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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Roberto Debski

Roberto Debski mora em Santos, é médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e psicólogo formado pela Universidade Católica de Santos. É especialista em acupuntura e homeopatia pela Associação Médica Brasileira, pós graduado em Atenção Primária à Saúde e tem diversas formações em Práticas Integrativas e Complementares, Meditação, Constelações Familiares Sistêmicas, EMDR e Coaching. Com foco na saúde física, mental e Qualidade de Vida, estimula a mudança no comportamento, no estilo de vida e na consciência, a fim de melhorar os resultados dos tratamentos clínicos, dos relacionamentos interpessoais e do bem estar.

Práticas Integrativas e Complementares, ou Alternativas?

O termo Terapias ou Alternativas está em desuso e não corresponde ao que existe de moderno na atualidade, sendo que hoje as denominamos de Práticas Integrativas e Complementares.
 
Antigamente chamada de terapia ou medicina alternativa, termo que significa opção por um e exclusão do outro, a Medicina Integrativa e Complementar modernizou-se, trabalha muito bem associando outros métodos de tratamento inclusive a medicina convencional, e assim atende à crescente demanda de saúde da população, de todas classes sociais e idades, que se encontra cada vez mais enferma.
 
A Medicina Integrativa faz parte de uma racionalidade médica derivada das medicinas tradicionais ou milenares, como a medicina chinesa, a Ayurvédica, e mais modernamente a homeopatia e terapias como a fitoterapia, a meditação, Ioga, massagens e outras. 
 
Acompanho há mais de trinta anos o crescimento da abordagem em saúde denominada Medicina (ou terapia) Integrativa e Complementar, da qual fazem parte as especialidades médicas acupuntura e homeopatia, e que na atualidade somam forças com a Medicina convencional, contemporânea ou alopática, no objetivo de proporcionar saúde e qualidade de vida para todos, além de diversas outras terapias como a meditação, Ioga, Constelações Familiares e diversas outras, somando 29 Práticas Integrativas e Complementares presentes no SUS, contempladas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), existente desde 2006.
 
E quais os benefícios das terapias alternativas?
 
A Medicina ou as Terapias Integrativas buscam ser a arte de curar que há muito foi perdida no tecnicismo e no olhar para o micro em detrimento do todo e do sistema.
 
Abordam a pessoa que adoeceu em sua totalidade, não somente olhando para a doença, mas para o todo.
 
Geralmente atuam de maneira natural, fortalecendo os mecanismos de defesa já existentes e somando forças aos tratamentos convencionais, em benefício das pessoas. 
 
As Medicinas Tradicionais como a homeopatia, acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa e Ayurvédica levam em conta a singularidade de cada pessoa, a sua totalidade biopsíquica, os fatores sociais e biopatográficos, que causam a doença, e abordam individualmente a maneira de cuidar.
 
O objetivo não é somente tratar doenças, mas sim promover a saúde. 
 
O ideal não é tratar após a doença ter sido desencadeada, mas sim a prevenção. 
 
Quem deve buscar por terapias alternativas?
 
Qualquer pessoa pode buscar os tratamentos integrativos, nunca deixando de acompanhar seu médico de referência para discutir e trocar ideias a respeito de sua saúde e dos tratamentos indicados para cada doença. 
 
Por vezes, especialmente nos casos iniciais de doenças funcionais, as terapias integrativas podem ter efeito sozinhas, em outras há a necessidade de serem utilizadas como complementares. Somente o médico assistente que tenha conhecimento dessas práticas pode orientar o paciente em seu tratamento, acompanhando-o integralmente.
 
Pessoas que se encontram em um processo de mudança de vida, podem sofrer de ansiedade e estresse.
 
As terapias integrativas podem ajudar a aumentar a resiliência e a resistência física, auxiliando no gerenciamento do estresse e no equilíbrio físico e emocional. 
Algumas terapias alternativas presentes na PNPIC, mais ou menos conhecidas.
 
Ioga:
A prática do Ioga nos reconecta com o momento presente, o aqui e agora e impede ou diminui o fluxo desordenado de pensamentos e emoções negativas voltadas ao futuro.
Nos reconecta com a possibilidade de agir racionalmente orientados para a solução de nossos problemas, reduzindo a resposta ao estresse e os gatilhos da ansiedade.
As técnicas de respiração e as posturas do Ioga modulam e equilibram a resposta do sistema nervoso autônomo, causando regulação do ritmo cardíaco e respiratório, aumento da força e equilíbrio muscular, e correção da postura.
Modifica o padrão emocional, reduzindo a resposta ao estresse, a ansiedade e favorece um estado de calma e equilíbrio. 
O Ioga harmoniza o físico e o mental, proporcionando ganho à saúde e qualidade de vida.
 
