Após live, Claudia Leitte e Ivete Sangalo cogitam levar parceria adiante, em série de shows

As cantoras falam também do bom relacionamento entre elas e derrubam boatos de rivalidade

Para alegria dos fãs, Claudia Leitte e Ivete Sangalo resolveram trabalhar pela primeira vez juntas, o que põe fim numa vez por todas nos boatos que sempre existiram de que, por serem dois ícones do axé e da Bahia, teriam uma certa rivalidade. O momento e o formato dessa parceria não poderiam ser mais oportunos: uma live para, em tempos de pandemia, não deixar de lado o espírito carnavalesco – realizada ontem na Bahia e que pode ser conferida nos canais do YouTube de Ivete, de Claudia e do Multishow.

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A AT Revista foi convidada para participar do encontro das duas com alguns jornalistas, por videoconferência, para falar desse momento tão especial. Abaixo, você confere os principais trechos desse bate-papo descontraído, que Claudia definiu como “o encontro com a imprensa mais louco que a gente já fez na vida”.

Cancelamento do Carnaval

Claudia Leitte: Não posso dizer que fui pega de surpresa, pois eu já esperava pelo cancelamento do Carnaval. Até me preparei psicologicamente para isso. Mas não teve como: quando tudo aconteceu de fato, o meu coração ficou triste. Posso falar tanto por mim quanto pela Ivete que a gente aguarda por essa festa como a criança fica na expectativa pelo Natal e pelo Papai Noel. Durante o ano, normalmente me pego sonhando com o momento em que estarei lá, no meio da folia; e quando gravo uma música para o verão, fico imaginando como as pessoas vão reagir a ela.

Ivete Sangalo: Eu, a Claudia e todas as pessoas que gostam do Carnaval somos felizes ali na avenida. Muita gente aproveita essa época do ano para dar uma desopilada, espairecer, extravasar os seus sentimentos. Só que, por mais que a alegria seja o bem comum trazido pela festa, há algo que deve ficar acima disso e que, neste momento que estamos vivendo, mais do que nunca precisa ser estabelecido e defendido. Me refiro ao bem necessário. OK, o Carnaval – independentemente de ser da Bahia, de São Paulo, de Recife, do Rio de Janeiro ou de qualquer outro lugar – é uma data forte, emblemática, mas também é a festa que mais promove aglomeração com gente dançando junta, se abraçando, se divertindo... Todos nós precisamos ter consciência da gravidade da pandemia, pois os números são assustadores. O bem necessário que mencionei passa por cada um entender o que está acontecendo no mundo e compreender que, por causa disso, o Carnaval só deve ser realizado a partir do sucesso do processo de vacinação.

Responsabilidade e saudade do público

Claudia: Por mais que a gente ame o que faz, o artista não tem a responsabilidade só de entregar um show bom ou de se preocupar apenas com a sua carreira. Como estamos no palco e no trio elétrico para servir o público, devemos garantir que aquelas pessoas, além de ficarem felizes com a nossa música, estejam seguras ali, naquele momento. E eu gosto de ver gente! Estava sentindo muita, muita, muita falta do palco e do trio elétrico. Resumindo: andava carente desse contato com as pessoas. Acho que a live ajudou nesse sentido. Ainda tem o seguinte: na minha opinião, esse encontro meu e da Ivete não é apenas uma celebração nossa, ele também representa o encontro da galera, porque o que todo mundo queria agora era se encontrar e se abraçar no meio da multidão.

Ivete: O público é nosso grande motivador, o nosso dedo na tomada, o combustível mais maravilhoso que existe para o artista. Não tenho a menor dúvida de que os fãs são essenciais na nossa vida. Concordo com a Claudia: a live deu uma aplacada nessa falta que a gente andava sentindo do público.

Vontade de trabalhar juntas

Claudia: Já tinha um tempo que eu e a Ivete conversávamos sobre, em algum momento, nós fazermos algo juntas. No final das contas, tudo acabou rolando naturalmente. A gente quis enfiar o pé na jaca na live. Uma preocupação nossa foi montar um show que não tivesse pausas e que, como dizemos na Bahia, fosse marreta, pau no olho.

