Consulta médica online conquista adeptos

Saiba como otimizar suas consultas sem sair de casa

Um casal de dentistas aposentados que prefere não se identificar sempre foi disciplinado com os exames anuais de sangue, eletrocardiograma, mamografia e outros. Mas em 2020 os dois ficaram adiando por causa da pandemia. Até que, em outubro, fizeram sua primeira consulta pelo aplicativo do plano de saúde focado em idosos, para pedir novas guias à cardiologista de sua confiança, Patricia Gomes.

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“Quis me arrumar e me maquiar como se fosse até o consultório. A sensação foi que o tempo rendeu mais. Em vinte minutos, havíamos conversado muito, sobre saúde e sobre essa vida reclusa atual. Fomos aconselhados a só fazer no momento os exames essenciais, já que não sentimos nenhum sintoma diferente. E matamos a saudade que sentimos dela”, comenta a dentista, fazendo a ressalva de que a consulta presencial ainda é melhor.

Em pesquisa feita com quase 600 pessoas pela The Bakery, empresa global de inovação corporativa, em agosto e setembro, 85% afirmaram ser a favor da realização de consultas on-line e 45% disseram ter optado por não ir a consultas presenciais durante a pandemia, principalmente as de rotina, por causa do risco de pegar Covid-19.

“A telemedicina serve para solucionar casos de baixa complexidade no primeiro atendimento e também para dar direcionamento a outros, contribuindo com decisões importantes para o desfecho clínico dos pacientes - como o encaminhamento ao pronto-socorro, o auxílio em diagnósticos e o início de tratamentos mais precocemente”, explica o dr. Fernando Pedro, Diretor Médico da Amil, assistência médica que já realizou mais de 600 mil atendimentos por meio digital.

“Esse acesso também tem tido um papel muito importante no monitoramento de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Tanto médicos como pacientes têm percebido que facilita o acompanhamento de doenças, a substituição e o ajuste de receitas e pode evitar idas desnecessárias ao pronto-socorro”, argumenta.

Para otimizar esse tipo de consulta, o diretor médico orienta dois cuidados básicos:

1. procurar um local silencioso, com boa luminosidade e reservado da casa, para que interrupções e barulhos não atrapalhem a conversa com o médico.

2. verificar se o celular ou tablet está com a bateria carregada e se a conexão da internet está funcionando nesse local escolhido para a consulta.

A facilidade de acesso, segundo o dr. Fernando, contribuiu para o paciente se engajar mais no próprio tratamento, favorecendo o autocuidado. “Caso o médico detecte, durante esse atendimento remoto, a necessidade de uma avaliação presencial, vai orientar para isso.”

Com pacientes infantis Qual pai ou mãe nunca ficou aflito com o filho doente em casa, sem saber se deveria correr com ele para o hospital? Ou teve dúvidas se dava algum medicamento à criança? Essas são situações recorrentes na vida dos pais que uma videochamada pode ajudar. As consultas online levam praticidade no atendimento pediátrico, em especial a pais de primeira viagem. Como e em quais momentos utilizar?

Consultas online podem ajudar em situações mais comuns, como febre, diarreia, lesões na pele e dor de garganta, em casos de rotina e triagem, segundo a médica Mônica Rodrigues, diretora de pediatria da Docpass, serviço de consultas online da plataforma Conexa Saúde. “Mas o acompanhamento de doenças complexas e crônicas infantis também é possível”, continua ela, dando suas principais dicas para uma boa experiência:

· Criança na consulta. “Como médica, eu preciso vê-la, olhar seu comportamento, avaliá-la dependendo da situação. Não adianta simplesmente o adulto falar que o filho está com febre.”

· Informações em mãos. De carteira de vacinação a termômetro, passando por medicações em uso e peso atual, para que o médico possa receitar algum medicamento, caso necessário. “Organização torna a consulta proveitosa; e a situação da criança, resolvida de forma mais ágil.”

· Enviar exames recentes ao médico. A tecnologia proporciona anexar exames e enviar para o médico analisar ou realizar laudo, fazendo isso antes de iniciar a consulta, de preferência, para agilizar o atendimento.

· Ambiente tranquilo e iluminado. “Se a luz estiver boa e os pais aproximarem a câmera da criança, eu vou conseguir ver melhor a garganta dela, por exemplo. Ou até mesmo identificar uma alergia na pele ou reparar em coisas que os pais não perceberam”, explica a médica.

· Consultas com elementos lúdicos. “A dica aqui é para os médicos: procurem incluir algum elemento lúdico nas consultas, como um estetoscópio de brinquedo, um livrinho colorido para mostrar na sessão ou até um jaleco de personagens infantis para contribuir com uma consulta a distância mais humanizada e divertida.”

De acordo com Mônica Rodrigues, a pediatria é uma das especialidades que mais entendem de teleconsulta, pois, mesmo antes de seu uso ser aprovado pelo Senado durante a pandemia, os pediatras já prestavam orientação a distância, por telefone.

“A ideia não é substituir a consulta presencial, pois há situações em que o exame físico é necessário. Eu vejo a telemedicina como um complemento fundamental, para ajudar na humanização, com mais tempo de escuta, além da praticidade e acesso a uma consulta de qualidade. Acredito que facilitou muito a vida das pessoas", reforça a dra. Mônica.

A teleconsulta pode ser utilizada em casos mais comuns, como sintomas de resfriado e gripe. “É uma forma de evitar idas a hospitais e clínicas, quando não há necessidade de exames físicos na criança”, diz a diretora.

“Cerca de 70% dos cuidados diários de saúde podem ser feitos por consultas online”, completa Guilherme Fraga, diretor da DocPass, lançada durante a pandemia e conta com uns seis mil médicos disponíveis em sua base. Também possibilita o acesso a médicos mais especializados para quem mora longe dos grandes centros, e pode ser usada no acompanhamento de doenças crônicas, como asma, alergias de pele e até epilepsia.

“Além disso, é um meio de triagem, caso você esteja com dúvidas corre ao pronto-socorro ou não. Assim como orientar para os sinais de alerta, o que precisa ser observado na criança para o encaminhamento ao hospital", explica a médica acrescentando que orienta sobre aleitamento materno, desenvolvimento motor e cognitivo, desfralde, distúrbios emocionais, vacinas, introdução alimentar, entre outros.

Só para situações específicas nos meses críticos do distanciamento social, o especialista em cirurgia torácica André Galante Alencar Aranha realizou atendimentos por telemedicina no ambulatório de uma operadora de serviços médicos santista. “Agora, retomamos o presencial, com maior espaçamento entre as consultas, para evitar aglomerações”, conta ele, que atua em vários hospitais da Baixada Santista e alguns da capital, é professor nas faculdades UNILUS e UNIMES.

O cirurgião concorda que, para algumas áreas e situações específicas, a telemedicina pode servir - principalmente como orientação. Mas ressalta que determinadas doenças precisam do exame físico: “Um doente queixando-se de dor na região dorsal (nas costas, por exemplo) pode ter apenas uma dor muscular ou pode ter pneumonia com líquido no pulmão, por exemplo. E o exame físico será fundamental para confirmar uma suspeita de líquido e para direcionar aos exames”.

A consulta on-line, na visão do dr. André, talvez funcione bem quando o médico já conhece o estado de saúde do paciente, e esse quer pedir guias de exames de rotina após a longa quarentena, igual ao casal do início desta reportagem. “Mas sempre pode existir uma situação nova, na qual a ausência do exame físico acaba sendo prejudicial... Então, presencialmente, a chance de o diagnóstico (ou suspeita) ser mais assertivo é maior”, avisa o cirurgião.

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