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Domingo

24 de Março de 2019

Ex-funcionária da Saúde de Guarujá critica gestora: 'Medo de me enrolarem'

Ex-auxiliar de saúde bucal pediu demissão em novembro, mas não recebeu dinheiro da verba rescisória

Perto de encerrar o contrato emergencial para gerir as Unidades de Saúde da Famíia (Usafas) de Guarujá, a Organização Social (OS) Pró-Vida tem sido alvo de críticas por parte de funcionários e ex-funcionários. Uma auxiliar de saúde bucal, que pediu demissão em novembro, reclama do descaso da gestora.

Mileni Cristina, de 34 anos, pediu o desligamento no dia 12 de novembro e cumpriu aviso-prévio até 11 de dezembro. No entanto, ela questiona que a empresa não pagou a verba rescisória.

"Até agora, a única informação que me deram é de que não tem data para eu receber minha rescisão. Não me informam o motivo. Só respondem isso. Sem nenhuma previsão", disse Mileni, que calcula ter menos de R$ 4 mil a receber da gestora.

O contrato da Pró-Vida com a Prefeitura de Guarujá termina em 16 de fevereiro. A ex-funcionária teme que a OS deixe de quitar os pagamentos após o encerramento do vínculo. "Estou com medo de me enrolarem e acontecer igual ao que ocorreu com outra instituição, que foi embora da cidade e não pagou minha rescisão de cinco anos trabalhados", comentou.

Mileni ainda informou que um dentista, que pediu demissão no mesmo período, também não recebeu o dinheiro. Além disso, a auxiliar de saúde bucal reforçou reclamações de outros funcionários, já publicadas anteriormente por A Tribuna On-Line, como atrasos em salários e benefícios, como vale-alimentação e vale-transporte, e a falta de repasse à Previdência Social e depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com os empregados vinculados à Pró-Vida, o primeiro não é feito há dez meses, enquanto o outro nunca foi efetuado.

Além disso, a ex-funcionária também relatou condições precárias de trabalho, ameaças e represálias em caso de reclamação.

Em condição de anonimato, um funcionáro de uma Usafa reiterou que o pagamento do vale-alimentação está cinco meses atrasado, bem como não há pagamento de vale-transporte. "Funcionários estão tendo que tirar passagem do salário, que já é pouco, para vir trabalhar. Precisamos, junto com nosso salário, dos nossos benefícios, que já estão muito tempo atrasados", disparou.

OS cita desequilíbrio econômico-financeiro

Questionada sobre os problemas, a Organização Social Pró-Vida explicou que segue lidando com um desequilíbrio econômico-financeiro na execução do projeto das Usafas de Guarujá. Segundo a OS, "foi necessária a aplicação de recursos excedentes aos previstos em contrato, para que áreas fundamentais não ficassem desassistidas, e viessem a prejudicar o atendimento à população".

"Isso fica notório com o novo edital lançado pela prefeitura, que prevê um pagamento de cerca de R$ 300 mil a mais para a execução do mesmo projeto de forma definitiva", justificou a Pró-Vida.

A Organização Social também lembrou a data de encerramento do contrato emergencial, e disse que "assim que superadas essas questões, as pendências serão equacionadas", esclareceu. A Pró-Vida não se posicionou sobre o pagamento de benefícios ou sobre as contribuições à Previdência Social e FGTS.

Já sobre as ameaças e represálias sofridas por funcionários, a entidade disse ter recebido com surpresa o questionamento. "Todos têm total liberdade para expor sua opinião na imprensa ou onde preferirem. Saber o que pensam os colaboradores também traz oportunidade de melhorias para a gestão", se posicionou a gestora.

Problemas também foram identificados na OS que cuida do PAM da Rodoviária (Foto: Reprodução)

PAM da Rodoviária e Usafa Jardim dos Pássaros

No início da semana, novas denúncias relativas a problemas envolvendo a OS Pró-Vida em Guarujá foram publicadas em uma rede social. As postagens apontavam para os salários atrasados de médicos que trabalham na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Doutor Matheus Santamaria, popularmente conhecida como “PAM da Rodoviária”, e sobre a falta de água na Usafa Jardim dos Pássaros.

Sobre o PAM da Rodoviária, a Pró-Vida garantiu que todos os salários foram quitados e a situação regularizada na última segunda-feira (7). "Mesma situação ocorreu com os colaboradores da Estratégia de Saúde da Família. Dessa forma, não há qualquer atraso em relação a salários", disse a OS, em nota.

Já sobre a Usafa Jardim dos Pássaros, a Organização Social apontou que a unidade teve o fornecimento de água interrompido por conta de uma antiga dívida com a empresa responsável pelo saneamento básico da cidade. No entanto, no mesmo dia do ocorrido, a Pró-Vida regularizou a situação, e a unidade teve a distribuição normalizada.