Matheus Ilt dá dicas simples e práticas para você deixar a sua casa linda, sem gastar muito

O influenciador digital e apresentador também fala da sua trajetória até o sucesso. "Eu tinha vergonha", afirma

Pintar as paredes da casa, fazer móveis para dar uma mudada no visual de um ambiente... O influenciador digital e apresentador Matheus Ilt está acostumado com esse universo das pequenas reformas e transformações do lar desde pequeno. Ao ver a repercussão do que posta no Instagram e no YouTube sobre as modificações que fez no seu apartamento, o paranaense de 25 anos decidiu deixar a carreira de fotógrafo de lado para se dedicar em período integral à produção de conteúdos para a web, com dicas simples para os seguidores também botarem a mão na massa e darem uma repaginada no lar.

Como resultado desse trabalho, o influenciador digital recebeu o convite para comandar no GNT o Arrasta Móveis, programa exibido quartas, às 11 horas, em que orienta pessoas a distância sobre como elas mesmas podem deixar a casa mais bonita e funcional sem gastar muito.

Na entrevista a seguir, Matheus detalha sua trajetória de sucesso e ainda ensina três táticas infalíveis (inclusive para imóveis alugados). Aproveite e mãos à obra. 

AJUDA Você é originalmente da internet. O que está achando de fazer TV? 

O GNT me procurou com a proposta de apresentar um programa no molde do faça você mesmo, do bote a mão na massa para transformar os ambientes da sua casa de uma maneira simples, e juntos nós chegamos ao formato do Arrasta Móveis.

A ideia de prestar um auxílio a distância para as pessoas já era anterior à pandemia; aí, com a quarentena, tudo casou muito bem. Vou te dizer que tenho ficado bastante surpreso, positivamente, com o resultado do programa. Antes, eu estava meio receoso, se as pessoas iriam entender o passo a passo, o que eu iria sugerir para elas. Hoje, vejo que todas embarcaram de verdade no que propus e fizeram tudo direitinho, bonitinho. Com alguns dos participantes, ainda mantenho contato por Direct, no Instagram. 

Acha que as pessoas em geral têm uma ideia equivocada do que é botar a mão na massa? 

Eu acredito que sim. O que eu proponho não é bem uma reforma, porque isso envolveria quebrar paredes, trocar o chão, ou seja, coisas que acabam gerando muita sujeira. O que eu incentivo as pessoas a fazer, por meio do programa e das redes sociais, é uma “reforma” mais de aparência, algo mais superficial e simples, nada que vá mexer com a parte estrutural do imóvel, mas que dê uma diferença no ambiente.

Quero ajudar a quebrar o medo que a gente costuma ter da palavra reforma. Toda vez que as pessoas cogitam realizar uma transformação em casa já pensam que vai haver sujeira, que será algo complicado. Procuro mostrar que nem sempre é preciso fazer uma reforma pesada para você dar uma mudada no seu lar. Dependendo do caso, só de pintar uma parede, colocar umas plantas e organizar os móveis que já estão lá, você obtém um resultado bem bacana e satisfatório.

Também quero mostrar para as pessoas que pintar uma parede ou furar algo não é necessariamente um bicho de sete cabeças. Não vou falar que é uma atividade extremamente fácil, mas testando e buscando aprender a gente consegue, e aquilo passa a ser mais natural. 

E nem sempre precisa gastar muito para fazer algo descolado, né? 

Exatamente. Há obras em que você tem, de fato, que trocar o piso, o encanamento, mexer na parte elétrica etc. O que é um trabalho de arquiteto e sai bastante do que me proponho a fazer no programa e nas redes sociais. Mas, em determinadas situações, basta apenas realizar uma transformação de baixo custo, que lida com o visual do ambiente e não mexe com nada estrutural. 

RESISTÊNCIA Como você entrou em contato com esse universo de transformação da casa? 

Eu sou originalmente formado em Jornalismo. No segundo ano da faculdade, gostei bastante da disciplina de Fotografia e passei a trabalhar como fotógrafo fashion, de produtos, de um monte de coisa. Só que meu pai é pedreiro, eletricista, encanador, marceneiro, pintor, mecânico, enfim, todas essas profissões que envolvem o “faça você mesmo”. Ele, inclusive, construiu a casa da minha mãe e fez a mobília dela.

Portanto, para mim, isso tudo sempre foi algo natural. Desde pequeno, via os trabalhos do meu pai e até o acompanhava em algumas obras. Ele ainda continua produzindo móveis para um monte de gente. Por vivenciar essas coisas em casa, sempre que tinha que trocar uma tomada ou produzir um móvel, eu sabia como fazer. Mas, com a universidade e a carreira de fotógrafo, acabei deixando esse lado meu adormecido. 

O que o trouxe de volta para as “reformas”? 

Nasci em União da Vitória, no Paraná. Em 2017, me mudei para um apartamento, como gosto de dizer, bem “podrinho” em Curitiba, e que precisava de uma transformaçãozinha para ficar com a minha cara e ser mais funcional para o dia a dia. Achava muito ruim morar lá do jeito que o imóvel se encontrava. Então, comecei a mudar esse apartamento aos poucos: pintando, trocando lâmpadas e luminárias, produzindo alguns móveis...

Iniciei pela cozinha e, incentivado pelo meu namorado (o publicitário Célio Olizar), postei nas redes sociais o que estava fazendo. No fundo, eu não queria compartilhar aquilo, tinha vergonha e achava que as pessoas não iriam consumir o que eu estava mostrando.    

A repercussão dos posts te pegou de surpresa? 

Sim. Eu compartilhei as mudanças na minha cozinha de uma maneira bem superficial, apenas para mostrar o que estava fazendo. Eu não imaginava que ia acabar trabalhando com produção de conteúdo para a web. Tanto que só fui assumir isso oficialmente no fim de 2018, quando passei a reformar a minha lavanderia.