Ivete: Eu e a Claudia sempre nos encontramos em diversas situações: em camarins, shows, no Carnaval, em programas de televisão... Lembro de quando a gente se viu em Recife e a Claudia estava grávida. Ela parecia um bombonzinho, estava lindona de bela. Mas, nestes anos todos, a gente só cantou juntas no meu DVD e na tevê. O nosso relacionamento sempre foi delicioso e, com o tempo, ele apenas foi se intensificando. Confesso que, com a pandemia, tentei dar uma desbaratinada, não pensar em Carnaval. Eu realmente achei que ia conseguir dar essa diluída, porém, conforme fevereiro se aproximou, veio a pressão para organizar algo. É importante falar do desejo tanto meu quanto da Claudia de não fazer nada separadas na live, pois o coronavírus já impossibilitou demais as pessoas de estarem juntas. Muita gente está precisando de um aconchego, de algo que ajude a lidar com a ansiedade gerada pelo momento atual.

Workaholic assumidas

Ivete: Houve uma série de fatores que poderiam ter impedido esse nosso encontro. A Claudia estava trabalhando numa batida no Rio de Janeiro, no The Voice +! Conheço bem como a fase da escolha das vozes demanda tempo. Durante o programa, o técnico não pode ficar se ausentando demais, ele precisa trabalhar com cada um dos artistas, acompanhá-los de perto. Por causa disso, eu, a minha equipe e o time da Claudia iniciamos os preparativos lá na Bahia. Primeiro, por FaceTime; depois, fomos para uma casa na Praia do Forte. Eu passava tudo o que acontecia para a Claudia. No fim do dia, ela dizia o que achava e nos ajudava a nortear as coisas. Aí, quando a Claudia voltou do Rio, eu dei dois days off para ela, antes de se juntar a nós (risos).

Claudia: Rapaz! Eu sou viciada em trabalho, já fiz até alguns tratamentos para isso. Mas vou te falar que a Ivete... (risos) O engraçado é que, algumas vezes, todo mundo estava morto e nós duas não parávamos. Tinha gente que protestava para terminarmos logo o ensaio. Houve uma hora em que fomos obrigadas a cortar músicas, porque eu e a Ivete não temos limite. Escrevi, inclusive, uma poesia sobre esse nosso encontro e postei no meu Instagram.

Ivete: Enquanto a Claudia estava no Rio, quis deixá-la o tempo inteiro por dentro do que nós estávamos fazendo, porque, se fosse eu o elemento a distância, ficaria angustiada se ninguém me posicionasse sobre o andamento das coisas. Eu sabia que ia haver uma fluidez entre eu e a Claudia no dia em que trabalhássemos juntas, mas, agora que isso se tornou realidade, vejo que foi algo mais divertido e maravilhoso do que imaginava. Nós ficávamos conversando, dando risada, falávamos dos nossos filhos, contávamos causos... Essa live não foi um negócio e, sim, um projeto da vida da gente. Esse nosso encontro era muito necessário.

Preparativos na medida certa

Claudia: No processo de construção do repertório, eu fiquei numa vibe incrível, a ponto de, algumas vezes, sentir o cheiro da avenida. Tudo parecia tão conectado! Tenho noção do quanto a gente necessitava do carinho e do calor que rolaram no projeto da live. Em certos instantes, a gente precisou até se concentrar para cantar, pois ficava se emocionando com o repertório.

Ivete: O conteúdo desse trabalho foi bastante baseado no que era possível fazer com responsabilidade. Adoraríamos ter um espetáculo que fosse inesquecível do ponto de vista estético, só que precisaríamos triplicar o número de pessoas envolvidas no projeto para conseguir isso, o que ia contra as nossas premissas. Mesmo com as ressalvas exigidas pela pandemia, acho que o produto final ficou lindo.

Continuidade da parceria

Ivete: A Claudia conversou comigo sobre a possibilidade de darmos continuidade a essa nossa parceria no pós-pandemia. Na minha cabeça, eu estava tão envolvida com a live que não tinha me tocado de que existe essa oportunidade para o futuro. Realmente tem tudo para isso dar certo! Há uma chance grande de fecharmos alguns shows em determinados lugares do País.

Claudia: Só que, quando isso acontecer, se Deus quiser, já teremos saído da situação que temos vivido de um tempo para cá, e poderemos planejar esse novo projeto com segurança.

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