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Domingo

24 de Março de 2019

Rodrigo Casa Branca destaca independência e critica situação política em Mongaguá

Presidente da Câmara fala sobre primeiro biênio à frente do Legislativo e comenta indefinição vivida no Executivo durante 2018

Rodrigo Cardoso Biagioni, o Rodrigo Casa Branca (PSDB), foi eleito para presidir a Câmara de Mongaguá durante o último biênio. Ao assumir o cargo, o tucano defendeu "uma postura de independência e fiscalização em relação ao Executivo, com olhos voltados para o que é melhor para a população", apesar do prefeito, Arthur Parada Prócida, e o vice, Márcio Melo Gomes, o Márcio Cabeça, serem do mesmo partido.

Durante o percurso, deixou a presidência da Câmara para assumir a prefeitura. Isso porque Prócida foi preso, e Cabeça afastado das funções. Durante 100 dias, divididos em dois períodos, teve a experiência de chefiar o Executivo, e chegou a vencer, extraoficialmente, a eleição suplementar para prefeito.

Com o vice reconduzido ao cargo, retornou ao Legislativo. Em sua análise sobre o biênio à frente da Casa, Rodrigo Casa Branca destaca que priorizou o "fazer mais com menos", mantendo a transparência e independência de poderes. Ele também faz críticas ao momento político de Mongaguá e ao Executivo da cidade.

Rodrigo Casa Branca alternou entre os poderes Legislativo e Executivo (Foto: Divulgação)

AT - Qual balanço o senhor faz do biênio à frente da Câmara de Mongaguá?

Rodrigo Casa Branca - A presidência da Câmara foi muito focada, já que a cidade passava por momentos de estagnação, até os fatos que ocorreram em maio de 2018. Em dois anos, trabalhei para harmonizar a Casa, manter as atividades em funcionamento e fazer mais com menos, afinal, durante o período em que estive à frente da presidência, não solicitei mais recursos financeiros para o Legislativo. Avançamos muito.

AT - Um dos focos era reforçar que o Legislativo é um poder independente e não um departamento da prefeitura. Como o senhor avalia o trabalho da Câmara na função de fiscalizar os atos do Executivo?

Casa Branca - Na questão de ser independente e focar na fiscalização, sempre lutamos para ter mais acesso a informações do trabalho do Executivo, o que, em tese, deveria ser simples e transparente, mas que, no cotidiano, se mostra bem complexo. Mesmo com as dificuldades, os vereadores trabalharam, cada um com sua bandeira e ideologias, para atender às demandas de seus eleitores. Na presidência, não deixei de agir quando necessário para apurar e evidenciar denúncias e reclamações de maior vulto.

AT - Outro ponto que o senhor destacou no início do mandato era otimizar as rotinas administrativas, investimentos em tecnologia e melhoria da estrutura. Isso foi feito?

Casa Branca - A Câmara de Mongaguá necessita de atualização constante em suas rotinas administrativas. Atendi às recomendações do Tribunal de Contas do Estado e demais entidades semelhantes, e fiz as adequações essenciais para o bom funcionamento da Casa. Trabalhei firme para que o Legislativo mongaguaense se aproximasse da população, e acredito que demos importantes passos nesse sentido.

AT - Quais melhorias foram dadas à população de Mongaguá com a ajuda da Câmara?

Casa Branca - Trabalhei em harmonia com os demais membros do Legislativo, e apreciamos diversas propostas que vão de encontro ao que a população deseja. Na mesma proporção, fiscalizamos o Executivo, e a maioria teve uma postura firme perante as denúncias apresentadas na Casa. Lutamos dia a dia pelo desenvolvimento do município, com obras de infraestrutura, mais oportunidades de emprego para o povo, qualidade na educação e oferta de serviços de saúde, sem esquecer do apoio às forças de segurança pública.

AT - O senhor tramitou entre Executivo e Legislativo por causa dos afastamentos do prefeito e do vice. Isso atrapalhou a condução dos trabalhos legislativos?

Casa Branca - Em maio de 2018, tivemos esse imenso escândalo, que deixou toda a população e a classe política de queixo caído. Com o cargo vago, assumi o Executivo para ver a situação real da cidade, e o que mais me chamou a atenção foi a grande quantidade de recursos financeiros nos cofres da prefeitura parada, sem uso. Acredito que se o dinheiro é do povo, tem que ser aplicado para projetos que atendam a sociedade.

Nesse período de mais de cem dias que ocupei o Executivo, em dois períodos, dei início a mais de 75 projetos de investimentos em todos os setores, além de, já nos primeiros 30 dias, promover um mega mutirão de limpeza pública na cidade, e fiscalização em prédios públicos da educação e saúde. Vi muita coisa errada, e trabalhei muito para corrigir esses descasos. O fato é que, antes, o argumento vendido pelo prefeito era de que não havia dinheiro, mas a realidade é que existia mais de R$ 80 milhões em aplicações, e as crianças eram obrigadas a ter racionalização de merenda nas escolas, um absurdo.

AT - Como o senhor avalia o momento político vivido por Mongaguá desde a crise envolvendo a prisão do prefeito Arthur Parada Prócida?

Casa Branca - Mongaguá se deparou com um escândalo sem precedentes, e o que ficou claro é que a população queria romper com esse passado e com as pessoas que causaram tanto sofrimento à cidade. A Justiça determinou novas eleições, onde saí vitorioso com uma votação nunca antes registrada. Inclusive, muita gente saiu de casa para votar, mostrando que a cidade deseja realmente crescer, com responsabilidade e projetos inovadores. Eu acredito que a Justiça dará uma resposta ao povo, que não aguenta mais desmandos e que vive em uma cidade travada por interesses de um grupinho de aliados de um prefeito que sequer foi eleito diretamente, e só está no cargo por uma liminar monocrática de um ministro que é alvo de muitas críticas da sociedade.

AT - Como tem sido a relação com o Executivo após o retorno de Márcio Cabeça ao cargo?

Casa Branca - A relação da Câmara é a de fiscalizar os atos do atual prefeito. Infelizmente, ele tem jogado a opinião pública contra o Legislativo, criando projetos em pacote, colocando diversos remanejamentos de verbas da prefeitura em um único documento, forçando os vereadores a votarem e aprovarem movimentações milionárias, usando pequenas compras de algo realmente válido e importante ao povo. A maioria não aceita esse tipo de provocação, e se o prefeito quer que os projetos sejam aprovados, deve agir com transparência.

AT - Qual o legado que o senhor deixa para o próximo presidente da Câmara?

Casa Branca - O legado que deixo é o da responsabilidade, da transparência e da dedicação por fazer o que é certo para a sociedade. Trabalhei nesses dois anos, em sua maior parte, para o Legislativo, e lutei pelo que é certo. No momento de estar no Executivo, me dediquei a atender aos desejos do povo, que é nosso chefe. Mongaguá sofreu demais, e vi que a prefeitura poderia fazer a diferença. Por isso, me empenhei em fazer, trabalhar de domingo a domingo, realizar investimentos e me candidatei – e venci democraticamente –, pois o povo da cidade deseja realmente uma mudança.