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Segunda-feira

24 de Junho de 2019

Rosana Valle

É deputada federal (PSB/SP), jornalista e escritora. Foi repórter da TV Tribuna por 25 anos e por 18 apresentadora e editora do programa Rota do Sol. Já fez reportagens em mais de 30 países e é autora de dois livros sobre o turismo regional e internacional. Rosana iniciou seu mandato em 2019 e é membro titular das Comissões de Viação e Transportes e Direito das Mulheres

A cava é boa para quem?

As cavas são crateras escavadas no leito dos mares, em rios, lagoas, ou estuários. Nesses locais confinados, são despejados sedimentos contaminados

Esta semana protocolei no Congresso Nacional, um projeto de lei que proíbe a construção de cavas subaquáticas no Brasil.

As cavas são crateras escavadas no leito dos mares, em rios, lagoas, ou estuários. Nesses locais confinados, são despejados sedimentos contaminados.

Esses metais são nocivos à saúde das pessoas e ao equilíbrio do meio ambiente. Existem duas cavas subaquáticas construídas no Brasil.

Uma está na baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro.

A outra cava está bem aqui na Baixada Santista, ao lado do manguezal do Largo do Casqueiro, em Cubatão.

A cava de Cubatão tem 400 metros de diâmetro e 25 de profundidade, praticamente um estádio do Maracanã.

Com o aval de licenças ambientais emitidas pela Cetesb  (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), no ano de 2004, a empresa de logística VLI, construiu a cava para receber sedimentos retirados do canal de navegação.

A VLI opera um porto privado nas proximidades e precisa dragar o canal de navegação para manter o calado para os navios passarem.

O problema é que por décadas, o canal recebeu poluentes depositados pelo Polo Industrial de Cubatão, na época em que a região era conhecida como Vale da Morte.

E é justamente esse material que está sendo confinado na cava. O Ministério Público Federal, políticos e organizações ambientalistas da região, questionam por que a VLI optou por manter em uma cratera dentro da água, os sedimentos retirados pela dragagem, ao invés de depositar essas substâncias em um ambiente terrestre, controlado, e com tratamento e monitoramento adequados.

Os ambientalistas dizem que é muito mais seguro fazer esse monitoramento em terra, do que no meio aquático.

Hoje não existe impedimento legal para proibir que a empresa opere a cava, que por sinal já está praticamente cheia.

A Cetesb já autorizou inclusive a construção de mais duas cavas, uma no Largo do Canéu, em Santos, e outra em Cubatão.

Embora a Cetesb e a VLI, digam que um acidente é improvável , os ambientalistas e a sociedade estão preocupados.

Um vazamento contaminaria os rios, mangues e o pescado. Acidentes acontecem. Como deputada federal não pretendo pagar para ver.

O projeto que protocolei, e espero que seja aprovado, nesse primeiro momento proíbe a construção de novas cavas no Brasil.

Foi realizado com o acompanhamento técnico do engenheiro especializado em meio ambiente, Élio Lopes, um profissional altamente qualificado.

Sei que teremos um longo caminho para aprovar o projeto de lei contra a construção das novas cavas.

Enquanto esse projeto segue para avaliação nas comissões do Congresso, eu lanço perguntas que deixam dúvidas no ar:

A cava é boa para o meio ambiente?

É boa para a nossa saúde e segurança?

Ajuda as pessoas da nossa região?

Afinal, a cava é boa para quem?

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