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Sábado

17 de Agosto de 2019

A arte de esconder na comédia 'A Mentira'

Peça está em cartaz no Teatro Coliseu de sexta (02) a domingo (04)

Sucesso nos teatros europeus, a peça 'A Mentira' chega a Santos em uma adaptação nacional dirigida por Miguel Falabella. O espetáculo será encenado nesta sexta (02) e no sábado (03), às 21h, e domingo (04), às 18h, no Teatro Coliseu (Rua Amador Bueno, 237, Centro de Santos).

Com Zezé Polessa, Miguel Falabella, Karin Hils e Frederico Reuter no elenco, 'A Mentira' é uma comédia sobre a arte de esconder, seja para proteger aqueles que amamos, ou não.

Na história, Alice surpreende na rua o marido de sua melhor amiga com outra mulher, criando-se assim um conflito. Ela deve ou não contar à amiga o que viu? Seu marido Paulo tenta convencê-la a esconder a verdade. E essa mentira é para defender o amigo ou porque ele também tem algo a esconder? Diante desse dilema, os atores divertem o público com diálogos, no mínimo, curiosos.

'A Mentira' também marca o reencontro de Zezé Polessa com Falabella, dois veteranos das artes cênicas e da teledramaturgia. O primeiro trabalho dos dois juntos foi há 40 anos, na peça 'O Despertar da Primavera', primeiro espetáculo do grupo Pessoal do Despertar.

A partir dessa montagem, a dupla realizou diversas parcerias na tevê e no teatro. A primeira delas foi na série de humor 'Tamanho Família', da extinta TV Manchete, quando Falabella era o autor, enquanto Zezé encenava.

“Participo sempre das séries, 'Sai de Baixo', 'Toma Lá da Cá'. No teatro, ele me dirigiu com os outros atores. Desde 'O Submarino' (1998) que não estamos juntos no palco”, comenta Zezé, que conversou com A Tribuna via WhatsApp.

Ter o amigo na direção tem um lado bom e outro ruim, explica a atriz. “Não foi bom porque você fica achando que pode pressentir de um diretor, mas não é bem assim. Por outro lado, com ele em cena, a direção fluía muito bem. A gente ia resolvendo as coisas na medida que as dificuldades iam aparecendo”.

Para Zezé, ter um diretor de fora, observando o trabalho, a montagem, a cena, os ritmos, as intensidades, é algo muito importante. “Por conta da intimidade que um tem do trabalho do outro, fizemos uma boa parceria. Tanto de ator e atriz, como diretor dirigindo os quatro em cena”.

Curioso notar que essa não é a primeira peça do francês Florian Zeller a ganhar uma adaptação no Brasil. Anteriormente, Diogo Vilela adaptou 'A Verdade', que estreou no início do ano, no Rio de Janeiro.

“Eu e Miguel assistimos e gostamos muito do espetáculo. Então conhecemos esse autor e fomos conhecendo outras peças dele. Ele tem várias, estão sendo montadas na Europa toda. Em Portugal, tem um grupo que apresenta 'A Verdade' em alguns dias, 'A Mentira' em outros, com o mesmo elenco. Tem montagem francesa, espanhola”.

Zezé conta que por se tratar de um tema universal, o diretor não precisou dar nenhuma “abrasileirada” na montagem. “É uma coisa da nossa civilização, talvez Ocidental. O texto é muito bem construído, em moldes de teatro francês. Mas é muito contemporâneo”.

A atriz considera que o texto dessa montagem é algo que fará as pessoas conversarem bastante sobre.

“Não é sobre a traição no casamento. É sobre comportamento numa situação que você se coloca dentro do casamento e como você se comporta, como você leva sua vida vivendo numa instituição que é o casamento. Tem gente que casa bem, mas tem outras que casam bem e depois vão se adaptando a uma conveniência do casamento”.

Questionada se viveu algo semelhante, Zezé afirma que tem pouca bagagem pessoal para falar do assunto. A atriz foi casada com os atores Daniel Dantas e Paulo José. “Meus casamentos duram enquanto dura o amor, atração física, o encontro sexual. Nunca vivi uma situação que tinha que achar que deveria estar casada. Agora sou muito observadora de casamentos, principalmente na família”.