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Sábado

8 de Agosto de 2020

Hábito de frequentar museus traz uma série de benefícios para os filhos

É importante estimular iniciativa.Programe-se junto com ele e boa diversão!

O aprendizado por meio de vivências está se difundindo. Sabe-se da importância de desenvolver competências como curiosidade, autonomia cognitiva, inter-relacionamento de conteúdos... Segundo Daniela Schlochauer (pedagoga e mãe de três crianças) e Georgia Lobacheff (formada em artes plásticas e jornalismo, com mestrado em curadoria, mãe de um menino), o olhar puramente tecnológico, proposto pelo STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) está sendo mudado para STEAM, a fim de incluir a arte como um elemento essencial à formação infantil.

Para Daniela e Georgia, que levam seus filhos a museus desde bebês, falar sobre arte dá a chance de abordar temas como respeito e inclusão social. “Por que não se pode gritar ali? Por respeito ao próximo”, exemplifica Georgia, que fundou com Daniela no ano passado a Curió Arte & Criança, para organizar e mediar visitas de grupos infanto-juvenis de escolas públicas e privadas. “Assim como a leitura e o raciocínio lógico, é urgente estimular o olhar e a sensibilidade artística, alfabetizando as crianças também na linguagem visual”, continua.

Desde 2004, a Secretária de Educação (Seduc) tem parcerias com o Museu do Café, as Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos, a Fundação Arquivo e a Memória de Santos, entre outros, por acreditar que educação, patrimônio e História formam um tripé de sustentação para a construção da cidadania.

A professora Adriana Negreiros, responsável pela área de História/Seduc Santos, acredita que “visitar museus e demais espaços de educação não-formal constituem meios para que o educando se aproprie do conhecimento acumulado historicamente, reflita sobre o presente e vislumbre o futuro. Ações de educação patrimonial propiciam refletir sobre conceitos de identidade e pertencimento”. 

Imaginação e progresso. Ao entrar em contato com bens patrimoniais, conhecemos nossa história e valorizamos quem somos, de acordo com a professora, que concorda com a afirmação de Mário Vargas Llosa, prêmio Novel de Literatura 2010, de que os museus são tão importantes para um país como escolas e hospitais, pois curam, não o corpo, mas a mente. Uma parede do Museu Histórico Regional de Cusco, no Peru, eterniza o recado do escritor de que substituem a visão diminuída e mesquinha da vida e das coisas por outra ampliada, generosa e plural.

Para Llosa, “museus afinam a sensibilidade, estimulam a imaginação, refinam os sentimentos e despertam nas pessoas o espírito crítico e autocrítico. O progresso não significa somente muitas escolas, hospitais e estradas. Também, e acima de tudo, essa sabedoria que nos capacita a diferenciar o feio do belo, o inteligente do estúpido, o bom do mau e o tolerável do intolerável, a que chamamos cultura”.

Se há algum plano de apostar mais nesse tipo de cultura e diversão para os santistas? De acordo com Adriana, a Seduc, por meio da Seção de Projetos Especiais Educacionais e Seção de Formação, quer consolidar projetos como o Centro Vivo, que propõe estudos do meio no Centro Histórico de Santos; o Museu do Café; o Projeto Vou Volto, em parceria com a Universidade de São Paulo, nas Ruinas São Jorge dos Erasmos; o projeto Santos da Gente, que propõe estudos em locais como Aquário de Santos e Museu de Pesca.

Há, ainda, diferentes ações na área continental de Santos. Para este semestre, “já temos programadas ações para professores e alunos, tais como roteiros históricos, arqueológicos étnico-raciais, oficina de arqueologia para professores no Engenho dos Erasmos”, revela a professora.

Sinergia entre pais e filhos. “Sempre que posso, vou a museus com minha filha, hoje com 11 anos”, diz Carol Aguiar, networker com larga experiência em projetos de marketing e comunicação. “É o tipo de passeio que proporciona ter ótimas conversas entre pais e filhos, andar de mãos dadas por cenários de encantamento. Nós trocamos impressões sobre o local, as regras, os trabalhos expostos, a sensação que uma obra nos causa e até sobre o estado de silêncio diante de algo novo”. Para Carol, fazer pausas na correria do dia a dia para ir a exposições, lugares históricos, galerias de arte torna a todos mais sensíveis e humanos.

“Muito do que já visitei com minha filha foi útil no seu desenvolvimento em sala de aula e nos trabalhos escolares, que ficaram mais criativos. Tais passeios marcam mais os filhos do que os pais imaginam”, finaliza a mãe de Mariana, que já tem o próximo passeio combinado em casa. Será ao novo espaço do Museu da Imagem e do Som (MIS), o MIS Imersão, na capital, que recebe este mês exposição interativa em homenagem a Leonardo da Vinci, o inventor e artista italiano mundialmente famoso por obras como Mona Lisa e A Última Ceia.

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