Arte nossa de cada dia

Mesmo em tempos de pandemia, a arte se mostra aberta a novas e diferentes concepções

“Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte, para ver a alma”. A frase é do dramaturgo, ensaísta e jornalista irlandês George Bernard Shaw.

Nise da Silveira, psiquiatra brasileira, entendia a essência da arte, e revolucionou a maneira de tratar as pessoas que não se encaixavam no status quo.

Com a crise sanitária causada pela covid-19 e a dificuldade econômica, um reflexo da pandemia e que é agravada pelo descalabro de quem deveria nos liderar, por que precisamos e devemos valorizar a arte?

Talvez possa não existir uma resposta objetiva, justamente porque a arte, em suas várias expressões, tange a subjetividade. Há quem possa apreciar ou não a mesma obra.

No entanto, o fato de a arte estar constantemente aberta a novas e diferentes concepções a faz tão rica. Ela caminha junto à história e, graças a ela, obtemos elementos que facilitam a compreensão de um povo e a sua relação com o mundo.

Mais interessante do que defini-la é pensarmos de que forma através da arte podemos ampliar concepções de mundo e sobre nós mesmos no tempo e no espaço.
Para alguns, a arte é uma elevada habilidade técnica. Para outros, é a capacidade de representação do “belo”.
Existem aqueles, como nós, que enxergam na arte uma abertura do eu para o próximo, contato com o alternativo, diferente, inesperado. A partir de um novo olhar, mais crítico, isso possibilita uma percepção mais empática, criativa e engajada da realidade.

Neste momento, quando precisamos nos manter isolados para tentar diminuir a curva da pandemia, a arte é companheira. O isolamento tende a nos deixar ansiosos, serve de gatilho para o pânico, nos faz inseguros ante a doença, o desemprego, as manifestações raivosas.

Tem sido graças aos artistas e às suas manifestações que a dor é diminuída: assim passamos o tempo, nos distraímos, nos divertimos, refletimos, questionamos, rimos, choramos. Jamais ficamos inertes.

A arte é essencial na cultura, que também envolve nossas tradições, comportamentos e costumes. É fundamental na economia criativa, gera empregos, movimenta milhões, bilhões. Serve de agente propulsor da saúde, do turismo, da educação.

Aliás, a educação artística e a utilização de suas linguagens na base sempre fazem a diferença. Mesmo para quem não deseja ser artista. Médicos, engenheiros, atletas e trabalhadores das mais variadas áreas, que tiveram arte na base, são e serão profissionais mais sensíveis, abertos.

A arte é mutante e agora repensamos essa relação. O contato entre artista e público se modifica. Atores e cantores não estão mais frente a frente com suas plateias.

Prestigiemos os artistas (em especial os da região) e suas lives. Dentro das possibilidades de cada um, podemos incentivar, ajudar, doar, divulgar. Eles estão aí on-line e – em boa parte dos casos – há gratuitamente filmes e séries de serviços de streaming, canais de TV e festivais, livros, espetáculos teatrais, contação de histórias, visitações de museus.

Pela própria constituição, temos como direito fundamental a liberdade de expressão e, dentro dela, a manifestação artística. Nos é dada a oportunidade de debatê-la, questioná-la. Jamais devemos negá-la, censurá-la. A arte nossa de cada dia faz bem ao mundo, ao coração e à alma.

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