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Sábado

19 de Outubro de 2019

Caio Paduan faz estreia no cinema como protagonista em Estação Rock: 'Eu me arrisco'

Ator também tem se testado como diretor e quer mais é alçar novos voos

Se depender de Caio Paduan, ele não vai parar nunca de experimentar as várias possibilidades oferecidas pelo universo da arte. Tanto é que nem bem se despediu do personagem Quinzinho, da novela global Verão 90, e já assumiu um papel praticamente inédito na sua carreira: o de diretor – dos vídeos do canal do YouTube da jornalista Cris Dias, sua namorada. Em paralelo a isso, o carioca de 32 anos costuma escrever contos, poesias e pensa até em se arriscar pintando quadros. Apaixonado por futebol, rock e viagens, esse são-paulino quase doente também vai estrear no cinema até o fim do ano, como protagonista do longa Estação Rock. Na entrevista a seguir, Caio fala ainda do quanto se interessa por moda, conta como trocou o Jornalismo e a Publicidade pelas Artes Cênicas, diz se vai voltar a investir na carreira internacional, após disputar com Henry Zaga o papel de Mancha Solar no filme X-Men: Os Novos Mutantes, e relembra algumas loucuras que cometeu na vida.

MÚSICA Após se despedir de Verão 90, você vai estrear no cinema?

Sim. No ano passado, quando terminei a novela O Outro Lado do Paraíso, já emendei a peça O Leão no Inverno em São Paulo e, em uma brecha que nem achei que existisse na minha agenda, consegui rodar o meu primeiro longa-metragem, Estação Rock, que vai estrear até o fim do ano. No filme, faço o vocalista de uma banda grunge que se divide entre problemas pessoais horríveis e o sonho de vencer na música. Eu sou roqueiro e acho que esse gênero precisa de mais espaço.

Cantou em alguma cena?

Apareço cantando no filme, algo que eu nunca tinha feito profissionalmente e que jamais havia cogitado. Estudei e me esforcei bastante, espero que a minha voz não decepcione e que as pessoas se encantem com a história, com o todo (risos).

Esse longa é uma feliz coincidência, porque a música faz muita parte da minha vida. Minha mãe é pianista clássica e professora. Já o meu pai me passou as melhores influências do rock. Curto basicamente o som dos anos 90: Nirvana, Pearl Jam, Stone Temple Pilots. Além de clássicos como Beatles, Queen, Led Zeppelin e Pink Floyd. E sou superfã do Metallica, fui a vários shows. Também gosto demais do rock nacional: Titãs, Rita Lee, Os Paralamas do Sucesso...

ESPORTE Nas redes sociais, fica claro que outra paixão sua é o futebol, especialmente o São Paulo.

Sou um são-paulino quase doente, maluco. Dizem que, quando a gente cresce, a paixão por futebol melhora, né? No meu caso, é o contrário, piora cada vez mais (risos). É um amor que o meu pai me passou. A gente, inclusive, costuma ir junto ao estádio. Só que não sou aquele tipo de torcedor que acha que o seu time é perfeito. Como eu joguei bola por anos e tentei seguir carreira nos campos, procuro analisar o futebol de uma maneira mais fria.

Já fez uma loucura pelo São Paulo?

Quando tinha 11 para 12 anos e havia acabado de mudar do Rio de Janeiro para São Paulo, queria assistir à final da Copa do Brasil, entre São Paulo e Grêmio, e ninguém podia ir comigo. Resolvi ir sozinho de ônibus. Os meus pais ficaram de cabelo em pé!

A vida ainda me proporcionou ter diversos amigos que trabalham com jornalismo esportivo. Eles são fontes de notícias bem bacanas, até porque leio bastante sobre futebol em geral. Me formei ator profissional em 2007, mas, enquanto a carreira não dava certo, cogitei me dedicar ao jornalismo esportivo. Cursei um ano de faculdade e tranquei quando as minhas peças começaram a deslanchar e as novelas vieram.

EXPERIÊNCIAS O que despertou o seu interesse pelas Artes Cênicas?

Meu primeiro contato com o teatro foi no colégio, mas não levei isso adiante no período. Aí, como não rolou de ser jogador de futebol, fiquei sem saber para onde ir. Acabei ingressando na faculdade de Publicidade, pois a minha mãe é formada em Comunicação Social. Nesse meio tempo, a minha prima me chamou para fazer um curso livre de teatro e não quis mais sair do palco. Decidi deixar a Publicidade para me graduar em Artes Cênicas. Vou te falar que, por mais que tivesse certeza de que o meu negócio é ser ator, às vezes eu oscilava, por ter consciência das dificuldades que existem para alguém seguir carreira no Brasil e por ter medo de as coisas não acontecerem para mim. Tenho muito orgulho de dizer que demorou, mas consegui pagar o meu curso, com o dinheiro do meu próprio trabalho. E há pouco tempo, comecei a experimentar outras possibilidades dentro do universo da arte. Gosto de dirigir e escrever.

