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Sábado

29 de Fevereiro de 2020

Escola Pública de Cinema de Santos começa a sair do papel

Obras, cujo recurso vem do Baile da Cidade, devem começar até o final de fevereiro

Prometida para este ano, a Escola Pública de Cinema de Santos deve começar a receber obras no futuro espaço a partir deste mês. Com a arrecadação dos ingressos do Baile da Cidade, o projeto recebeu cerca de R$ 600 mil, que asseguram a reforma e a compra de equipamentos.

“Primeiro tínhamos que ver o que seria arrecadado para depois adaptar o projeto a essa verba. Mas as primeiras intervenções da obra devem ser dadas ainda este mês”, afirma o secretário municipal da Cultura, Rafael Leal. A nova escola funcionará na Praça Iguatemy Martins, na Vila Nova, num galpão anexo ao Mercado Municipal.

De acordo com Leal, a necessidade de obra civil é pequena. Ali devem ser feitas apenas adequações para que o espaço atenda à formação dos futuros profissionais de audiovisual. Ele conta que técnicos de sua pasta passaram para a Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi), responsável pela elaboração do projeto, o que seria necessário ter na escola. E, a partir disto e com a definição do recurso, o projeto começou a ser feito.

Sem data

Para formatar o modelo da escola, o secretário da Cultura diz que vem ouvindo os movimentos culturais ligados ao audiovisual. Cursos como o de cenografia, técnico de som, especialista em iluminação cênica, entre outros, devem ser oferecidos num prazo ainda não definido.

Apesar do prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, ter afirmado que o novo equipamento funcionaria até o final deste ano, o secretário de Cultura não bate o martelo para a finalização da implantação até dezembro. “Não posso precisar se vai começar. Já temos o dinheiro, o que nos dá celeridade, mas não temos um prazo”, diz Leal.

Além da estrutura física e da compra de equipamentos, garantidos com o recurso do Baile da Cidade, a Prefeitura estuda fazer parcerias com a iniciativa privada e entidades do setor do audiovisual para ter profissionais responsáveis pelos cursos que serão oferecidos ali. “O maior desafio é montar o melhor formato que seja um legado eterno”, pontua o secretário.

Além de capacitação 

A intenção da Administração Municipal é de que o espaço não seja apenas uma escola. “Temos que entender que esse segmento emprega 300 mil pessoas no País e 13 mil empresas trabalham para o audiovisual, gerando mais de R$ 3 bilhões em impostos. E temos vários realizadores na Cidade e muita gente que vem de fora para gravar aqui. Por isso, também teremos uma base ali, para dar apoio para quem vier aqui para gerar emprego”, explica Leal.

Essa base vai operar em conjunto com a Santos Film Commission. Além de uma sala usada para suporte para essas produções, a escola também deve ter um estúdio para ajudar este segmento.

Desde 2007, Santos tem sido um destino cada vez mais procurado para a gravação de filmes, novelas, séries, comerciais, com mais de 600 filmagens sendo apoiadas pela Prefeitura.

Para reforçar essa vocação, a Secretaria Municipal de Cultura lançou, no ano passado, um programa de incentivo a curtas-metragens, que vai selecionar cinco projetos que receberão R$ 60 mil cada para desenvolver o filme. Foram apresentados 29 projetos e os contemplados serão conhecidos no início de março.

“A escola (de cinema) é uma iniciativa super bem-vinda”, avalia o documentarista, diretor de séries para TV, roteirista e professor da Universidade Santa Cecília (Unisanta de Projeto Audiovisual, Eduardo Rajabally.

Para ele, o audiovisual é um mercado considerado jovem, em que, apenas nos últimos dez anos, começou a ver uma formação mais direcionada e cresceu muito nesta década. 

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