Tenente Coimbra

Matheus Coimbra Martins de Aguiar é 1º Tenente do Exército Brasileiro. É formado em Administração de Empresas. Também possui formação em Política e Estratégia, na Escola Superior de Guerra (ADESG). Foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Liberal (PSL), com 24.109 votos, nas eleições de 2018.

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Até quando os artistas vão sofrer os efeitos da pandemia?

Os artistas estão sofrendo de forma ainda mais prolongada os efeitos da pandemia

Os artistas estão sofrendo de forma ainda mais prolongada os efeitos da pandemia. O setor está parado desde março. Milhares de trabalhadores foram demitidos. Já não faz mais sentido continuar penalizando o setor quando praias e shoppings estão lotados. O argumento de evitar a aglomeração não tem nexo nesse e em tantos outros casos. Então, por que não liberar os eventos e, assim, ajudar milhares de trabalhadores e suas famílias? 

É óbvio que todos os cuidados necessários devem ser adotados. Se bares e restaurantes funcionam – e, no caso desses, é preciso ampliar o horário de funcionamento – não vejo motivos para que não se crie um protocolo de retomada de teatro, apresentações, shows e outros tipos de eventos. Que se limite o público, que se imponha o distanciamento seguro por meio de mesas e se faça toda a assepsia e checagem de temperatura para permitir a participação das pessoas. Há uma série de critérios que podem ser adotados para que o setor reabra com segurança.

Se as curvas já começaram um movimento de queda, por que o Estado não compreende que o cenário é diferente e começa ele próprio a experimentar outras possibilidades que poderiam inclusive serem mais seguras para todas as pessoas?

Não adianta ficar esperneando porque a população resolveu retomar a vida. Ninguém voltará mais para dentro de casa. Por que não se adaptar à realidade quando não se pode mais mudá-la? Para ter justificativas morais caso algo dê errado? É preciso colocar fim à hipocrisia.

O Estado precisa interferir diretamente neste cenário de forma que essa realidade não signifique mais uma ameaça à saúde de todos. E isso só será possível se o poder público parar de agir feito avestruz, enfiando a cabeça num buraco e fingindo que nada está acontecendo.

Eu até entendo a perplexidade de algumas pessoas, mas é hipócrita criticar, hoje, quem lota praias, praças e shoppings. Muita gente não aguenta mais ficar trancada em casa. 

O fato é que entramos em uma curva descendente claramente consolidada, conforme a própria imprensa, uma das mais impiedosas vigilantes das “regras”, mostrou, comentou e repetiu ao longo da semana passada. Reportagem da Folha de S.Paulo de domingo, 6 de setembro, traz à tona o consenso entre especialistas sobre o fato de uma segunda onda de infecções estar praticamente descartada no Brasil. 

Esper Kallás, infectologista e professor da USP, diz que dificilmente haverá aumento de casos. Cito suas aspas, na Folha: “Estamos diante de uma epidemia que tem a característica de uma onda única”. Ora, se até os cientistas já entenderam que suas teorias não se aplicaram integralmente à realidade brasileira, o Estado, seja no âmbito municipal ou estadual, precisa mudar já sua atitude em relação à pandemia.

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