Tenente Coimbra

Matheus Coimbra Martins de Aguiar é 1º Tenente do Exército Brasileiro. É formado em Administração de Empresas. Também possui formação em Política e Estratégia, na Escola Superior de Guerra (ADESG). Foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Liberal (PSL), com 24.109 votos, nas eleições de 2018.

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É preciso nunca se conformar com a morte de quem protege a sociedade

A violência contra os nossos policiais não para, e segue prejudicando a batalha diária contra a criminalidade

A violência contra os nossos policiais não para e segue prejudicando a batalha diária contra a criminalidade. Recentemente, mais um caso cruel repercutiu na imprensa. O soldado da Polícia Militar Daniel Alves de Lima, de 32 anos, foi encontrado morto, nu, amarrado e com sinais de violência dentro de uma carroça na região da Cracolândia. O PM era conhecido por realizar trabalhos sociais durante as folgas, tentando tirar as pessoas do mundo das drogas. Quatro homens que estavam carregando a carroça foram presos em flagrante por suspeita de assassinato.

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O caso de Daniel ganhou notoriedade pela forma com que aconteceu, porém, situações de morte de policiais, em serviço ou durante sua folga, se tornaram comuns no nosso país. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020 mostraram que, somente no primeiro semestre deste ano, o número de policiais civis e militares vítimas de crimes violentos letais intencionais (homicídios dolosos, lesão corporal seguida de morte e latrocínio) cresceram 19,6% quando comparado ao mesmo período de 2019. 

Foram 110 registros pelo país (sem incluir o estado de Goiás, em que não foi possível ter acesso aos números), dentre os quais 28 somente no estado de São Paulo, o que lhe deu a triste liderança na violência contra a polícia. Recortando apenas o estado paulista, o aumento em relação a 2019 foi de 75%.

Não bastassem as mortes por crimes violentos, ainda tivemos a estatística de suicídio: 91 policiais (militares e civis) tiraram a própria vida no ano passado. Deste total, 28 casos colocam nosso estado no primeiro lugar neste tipo de ocorrência. 

Nossos guerreiros lutam diariamente para manter a segurança da sociedade mas, ao mesmo tempo, lidam com a dificuldade de manter a própria vida. A morte pelas mãos de criminosos tem se tornado cada vez mais comum e, mesmo saindo de casa todos os dias sem terem a certeza de que voltarão vivos para encontrar sua família, esses profissionais atuam como heróis, tendo que superar todas as adversidades. 

Além dos bandidos e da pressão inerente à profissão, os policiais de São Paulo enfrentam o deficit no efetivo que sobrecarrega aqueles que estão trabalhando; a falta de investimento e equipamentos de qualidade para combater a criminalidade em nível de igualdade e a desvalorização do governo e os baixíssimos salários. 

Estes são apenas alguns dos obstáculos que o governo cria para os profissionais que desempenham uma função tão importante como garantir a segurança de todos. Trabalhar nessas condições potencializa o desenvolvimento de problemas psicológicos que levam à depressão e ao suicídio.

Passou da hora do governo estadual abrir os olhos para perceber que as nossas estatísticas estão sempre à frente da média nacional e que nossos policiais merecem reconhecimento e valorização.

Eu mesmo protocolei nestas últimas semanas inúmeras solicitações ao governador João Doria para que reforce a Polícia Militar de dezenas de cidades com armamentos, viaturas e drones. Esperamos que tudo aquilo que possa proteger e melhorar a situação dos nossos policiais tenha prioridade do Estado, que há anos os tem deixado de lado.

Fornecendo os melhores equipamentos, com certeza evitaremos que algumas mortes aconteçam, que a criminalidade tenha qualquer vantagem que seja nessas batalhas. Mas isto é apenas o começo, aqueles que lutam pelo bem de toda a sociedade merecem muito mais.

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