Fiquei de 2017 até este ano transformando esse imóvel de Curitiba. Realmente demorei para entender que o fato de eu gostar de pintar parede e decorar a casa interessava para as pessoas. Fiquei um bom tempo conciliando isso com a minha carreira de fotógrafo. Conforme os meus seguidores começaram a pedir mais posts, fui me dedicando mais à reforma da minha casa e à produção de conteúdos para as minhas redes sociais e, aos poucos, deixei a fotografia de lado. 

RECONHECIMENTO O Mauricio Arruda (arquiteto, designer de interiores e também apresentador do GNT) contribuiu com essa transição?  

Ele repostou a minha primeira reforma, em 2017 (da cozinha). Aí, fui de 2.500, 3 mil seguidores para quase 5 mil. Quando iniciei a transformação da minha sala, o Mauricio também compartilhou aquilo e ganhei ainda mais seguidores. O outro baque que tive foi quando eu comecei a reforma da minha lavanderia e o Mauricio, mais uma vez, repostou um conteúdo meu, o que deu uma nova movimentada nas minhas redes sociais. 

Você, nesse meio tempo, até participou de um programa do GNT. 

Depois de reformar a minha cozinha em 2017, gravei em março do ano seguinte um dos episódios do Missão Design, programa do GNT que também era de botar a mão na massa. Venci a disputa com outros dois concorrentes. A cozinha que montei no programa ficou bem parecida com a do meu apartamento de Curitiba. 


 

O Célio se tornou seu empresário? 

Sim, desde que eu passei a trabalhar profissionalmente com a criação de conteúdos para a web. Por um período, tentei deixar a administração do meu e-mail e dos meus contatos com outra pessoa, mas não deu certo, pois ela não sabia direito o que eu consegui fazer de reforma e de material para a internet. O Célio, além de namorado e manager, também é o meu assistente nas transformações e quem grava os meus vídeos. 

FUTURO Quais são os seus planos daqui para frente? 

Como eu vivia na ponte aérea para fazer trabalhos em São Paulo – às vezes nem ficava direito em Curitiba –, me mudei recentemente para a cidade, junto com o Célio. Essa também foi uma forma de renovar o meu conteúdo, porque já tinha terminado de reformar o apartamento de Curitiba e agora vou me dedicar à transformação do de São Paulo.

Nunca vou me descrever como arquiteto ou designer de interiores, pois não tenho essa formação. Sou uma pessoa comum que faz pequenas reformas, transformações. Sempre procuro deixar muito claro que não sou um profissional da área. Mesmo assim, desde o início, alguns arquitetos e designers de interiores agem como haters.   

Pensa em se graduar na área? 

Como o meu relacionamento com as pessoas no YouTube e no Instagram se dá basicamente por eu ser alguém normal, acredito que, se me formasse em Arquitetura ou Design de Interiores, isso acabaria me distanciando do público. Os seguidores se identificam comigo da seguinte maneira: se ele fez, eu também consigo.

O que quero é continuar dando dicas simples e replicáveis em qualquer casa. Tem outra coisa: em hipótese nenhuma cobro pelos trabalhos que realizo nos lares de parentes e amigos; faço isso porque quero e é um modo de criar conteúdos para as minhas redes sociais. 

TOQUES Quais são as dúvidas mais comuns dos seus seguidores? 

Têm a ver com como recuperar o chão ou uma parede de azulejos da cozinha, da lavanderia, do banheiro. Se a pessoa está sem dinheiro para quebrar tudo e colocar algo novinho, a dica é recorrer à pintura, aplicando tinta epóxi. Ao pintar, você sempre dá uma boa salvada no ambiente. 

O que indica para quem não sabe por onde iniciar a transformação da casa? 

Sugiro começar pela pintura, porque, além de ser um trabalho mais simples, bom para identificar se você vai querer continuar botando a mão na massa, se algo de errado acontecer, basta passar uma tinta nova por cima e vai parecer que nada de indesejado ocorreu. Sem falar que a pintura já modifica bastante um ambiente, mesmo quando você aplica uma tinta branca. 

E depois disso? 

Acho válido dar uma mudada na iluminação do local. Não precisa ser um projeto superdiferente, com um lustre de milhares de reais, para se obter resultados significativos. Ao trocar as lâmpadas – de filamento para LED, por exemplo –, você já vê uma baita diferença, sem fazer um grande investimento. O terceiro passo, na minha opinião, é adicionar plantas na decoração do seu lar, o que também traz um belo impacto. 


 

Você se guia por tendências? 

Gosto de ficar de olho nelas, para me manter atualizado, mas é meio arriscado você se prender apenas a isso. As tendências ajudam a ter ideias diferentes, norteiam a escolha de cores, almofadas, tapetes... Só que não sou adepto de fazer um ambiente 100% tendência. É bacana misturar o que está em alta com algo retrô, vintage, de gosto pessoal ou que você trouxe de uma viagem. 

O fato de o imóvel ser alugado inviabiliza o “faça você mesmo”? 

Essa é uma pergunta polêmica, que divide opiniões (risos). Para você ter ideia, o apartamento em que eu morava em Curitiba e o meu atual, em São Paulo, são todos imóveis alugados. Eu, particularmente, não vejo motivos para não fazer algumas mudanças no local; não acho que é preciso esperar ter o apartamento próprio para investir numa transformação ou numa pequena reforma. Caso contrário, você vai morar num lugar de que não gosta, que considera feio e do qual não se orgulha, para mostrar para amigos e parentes. Claro que eu curto pintar os ambientes, mas 90% das coisas que faço nos meus apartamentos consigo transportar comigo, como a mobília.

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