Tribuna do Leitor - 27 de agosto de 2020

Na edição desta quinta-feira (27), participações de Jelcy Baltazar, Wagner de Alcântara Aragão, Carlos D. N. da Gama Neto, Evandro Duarte, Arnaldo Luiz Corrêa e Eduardo e Pedro Filetti

Santos sem charme

Sempre que chegava à Shape, à época, se transformando na potência que é hoje, ele vinha com aquela gentileza tão natural e perguntava se eu estava gostando de lá, se estava tudo bem. Perguntava se podia acender um cigarro e começava a me contar as histórias de um tempo em que Santos tinha charme e humor. Contava passagens de amigos do Tênis Clube, do Fórum. Histórias dele mesmo, de sua paixão pela bela Clara e, depois, por Graziela. "Ah, estou fazendo você perder tempo ouvindo isso, não é?". Nunca, dr. Oswaldo! Santos perdeu um Humphrey Bogart, gentil e generoso. Santos ficou sem charme sem Oswaldo Monforte.
Jelcy Baltazar - Santos

Banco do Brasil

Você venderia sua casa para continuar morando nela pagando aluguel? Provavelmente, não porque não faz sentido. Pois é o que, na prática, está fazendo o Banco do Brasil com sua sede em Santos. Vai vender onde está para ali continuar, mas gastando com locação. Por que isso? Dificuldade financeira não é, afinal, só no primeiro trimestre deste ano, a instituição lucrou R$ 3,2 bilhões. O Banco do Brasil não é deste, nem de outros governos. É do povo. Ah, e tem um agravante: o imóvel em questão é de evidente valor artístico e histórico - é cenário, por exemplo, de várias produções audiovisuais, por conta do belo mural. Que os parlamentares com base eleitoral na Baixada Santista, Ministério Público e outras instituições competentes impeçam esse atentado.
Wagner de Alcântara Aragão - Santos

A Raposa e a Galinha

Pelo título poderia até ser mais uma fábula, mas, infelizmente, é a triste realidade no Brasil de hoje. A notícia da venda em leilão do prédio da agência do Banco do Brasil, na Rua XV de Novembro, em Santos, mostra mais um dos sinistros episódios, ensaiados a passos trôpegos, antecipando a entrega dessa galinha dos ovos de ouro para as raposas de plantão. Arrancam-lhes as penas, para amanhã tentar justificar a venda do valioso bem, já depauperado e a preço de final de feira de periferia. Dispor de um patrimônio sólido e lucrativo como esse, especialmente para atender ao interesse de uns e de outros, não é negócio sério, é crime de lesa-pátria.
Carlos D. N. da Gama Neto - Santos

Habemus rex 2

A Tribuna veiculou texto que produzi, criticando o poder econômico de um certo grupo local, que muda leis e adequa outras a seu bel interesse, com olhos opacos dos órgãos que deveriam fiscalizar esses abusos e não o fazem. Não obstante, nem a Prefeitura nem o Ministério Público se manifestarem, um "oráculo" extra oficial me elogiou, dizendo que critico "tudo e todos". Obrigado, pois, assim como eu, milhares de santistas se indignam com esses desmandos e sempre recebo elogios por meus posicionamentos. Também comprova que não tenho lado nem partido, ao contrário do "oráculo", que foi presidente do partido a que pertence o alcaide. Mas é assim mesmo: contrariar interesses de quem os tem, gera essas defesas desmedidas e parciais. Mas o que interessa é perguntar se o Ministério Público está de prontidão ou não, porque a Prefeitura está deitada em berço esplêndido.
Evandro Duarte - Santos

Tempos sombrios

O presidente da República não consegue responder de maneira equilibrada à pergunta de um jornalista acerca da origem do dinheiro recebido pela primeira-dama do operador de “rachadinha”, Fabrício Queiroz. Relembrando os tempos sombrios da Ditadura, quando o General Newton Cruz destratava os jornalistas, ameaçando-os quando inquirido sobre assuntos que não apreciava, Bolsonaro deu um show de imbecilidade e estupidez, dizendo ter vontade “de dar uma porrada” no jornalista. É o fim da picada. É uma vergonha.
Arnaldo Luiz Corrêa - Santos

Desestímulo

Realmente, um absurdo a proposta da reforma tributária do governo Bolsonaro que prevê acabar com a isenção de impostos sobre livros. Em um país onde muitas pessoas não têm o saudável hábito de ler, seria lamentável essa taxação. Teríamos um número maior de livrarias fechando e a leitura ainda mais desestimulada.
Eduardo e Pedro Filetti - Santos

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