Seus textos são sobre o quê?

Costumo escrever pequenos contos e poesias. São desabafos, reflexões, devaneios... O que também serve para ampliar o autoconhecimento, porque, quando coloco algo no papel e leio, me entendo melhor. Não tenho pretensão de lançar nada ou de me tornar escritor. Os meus textos, neste momento, são algo um pouco mais livre. Não quero parar de experimentar as possibilidades do universo da arte. Estou fotografando, me testando como diretor e tenho pensado em comprar uma tela e tinta para ver como me saio na pintura.

PARCERIA Qual é o seu projeto como diretor?

A Cris (Dias, namorada e jornalista) lançou o canal dela no YouTube no fim de agosto e estou dirigindo os vídeos. Nós montamos uma produtora mais para tocar esse projeto, só que temos conversado sobre firmar parcerias e realizar coproduções. No ano passado, inclusive, cheguei a dirigir um clipe, que não foi lançado. No canal da Cris, procuro, modestamente, dar um tom mais artístico para o conteúdo, que é superjornalístico, reúne esporte, aventura e comportamento. Depois da novela Verão 90, fui com a Cris para a Europa e, apesar de ser uma viagem de férias, aproveitamos para filmar material para o canal. 

De quem foi a ideia de vocês trabalharem juntos?

Foi da Cris. A gente conversa, troca muito. Isso é uma das coisas que mais aprecio em um relacionamento, ainda mais no nosso. Estou feliz de estar nessa empreitada com ela. A gente se entende bem, nossa parceria é supertranquila. 

Temos pontos de vista parecidos em relação à estética. Sem falar que estou aprendendo demais com a Cris e a bagagem de 15 anos de experiência dela. Sempre fui bastante curioso, eu me arrisco, estudo, dependendo do caso tento aprender sozinho. Desde que comecei a fazer novelas na Globo em 2011, tive vários diretores. Fiquei de olho em todos eles, em como montavam os planos, a luz e contavam as histórias. Tenho uma coleção de filmes, divididos por diretor. E estou com diversos livros de roteiro e direção para ler.

Após ser cotado para um papel no filme X-Men: Os Novos Mutantes (previsto para abril de 2020), pretende voltar a investir na carreira internacional?

Ficar no páreo para o papel me deu uma pilhada nesse sentido. Tenho de vontade de seguir carreira internacional, sim, pois acho que a arte não possui fronteiras, limites. Participar da seleção em Los Angeles para esse filme dos X-Men foi algo que me permitiu fazer contatos, mas não precisa ser necessariamente atuar nos Estados Unidos, pode ser na Europa. Espero que tudo aconteça de forma natural. Acredito que o melhor caminho é você trabalhar de maneira digna e correta. Aí, um projeto chama o outro.

ESTILO É vaidoso?

Sem dúvida que sou. Gosto de moda, no entanto essa não é uma relação que vai exatamente pelo caminho do consumo. A moda reflete no meu estado de espírito e me interesso mais pelos itens sustentáveis, reciclados. Aliás, estou me aprofundando nisso. Também curto o minimalismo.

No que se refere à saúde, procuro cuidar da minha pele, evitar os efeitos nocivos do sol. E gosto de praticar esportes. Por causa da novela (Verão 90), aderi ao surfe, comprei até uma prancha; e corro de vez em quando. Assim que o meu joelho melhorar, vou voltar a bater bola.

Percebi que você ama viajar.

E como! Sou sagitariano, né? Entre um trabalho e outro, preciso dar uma fugida. Costumo falar que sinto saudade da estrada. Por mais que goste de avião, não dispenso fazer um trecho do roteiro de carro, como aconteceu agora na Europa. Tento não ser um “turistão”, prefiro me envolver, me misturar com o pessoal local. O mais bonito é a troca que passa a existir a partir disso.

Qual foi a viagem mais inusitada que fez?

Já cometi algumas loucuras, como ir de carro para a Bahia numa tacada só. Lembro que, com 17, 18 anos, estava em um período intenso de trabalho e resolvi pegar um ônibus para dar uma “volta” em Ouro Preto (Minas Gerais). Fiz contato com uma república e fiquei uma semana aproveitando a cidade e o descanso sozinho. Tem outra história legal: depois de fazer um trabalho em Cartagena das Índias, na Colômbia, resolvi continuar um pouco mais lá, para conhecer o lugar. Mudei para um hostel, para não gastar muito, e acabei ficando amigo de um colombiano, de um americano e de um francês. A viagem com eles pareceu quase um road movie.

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