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Sábado

8 de Agosto de 2020

Renove seu conhecimento com o 'lifelong learning'

Já ouviu falar em lifelong learning? É o desejo por aprender sempre mais, que está latente em várias faixas etárias

As pessoas entram em 2020 sentindo necessidade de aprender coisas novas como hábito, porque o mundo está exigindo essa abertura ao novo. “Sim, existe um desejo genuíno de querer acompanhar esse mundo novo”, confirma a psicóloga Vera Furquim, professora de Gestão de Pessoas, Relações Humanas no Trabalho e Ética/Cidadania Organizacional, com enfoque na Psicologia Positiva.

Vera avalia que a tecnologia, com seu imediatismo, fez várias gerações quererem se moldar à realidade atual, refletindo a todo momento: “preciso melhorar, saber trabalhar com minhas habilidades e adquirir outras”, mesmo que alguma frustração seja inevitável, já que as mudanças são muitas e rápidas.

Instintivamente, as pessoas têm a necessidade de se comunicar, de se relacionar, de estar presente na vida do outro... Por isso, essa motivação constante de aprender como meio de se envolver com o momento. “Quanto mais aprendemos, mais nós sabemos lidar com qualquer questão emocional, intelectual ou social”, avisa a psicóloga, lembrando que a mente precisa ser exercitada. “Eu mesma procuro essa evolução, faço MBA com a perspectiva de continuar estudando”.

Pesquisas mostram que gente de idades variadas quer esse lifelong learning (aprendizado pela vida inteira). Levantamento feito pela Companhia de Estágios mostra que essa é a principal razão para a busca de um estágio. O diretor da empresa, Tiago Mavichian, conta que 80% dos estudantes procuram se expor e testar áreas, atividades e desafios novos, conhecendo e aprendendo ao máximo para escolher o setor em que atuarão.

A população 50+ também está nessa. “Aprender coisas novas e administrar melhor o dinheiro são desejos maiores do que descansar na aposentadoria”, afirma Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, que apresentou mais um Dossiê Longevidade no 14° Fórum da Longevidade, em novembro.

Sem ansiedade

“É estimulante saber que tanto jovens quanto a população 50+ querem aprender coisas novas, ter novas carreiras e experiências”, diz Vera Furquim. Como há excesso de informação disponível e não conseguimos absorver tudo, fica o desafio de controlar a ansiedade. Para a psicóloga, a pergunta é complexa, mas tem resposta simples: ser paciente.

O que significa ter a virtude de suportar o imediatismo atual sem perder a calma. “Como sociedade, desaprendemos a esperar nossa vez e a ver o tempo passar sem anseios. Que bom que a prática da meditação está em evidência para melhorar a qualidade de vida e a saúde”, comenta Vera, acrescentando que os benefícios vão além do relaxamento. “Em doses homeopáticas, a atividade cerebral é estimulada, havendo diminuição na atividade da amígdala, região responsável por regular as emoções, o que reduz em quase 40% a ansiedade”.

Passos em outra direção A mudança recente de Adriana Farina, de 52 anos, vai encorajar quem almeja novos aprendizados. Depois de atuar como advogada em escritórios de renome, ficou mais seletiva e começou a ponderar mais sobre seu futuro. “Eu decidi fazer algo que pudesse me dar retorno financeiro, porém usando minha habilidade manual nata”.

Em 2013, Adriana cursou Design de Interiores; em 2017, Design de Calçados e Bolsas, por ter se descoberto designer de calçados. Ela estudou sobre o mercado e decidiu criar sandálias de luxo trabalhadas manualmente e em tiragens limitadas, como joias para os pés. Cada par leva, em média, três dias para ficar pronto e combina técnicas de alta-costura, como bordados e entrelaçamentos, com efeito tridimensional.

Ciente de sua responsabilidade social, Adriana capacitou mulheres da periferia paulista para bordar, manualmente, os 14 modelos da sua primeira coleção. O que a designer deseja em 2020? “Consolidar a minha marca e ter certeza de que estou no caminho certo”, responde, sorrindo.

Aumente a vontade 

Não faltam chances para aprender coisas novas em 2020. Somente para aguçar essa vontade, seguem duas dicas na Baixada Santista:

Para participar de oficinas e vivências de autoconhecimento, a pedida é juntar-se ao OrganicaMente Criativa. O grupo se reunirá às terças-feiras (a partir de 14 de janeiro) no espaço Era, no Macuco. “Começa com uma meditaçãozinha guiada, seguida de roda de conversa a respeito de um tema (já tratamos de ego, anos 80, dualidades, África...), e termina com uma oficina prática de arte”, conta o psicólogo Rafael Godoy, que é facilitador. Haverá ainda um dia inteiro de retiro urbano em 25 de janeiro; a programação estará em breve na página do projeto no Facebook.

Já quem curte estar no mar pode aproveitar a sugestão do especialista em Marketing Renato Melo de aprender canoa havaiana com a Escola Canoa Caiçara, localizada na Ponta da Praia. “Como eu faço 
esse esporte coletivo, posso garantir que é para qualquer idade. As turmas formadas percorrem, durante as aulas, o trajeto Ponta da Praia-Guarujá, com destaque para praias paradisíacas como Sangava e Cheira Limão”.

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