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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Rosana Valle

É deputada federal (PSB/SP), jornalista e escritora. Foi repórter da TV Tribuna por 25 anos e por 18 apresentadora e editora do programa Rota do Sol. Já fez reportagens em mais de 30 países e é autora de dois livros sobre o turismo regional e internacional. Rosana iniciou seu mandato em 2019 e é membro titular das Comissões de Viação e Transportes e Direito das Mulheres

As barragens de Cajati

Há pouco mais 230 quilômetros de Santos, a cidade de Cajati, no Vale do Ribeira, abriga quatro barragens de resíduos de mineração

Depois das tragédias de Mariana e Brumadinho, muito se falou sobre as questões de segurança e prevenção de acidentes nas barragens de minérios espalhadas por todo o Brasil.

Para quem vive na Baixada Santista, isso parece uma realidade fisicamente distante.

Mas, não é bem assim: há pouco mais 230 quilômetros de Santos, a cidade de Cajati, no Vale do Ribeira, abriga quatro barragens de resíduos de mineração.

É a cidade do Estado de São Paulo com maior número de barragens!

Eu fui conhecer esses locais e saber mais sobre as questões de segurança.

As barragens datam de 1938, quando o Complexo Mineroquímico de Cajati iniciou suas atividades de industrialização e comercialização de fertilizantes, tornando-se pioneiro na mineração de rocha fosfática no Brasil.

A mineração e as barragens foram administradas pela Vale Fertilizantes até o fim de 2017.

Em janeiro de 2018, passaram para as mãos da Mosaic, uma empresa multinacional da área de mineração, fertilizantes, e nutrição animal.

As quatro barragens estão localizadas a três quilômetros do centro urbano de Cajati, e distantes um quilômetro de duas pequenas comunidades.

Elas abrigam um depósito de calcário sólido, calcário com baixo volume de água, rejeito de beneficiamento mineral e um grande volume de água.

Segundo o Sistema Nacional de Informações Sobre Barragens (Sinisb), as unidades de Cajati têm um  potencial de risco classificado como baixo. 

No entanto, se um acidente ocorrer, o potencial de danos é considerado alto, tanto para a comunidade quanto para o meio ambiente. 
 
Na sede da empresa de mineração, me reuni com os engenheiros e técnicos da Mosaic.

Eles me levaram até as barragens, e mostraram como são feitos os procedimentos de inspeção quinzenal.

Também apresentaram os relatórios de segurança auditados por uma empresa de engenharia especializada em avaliação de estruturas de barragens.
      
Os engenheiros explicaram que a empresa tem que cumprir um plano de ação determinado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). 

Esse plano tem participação da Secretaria de Energia e Mineração de São Paulo, Defesa Civil do Estado, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e prefeituras das cidades da região.
 
Entre outras coisas, o plano determina a instalação de 12 sirenes de alerta para a população e funcionários da empresa.

As sirenes devem ser instaladas até o próximo dia 12 de junho. Além disso, a Mosaic tem que realizar quatro simulados de evacuação de pessoas até outubro de 2019.

São procedimentos básicos que não existiam até agora, e, na falta, se revelaram fatais nos acidentes nas barragens de Minas Gerais.

Em Brasília, estou trabalhando na elaboração de um projeto sobre barragens e cavas subaquáticas.

Por isso, pretendo voltar a Cajati e participar de um dos simulados de evacuação de pessoas, em caso de acidentes nas barragens.

Há quem diga que acidentes são indesejáveis, mas fazem parte da vida. Não há dúvida de que a prevenção é fundamental.

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