prefeito, as declarações são desesperadas e inverídicas, uma tentativa vã e mesquinha de iludir a população. O chefe do Executivo apontou que, nos dois períodos em que ficou interinamente à frente da administração, o parlamentar aprovou mais de R$ 20 milhões em remanejamentos, todos com pedidos de urgência.

"[Ele] fez um desgoverno marcado por ações eleitoreiras, sem prever, por exemplo, a compra de medicamentos que suprissem a demanda da alta temporada. Agora, no Legislativo, liderou a reprovação de remanejamentos para a compra de medicamentos e de um imóvel para o Lar Infantil, que foi uma solicitação da Promotoria para garantir um local mais adequado às crianças e jovens. Em momento algum, o Poder Público tentou colocar a opinião pública contra os vereadores, ao contrário do que foi dito", disse Cabeça.

Márcio Cabeça rebateu colocações feitas por Rodrigo Casa Branca (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Em outro momento, Rodrigo Casa Branca cobrou maior transparência por parte do Executivo. Ponto também rebatido pelo prefeito, que também acusa o vereador de faltar com a clareza enquanto comandou Mongaguá. Além disso, ele afirmou que o vereador realizou eventos com interesses políticos, além de classificar a sessão que havia cassado o mandato de Prócida e o seu como "golpe".

"Uma empresa especializada em consultoria técnica para o Poder Público apontou diversos indícios de irregularidades nas contratações da prefeitura, como, por exemplo, o direcionamento de empresas, como a que fez um jantar para professores no valor de quase R$ 160 mil, com objetivos nitidamente políticos. Teve a presença de cabos eleitorais da eleição resultante do golpe realizado na Câmara, que foi brecado pela Justiça. Até o pai de seu candidato a vice, Rafael Redó, que não tem ligação nenhuma com a rede de ensino municipal, esteve no evento. A administração municipal vai enviar todo o material para o Ministério Público", disparou o chefe do Executivo.

Contratos e Justiça

O ex-presidente do Legislativo disse que, após assumir o Executivo, descobriu que havia uma "grande quantidade de recursos financeiros nos cofres da prefeitura parada, sem uso". De acordo com o edil, existiam "mais de R$ 80 milhões em aplicações", enquanto as crianças "eram obrigadas a ter racionalização de merenda nas escolas".

Casa Branca ressaltou, também, que deu início a mais de 75 projetos de investimentos em todos os setores, além de promover um mega mutirão de limpeza pública na cidade, e fiscalização em prédios públicos da educação e saúde.

Márcio Cabeça rebateu a fala do parlamentar, ao dizer que ele deixou de renovar contratos importantes, nem iniciou processo licitatório para a compra de hortifruti e gêneros alimentícios para a educação, medicamentos e aluguel de veículos. "Tivemos que nos desdobrar para a cidade não entrar em colapso", disse o prefeito.

Rodrigo Casa Branca teceu diversas críticas a política de Mongaguá e ao Executivo (Foto: Divulgação/Câmara de Mongaguá)

Questionado sobre o momento político que vive Mongaguá desde a prisão de Arthur Parada Prócida, Rodrigo Biagioni avaliou como um escândalo sem precedentes. Além disso, destacou que a Justiça havia determinado novas eleições, onde ele, extraoficialmente, foi o vencedor.

"Eu acredito que a Justiça dará uma resposta ao povo, que não aguenta mais desmandos e que vive em uma cidade travada por interesses de um grupinho de aliados de um prefeito que sequer foi eleito diretamente, e só está no cargo por uma liminar monocrática de um ministro que é alvo de muitas críticas da sociedade", ponderou Casa Branca.

O prefeito também contestou a fala do edil, e disse que "para quem acredita na Justiça, ela já aconteceu", referindo-se à sua volta como chefe do Executivo.

"Se o Rodrigo acredita na Justiça, deveria respeitá-la, ao contrário do que fez por duas vezes, quando pedalou o quanto pôde para impedir a determinação do Supremo Tribunal Federal, que só cumpriu depois de ser intimado. Oficialmente, não houve eleição para prefeito em Mongaguá. As pessoas foram às urnas para votar no segundo turno para presidente e governador. As urnas continham os nomes dos então candidatos para não prejudicar a realização dos pleitos estadual e nacional, como foi muito bem explicitado pela Justiça Eleitoral bem antes da votação", finalizou Cabeça.