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Quinta-feira

18 de Julho de 2019

Roberto Debski

Roberto Debski mora em Santos, é médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e psicólogo formado pela Universidade Católica de Santos. É especialista em acupuntura e homeopatia pela Associação Médica Brasileira, pós graduado em Atenção Primária à Saúde e tem diversas formações em Práticas Integrativas e Complementares, Meditação, Constelações Familiares Sistêmicas, EMDR e Coaching. Com foco na saúde física, mental e Qualidade de Vida, estimula a mudança no comportamento, no estilo de vida e na consciência, a fim de melhorar os resultados dos tratamentos clínicos, dos relacionamentos interpessoais e do bem estar.

Relacionamento pais e filhos. Há espaço para mentiras?

Educar os filhos é uma tarefa complexa, e deve ser muito bem realizada

Educar os filhos é uma tarefa complexa, e deve ser muito bem realizada.

Requer disponibilidade, paciência, persistência, vigilância, vínculo, presença, doação, sabedoria e amor em ordem. 

Os filhos terão suas próprias vidas, responsabilidades e missão, mas também serão vistos como parte da herança que deixaremos para o mundo.

Os pais querem um mundo melhor para os filhos, o que é justo, mas muitos se esquecem de criar filhos melhores para o mundo.

A relação pais e filhos depende de vários fatores que interagem entre si.

Durante o crescimento os pais devem dar o que os filhos necessitam e não somente o que eles querem.

Por vezes é mesmo muito importante que não dêem o que eles querem, quando isso irá prejudicá-los no presente e no futuro.

Não significa que os pais devem ser autoritários e dizer "não porque não", mas sim devem ter autoridade de pais, e fazê-lo pelo bem dos filhos, explicando quando necessário e cabível, e exigindo quando for o momento adequado.

A receita exata para criar filhos tiranos, doentes, dependentes e imaturos para a vida e para as relações é dando sempre tudo o que eles querem. 

Querem deixar suas coisas bagunçadas, não arrumar nem assumir responsabilidades na casa e os pais permitem, não saberão compartilhar espaços e relacionamentos.

Querem ganhar os presentes que escolherem sempre, e os pais correspondem, acharão que o mundo lhes presenteará sempre que estalarem os dedos.

Desrespeitam seus colegas e professores e os pais não os corrigem, serão bullies e agressivos.

Querem comer fast food todos dias, e não comem alimentos saudáveis porque "não gostam", serão obesos e doentes.

Querem experimentar álcool e drogas desde cedo e os pais permitem ou se omitem, serão dependentes químicos.

Querem ter a liberdade de se relacionar sexualmente de modo imprudente e os pais acham normal e moderno, serão possíveis portadores de doenças sexualmente transmissíveis e gestações indesejadas.

Quando tudo o que querem lhes é dado sem esforço e sem merecimento, acharão que todos devem fazê-lo, e se uma pessoa não quiser mais se relacionar com eles, não aceitarão e usarão poder e violência,

Assim criaremos jovens infelizes, frustrados, doentes física e emocionalmente, intolerantes a frustrações, sem responsabilidade e exigentes quanto às suas demandas para os outros e para o mundo.

Limites e responsabilidade desde cedo na educação são fundamentais para criar um vínculo de respeito, boa educação e formação e crianças e jovens resilientes e preparados para a vida.

A fase da adolescência traz uma série de mudanças físicas e psicológicas e os pais devem saber como lidar com seus filhos.

Os jovens tendem a se achar auto suficientes e independentes e os cuidados dos pais devem ser redobrados. 

Quer os pais sejam permissivos ou bons educadores, os filhos sempre poderão mentir sobre o que fazem ou deixam de fazer.

Os filhos adolescentes sentem a necessidade de pertencer aos grupos de amigos e para isso podem apresentar comportamentos inadequados e mentir quando acham que seus pais irão censurá-los e impedir que façam o que querem. 

São diversas as justificativas para mentirem, em geral para conseguirem seus objetivos e não serem impedidos de participar nos grupos de amigos.

Podem alegar medo de serem punidos ou não compreendidos, ou que não se tratava de algo importante.

Mentiras entre pais e filhos pode ser algo normal, ou seja, comum mas nunca será algo saudável nas relações.

A mentira sempre traz prejuízo para as relações, leva a falta de confiança, julgamentos, culpa e críticas.

Os pais devem ficar atentos, confiar observando evidências ao mesmo tempo em que mantém as obrigações e cobram responsabilidade de seus filhos.

Acreditar somente sem acompanhar as atitudes dos filhos pode levar a surpresas e decepções posteriormente.

Quando nos relacionamos através de mentiras trazemos para a relação desconfiança, prejuízos e críticas.

Sempre que há falta de confiança a relação deixa de ser prazerosa e gera também medos e julgamentos .

Filhos adolescentes se acham independentes e espertos mas podem se prejudicar ao apresentarem comportamentos de risco para participar e pertencer ao grupo dos amigos.

Eles não são independentes, são menores, não se sustentam e devem respeito e obrigações aos pais.

Pais não devem ter medo de desagradar os filhos ou perder seu amor, pois comportar-se dessa maneira os deixa reféns emocionais dos filhos.

Melhor desagradá-los do que correr o risco de ter filhos que se comportam de maneira prejudicial para si próprios usando drogas, participando de atividades violentas ou praticando relações sexuais sem proteção.

Quando os pais tem dúvidas sobre o que é melhor para a educação dos filhos, devem procurar aconselhamento, com parentes, amigos experientes, e profissionais da saúde como médicos e psicólogos, a fim de receberem orientação e conseguirem educar seus filhos para que esses possam se tornar pessoas boas para si próprios, para seus relacionamentos, e pessoas que cumprirão sua missão de forma afetiva e saudável.

Dr. Roberto Debski
Médico CRM SP 58806 / Psicólogo CRP/06 84803
Especialista em Acupuntura e Homeopatia pela Associação Médica Brasileira

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