Meditação
Meditar regularmente altera a química cerebral, reduzindo o nível dos hormônios do estresse e da ansiedade como a adrenalina e o cortisol, e aumentando os neurotransmissores do prazer e bem estar como as encefalinas e a serotonina. 
Quando meditamos eliciamos a conhecida Resposta de Relaxamento, estudada desde a década de 70 pelo médico americano de Harvard, Dr. Herbert Benson, criador do Instituto Corpo e Mente (Body Mind Institute) dessa conhecida Universidade.
Acontece o relaxamento físico e mental, reduzindo os pensamentos repetitivos e negativos, e se estabelece um padrão de tranquilidade, foco e atenção.
A meditação mindfulness reduz o nível de estresse experimentado pelas pessoas. 
No estresse ocorre o aumento da atividade cerebral na região da amígdala e cíngulo anterior cortical, e a diminuição da atividade na região pré frontal, que é a responsável pelo planejamento, raciocínio e pensamento consciente.
Porisso nos momentos em que estamos estressados ou ansiosos, não conseguimos pensar e raciocinar corretamente, e agimos mais no instinto.
A prática da meditação mindfulness aumenta a atividade na região pré frontal, o que nos coloca novamente no controle dos pensamentos e reduz a resposta do organismo ao estresse e ansiedade.
Trabalhos científicos demonstram que após treinamento de oito semanas de mindfulness há alterações não somente na atividade do cérebro mas também ocorrem alterações na estrutura anatômica do cérebro, com aumento da massa cinzenta na região do córtex auditivo e sensorial, ampliando a atenção na experiência presente, e no córtex frontal, no giro do cíngulo posterior, hipocampo, região temporoparietal, que são regiões relacionadas à memória, aprendizado, cognição, regulação das emoções, empatia e compaixão.
Trabalhos vêm sendo feitos em diversas áreas de atuação e comprovam o efeito da meditação mindfulness com os seguintes resultados: Melhora a resposta aos tratamentos de doenças cardiovasculares como a hipertensão arterial, melhora a atenção e a concentração; melhora a ansiedade e o desempenho em testes, diminuindo a ansiedade, melhora a imunidade e a resistência à doenças e a recuperação aos tratamentos; amplia a consciência e traz um maior senso de conexão, com efeito positivo complementar no tratamento da ansiedade, e da depressão.
 
Psicoterapia
A psicoterapia não está dentro das PNPICs do Ministério da Saúde, mas é fundamental para mantermos a saúde mental, diretamente conectada à saúde física, já que somos um todo, um sistema integrado corpo - mente.
Nos momentos de crise, quando nos sentimos angustiados, ansiosos ou sofremos de depressão, podemos nos beneficiar de um processo terapêutico, que nos ajudará a ampliar nossa consciência, a vislumbrarmos possíveis caminhos e maneiras de nos fortalecermos, aprimorarmos nossa resiliência e sairmos desta crise melhor e mais experientes e fortes do que quando entramos nela.
Quem não lida com o processo diretamente, e nega ou adia a mudança e a chamada para o crescimento, em algum outro momento da vida será desafiado a lidar novamente com o mesmo tipo de situação, embora sob outra forma, e então quem sabe estará pronto a lidar com isso, amadurecer e crescer para a vida.
Com a mente aberta, a intenção de melhorar e a disciplina para fazer a terapia podemos obter benefícios que melhorarão muito nossas vidas e consequentemente as vidas daqueles com quem convivemos.
A psicoterapia em suas diversas abordagens têm se mostrado muito efetivas em melhorar a saúde mental e física, contribuindo para a qualidade de vida.
 
Cromoterapia
As cores tem propriedades curativas ao estimular diferentemente áreas diversas do cérebro e do corpo, a fim de estabelecer o equilíbrio e harmonia entre a mente, as emoções e o organismo, tratamento chamado Cromoterapia.
A cromoterapia é um tipo de terapia integrativa e complementar na qual utilizamos estímulos de cores para melhorar a saúde física e mental, sem que se deva abrir mão de outros tratamentos e aconselhamento médico quando necessário.
Uma sessão de cromoterapia pode ser feita com a pessoa geralmente deitada em uma maca, em uma sala escura, e luzes com as cores indicadas são aplicadas através de luminárias e ao mesmo tempo podem ser feitas visualizações ou mentalizações. 
Além disto pode-se colorir ou pintar ambientes e decoração com cores específicas desejadas e também utilizar garrafas de vidro coloridas  com a cor escolhida cheia de água que deverá ser deixada no sol, e depois a água ingerida trazendo a energia daquela cor.
A utilização da cromoterapia pode ser um tratamento que se integra e complementa os tratamentos convencionais nos casos de ansiedade, angústia e depressão.
 
Constelação familiar
As constelações familiares tratam dos emaranhamentos e problemas que vêm de nosso sistema familiar, da família de origem. Muitas vezes as doenças com ansiedade e depressão tem causa sistêmica e a vivência da constelação familiar permite que olhemos para a origem da doença, favorecendo o movimento para a cura, integrando essa prática aos tratamentos convencionais medicamentosos.
 
Ainda há inúmeras outras, como a Homeopatia e Acupuntura que são as duas práticas integrativas que também são especialidades médicas reconhecidas e regidas pela Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina.
 
Dr. Roberto Debski
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