Veja como aproveitar as ofertas da Black Friday sem cair em armadilhas

A palavra-chave é pesquisar. Hoje mesmo. Assim você garimpa os melhores descontos das melhores lojas para os melhores produtos

A Black Friday está batendo na porta. A data oficial é 27 de novembro de 2020, sexta-feira. Mas é importante redobrar a atenção para não receber um tijolo em casa (se receber!). Quem faz esse alerta é o fundador e CEO global do Reclame AQUI Maurício Vargas. “Com o crescimento exponencial das compras online a partir da pandemia, os consumidores passaram a olhar com muito mais cuidado a reputação das empresas, os prazos de entrega, além de avaliar a qualidade de serviços e dos produtos oferecidos. O preço deixou de ser o principal fator de decisão.”

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Todos os anos, a equipe de Maurício pesquisa a intenção de compra no evento importado dos Estados Unidos. O levantamento, realizado este ano de 28 de outubro a 4 de novembro, com 2,5 mil consumidores, indicou que 69,76% vão adquirir algo. “Percebemos aumento no nível de confiança na Black Friday. Na pesquisa do ano anterior, 21,5% disseram que não comprariam porque não confiavam, sendo a ‘maquiagem’ de preços o principal argumento. Já este ano esse número caiu para 18,77%.”

Perguntados sobre onde pretendem fazer as compras, 43,43% farão pelo aplicativo das lojas, 36,13% diretamente no site das marcas, 32,17% pelos sites de comparação de preços, 16,09% em loja física e apenas 4,69% pelas redes sociais. Uma parte deles demonstrou já saber (28%) quais promoções serão ativadas na noite de 26 de novembro. “Durante o dia de sexta-feira, existirá um equilíbrio entre os horários, o que pode ser influência de muitos estarem trabalhando em esquema de home office. ‘Após as 18h’ deverá ser o segundo momento preferido para compra, sinalizando interesse em ver as últimas ofertas na reta final da promoção.”

Os itens mais procurados este ano, segundo a pesquisa, são roupas e calçados, seguidos de linha branca, smartphones, decoração acessórios para casa (essa é a novidade!), TV e móveis. A má notícia é que talvez haja falta de vários objetos do desejo, especialmente eletrodomésticos, porque os fabricantes estão enfrentando dificuldade de importar peças e outros insumos que entram na composição de seus produtos, devido à pandemia.

Em compensação, há esta boa notícia: será possível encontrar descontos maiores que nos dois anos anteriores para móveis, por exemplo.

“Por mais que a gente sonhe com uma promoção nos moldes americanos, quando há realmente uma queima de estoques, com ofertas arrasadoras de 70 a 80% de desconto, a economia não chega a tanto no Brasil. Nossa média de descontos na Black Friday é de 25% Mas este ano algumas lojas físicas podem oferecer até 50% para desovar produtos estocados nos meses mais críticos da pandemia, quando estavam fechadas”, analisa Maurício, que recomenda:

Regra número um: pesquisar ao máximo antes e durante a Black Friday. Confira os preços hoje mesmo para poder comparar com os praticados na sexta-feira próxima e saber se há desconto real. Assim, poderá comprar o melhor produto da melhor loja pela melhor negociação.

Além disso, houve um acréscimo no número de consumidores virtuais. “Só para dar uma ideia, nesta pandemia entraram 7 milhões de consumidores que estão comprando na internet pela primeira vez. Os bandidos sabem disso, tanto que há mais lojas falsas do que no ano passado. Então, o consumidor precisa prestar máxima atenção para não ser enganado”, alerta o expert.

A principal reclamação, segundo Maurício, é com relação a atraso nas entregas. “Nós esperamos que este ano seja diferente dos dois anteriores porque o comércio parece mais preparado em termos de estrutura.”

Regra número dois: ter muito cuidado com as informações que recebe. “Já reparou na quantidade de ofertas que estão chegando por e-mail, WhatsApp ou SMS? Cuidado com isso também. Visualmente parece página oficial de empresa, mas basta que você clique para ser direcionado a uma empresa imaginária”, orienta.

Regra número três: não pague no boleto para empresas que não conhece. O Reclame AQUI alerta para que o consumidor tenha cuidado para não cair em golpes. “Prefira lojas com pagamento em cartão de crédito. Caso haja qualquer problema com a compra, é possível cancelar ou contestar, movimento que não é possível depois que o boleto é pago”, diz Maurício. Se ainda assim preferir usar boleto, pesquise antes, a reputação da empresa.

Vale procurar por quem tem autenticação do Reclame AQUI ou utilizar desde já a plataforma recém-lançada Confie AQUI (www.confieaqui.com.br). É um comparador de reputação de empresas, preços e condições de frete, que traz o histórico das marcas, conforme explica seu CEO no Brasil Edu Neves: “Nosso intuito é que você não seja ludibriado. As boas empresas vão vender muito mais porque nós estamos monitorando-as nesses últimos 90 dias; e as pessoas vão poder acessar antes de terem problemas”.

A nova plataforma reúne mais de 1.500 empresas de todos os segmentos e tamanhos e seus marketplaces, uma seleção de superofertas e várias dicas para uma compra melhor e mais segura. “Para as empresas é um estímulo para olharem o seu atendimento, a sua política de preços e tudo que podem oferecer para fidelizar os clientes e alavancar as vendas”, completa Maurício.

Como se vê a Black Friday 2020 está sendo ansiosamente aguardada por muitos – tanto comerciantes quanto consumidores. Mas, alguns comportamentos podem ter mudados em consequência da Covid-19. Rafael Quaresma, diretor do Procon Santos, observa que as compras on-line terão um apelo maior este ano por causa do novo coronavírus.

Para aumentar a segurança, tanto nas compras pela internet como presenciais, Rafael reforça algumas dicas desta reportagem e complementa:

· Pesquisa prévia de preços. “O consumidor pode (e deve) pesquisar previamente o preço médio dos produtos que pretende comprar. Para auxiliar nessa tarefa, o Procon de Santos tradicionalmente disponibiliza dias antes uma lista no site (www.santos.sp.gov.br) dos produtos mais procurados, como eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Este ano estamos fazendo esse acompanhamento de forma virtual.”

· Informações relevantes. Fique atento ao que o fornecedor deve informar antes de efetuar o pagamento, principalmente: preço total do produto, valor do frete (e se está incluso ou não), prazo de entrega e local. A falta desses detalhes costuma dar muitos problemas, segundo Rafael. Então, desconfie do site que não presta essas informações. “O frete é gratuito? Importante, então, que a pessoa digite o CEP e confirme se há tal cobertura naquela localidade.”

· Guardar comprovantes. Outra precaução é fotografar essas informações que estão sendo mostradas na tela do site. Por exemplo, onde está escrito que a instalação não tem custo extra e que a entrega será feita em 48 horas a partir da confirmação do pagamento. Também guarde papeis com tais informações e todos os comprovantes até ser concluída totalmente a compra. Isso ajuda a contestar no caso de algum problema relacionado à divergência entre o que foi prometido e o que foi cumprido.

· Reputação da loja. “Vale visitar o site do Reclame AQUI e também o do próprio Procon para essa checagem, pois há uma relação de cerca de 200 sites não confiáveis, os quais já foram monitorados (sistemas.procon.sp.gov.br/evitesite/list/evitesites.php). Também pesquisar nas redes sociais o que falam do fornecedor. O consumidor que tiver esse hábito, minimizará as chances de dor de cabeça”, finaliza Rafael

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