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Segunda-feira

24 de Fevereiro de 2020

Santista Dennis Calçada faz debut na fotografia

Primeira exposição com 18 trabalhos em "fine art", sob curadoria de Araquém Alcântara

A fotografia surgiu na vida do santista Dennis Calçada, de 39 anos, durante o curso de Jornalismo (formou-se em 2001). Já naquela época, ele pensava em se dedicar ao segmento, mas o alto custo dos filmes e dos equipamentos, o investimento para seguir o sonho e o surgimento de oportunidades na área de formação o separaram do projeto. Em 2016, porém, ele retomou a antiga paixão e, até quinta-feira (6), expõe seu trabalho, com curadoria de outro santista ilustre, Araquém Alcântara, na Câmara de Santos. 

Intitulada Alaya, a mostra conta com 18 imagens selecionadas em meio a um universo de mais de 600 opções, que já haviam passado por triagem. O público tem acesso à exposição no espaço cultural do prédio, das 8 às 18h. 

O trabalho retrata a natureza em áreas de mata e aposta nas fotos em preto e branco para fugir do comum, afinal, segundo Calçada, são ambientes sempre cheios de cores. 

"Optei pelo preto e branco por uma questão filosófica e pela temática. Alaya significa morada interior e tem o objetivo de fazer o espectador não apenas contemplar, mas mergulhar e se reconectar com seu interior". 

Essa é a primeira vez que Calçada expõe suas fotos ao público. As imagens fazem parte de um trabalho de pelo menos dois anos (2016 a 2018). Nesse período, ele viajou especificamente para fazer os registros e, também, aproveitou visitas a zonas de mata para mais cliques – sempre conciliando a arte com o trabalho. 

As fotografias são de lugares como Bonito e Pantanal (de Miranda e Nhecolândia), no Mato Grosso do Sul; Foz do Iguaçu, no Paraná; Tiradentes, em Minas Gerais; Ilha Grande e Paraty, no Rio de Janeiro, e Ilha do Cardoso, em Cananeia, no litoral sul paulista. 

Retomada da fotografia 

Calçada explica que começou a se reaproximar da fotografia em 2011. Em 2015, porém, ampliou esses laços, mas sempre em paralelo ao trabalho de jornalista e designer (sua outra formação). Em 2016, quando ainda realizava assessoria para o Santos Futebol Clube, participou de um workshop de Araquém Alcântara no Museu Pelé, em Santos. Foi quando resolveu iniciar incursões nas áreas de mata. "(Araquém) gostou do meu trabalho e mantivemos contato. Fiz outros cursos e viagens com ele. Me aprimorei desde aquele ano (do workshop)".

Em setembro de 2017, Calçada deixou o clube santista e passou a se dedicar exclusivamente à fotografia. "Estou trabalhando como freelancer. São fotografias fine art (de alta qualidade e artísticas) que, além de expostas, são vendidas para colecionadores que têm interesse nesse tipo de arte". 

A exposição, inclusive, surgiu por ideia de Araquém. "Ele comentou que eu estava com o trabalho consistente e tinha um tema interessante. Me disse: ‘está na hora de se mostrar para o mercado’. Daí fiz o convite (para ele ser curador) e ele aceitou". 

Participação de Araquém 

Além de uma referência no meio fotográfico e uma inspiração para Calçada, Araquém tornou-se um mestre próximo, que o incentivou a mostrar o trabalho, ajudando-o na edição na edição e na seleção das imagens.

"É como um guru. Sempre está apontando o melhor caminho ou mostrando o que não é bacana. Claro, ele me deixa livre, mas sempre opina o que pensa ser melhor". 

No Pantanal, por exemplo, os dois estiveram juntos. "Me ajudou em campo, com orientações sobre o que poderia ser interessante". 

Dificuldade 

Segundo Calçada, o mercado escolhido por ele, da impressão fine art, é bastante complicado, pois as galerias optam por artistas de renome. O fotógrafo reconhece que está dando seus primeiros passos, mas tem paciência e sabe o que deseja. 

"Estou plantando para colher. Hoje, invisto mais do que tenho retorno. Se tivesse começado na época da faculdade, teria mais trabalhos e exposições, mas não tenho motivo para lamentar, afinal, estava em outra área". 

Objetivos 

O número de fotografias feitas por Calçada nesses últimos dois anos permite a ele editar um livro, o que está nos planos. No entanto, antes disso, reconhece que precisa ganhar nome no mercado. 

"Para lançar um livro é preciso buscar patrocínio ou leis de incentivo à cultura. No futuro, vou buscar algo nesse sentido, porque não tenho como bancar (esse projeto) sozinho. Devo ter um trabalho reconhecido e consolidado para ter o que mostrar ao empresário". 

Caminhando nesse processo, o fotógrafo já garantiu vaga na Art Lab Gallery, em São Paulo, para exibir as peças de mostra Alaya, em janeiro. 

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