Tenente Coimbra

Matheus Coimbra Martins de Aguiar é 1º Tenente do Exército Brasileiro. É formado em Administração de Empresas. Também possui formação em Política e Estratégia, na Escola Superior de Guerra (ADESG). Foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Liberal (PSL), com 24.109 votos, nas eleições de 2018.

Acesse todos os textos anteriores deste colunista

Pesquisas eleitorais erram e atrapalham processo democrático

Os números apontados por estas pesquisas, além de desestimularem os cidadãos, pois já apontavam largas vantagens de um candidato contra outro, se mostraram incorretos quando divulgados os resultados nas urnas

As eleições de 2020 entraram para a história como uma das mais conturbadas dos últimos anos. Em meio a uma pandemia, os candidatos tiveram que se adaptar para poderem participar do processo democrático, conquistar votos e expor seus planos. 

Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços!

Ao fim do segundo turno, o que pudemos perceber foi a alta taxa de abstenção causada, não somente pela pandemia, mas pelo desinteresse de parte da população nas questões políticas e pela divulgação de pesquisas eleitorais que apontaram erroneamente vantagem considerável de certos candidatos, desmotivando o eleitorado.

Os números apontados por estas pesquisas, além de desestimularem os cidadãos, pois já apontavam largas vantagens de um candidato contra outro, se mostraram incorretos quando divulgados os resultados nas urnas.

Vamos aos exemplos, citando alguns casos de capitais: Em Porto Alegre (RS), a última pesquisa IBOPE, divulgada às vésperas das eleições, apontou que a candidata do PCdoB, Manuela d'Ávila, estava com 51% dos votos, mas a realidade foi que ela obteve 45% e ficou em segundo lugar. Com 6 pontos a menos que o previsto, não tem sequer como apontar que a margem de erro que toda pesquisa tem. 

Segundo a última pesquisa, o PT tinha chances reais de vitória com os candidatos de Recife (PE) e Vitória (ES), ambos com 50% das intenções de voto. O resultado, porém, foi de derrota em ambos os casos, com 41% de João Coser na cidade capixaba (9 pontos a menos) e 43% de Marilia Arraes na cidade pernambucana (7 pontos a menos).

Em outros casos, que o IBOPE até acertou o vencedor da eleição, mas a porcentagem ainda assim destoou da realidade. Em Aracaju (SE), Edvaldo (PDT) venceu o pleito com 5 pontos a menos do que previsto pela pesquisa. Em Belém do Pará, Edmilson Rodrigues (PSOL) foi eleito com menos 7 pontos do que apontado e, em Fortaleza (CE), o deputado estadual José Sarto (PDT), que estaria com 61% dos votos, foi eleito com 51% (10 a menos).

Coincidentemente (ou não), todos estes partidos seguem uma ideologia voltada para a esquerda.

A questão é que, independentemente do resultado final das eleições, é irresponsável apresentar números tão diferentes da realidade, podendo influenciar em votos de pessoas indecisas ou, como citei anteriormente, desmotivar cidadãos que pretendiam votar, pois o cenário aparentemente já estaria resolvido.

Em um processo democrático, devemos manter as pessoas interessadas e engajadas, para que a população vote e realmente a maioria possa se sentir representada por aquele que for eleito.

Agora, encerradas as eleições de 2020, fica uma reflexão para que as empresas e instituições repensem a maneira irresponsável de como vêm apresentando os números. E que os cidadãos não se deixem enganar por pesquisas eleitorais e não deixem de registrar seu voto, independente de quem aparentemente esteja à frente. 

Devemos garantir que todos os pleitos ocorram da forma mais justa possível, sem manipulações de qualquer âmbito que seja.

E por fim, aos prefeitos eleitos, desejo boa sorte e que possam fazer um grande serviço em prol de seus municípios e seus munícipes, promovendo desenvolvimento e crescimento, com transparência e justiça.

Tudo sobre:
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.