Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Bruno Rios e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

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Técnico brasileiro ficou para trás

Busca do Palmeiras pelo substituto de Luxemburgo mostra como os gringos ganharam a preferência

Gabriel Heinze, Miguel Angel Ramírez, Quique Setién... Todos eles foram especulados no Palmeiras depois da saída de Vanderlei Luxemburgo. E o que isso quer dizer? Entre outras coisas, que os treinadores brasileiros estão sem moral.

O Palmeiras é dono do segundo maior orçamento do futebol brasileiro. O atual elenco vale mais do que pesa, é verdade, mas ainda assim está entre os mais qualificados do País. E por que um clube desse porte descarta o mercado nacional e busca um gringo, seja ele quem for, venha com o perfil que vier? Porque os treinadores brasileiros ficaram para trás.

Luxemburgo só assumiu o Palmeiras porque não houve acerto com Jorge Sampaoli. O título paulista e a liderança geral da primeira fase da Libertadores, na opinião da diretoria palmeirense, não compensaram o mau momento no Campeonato Brasileiro. Na verdade, a conquista estadual e a campanha na Libertadores não convenceram porque foram construídas com um futebol abaixo da média. Isso, para um clube no qual as cornetas representam um campo minado, foi mortal para Luxa, que fez bem ao lançar promessas da base, mas não conseguiu montar um time ofensivo e insinuante, digno do investimento e das pretensões alviverdes.

Os dirigentes brasileiros, em 99,9% dos casos, não ajudam em nada os treinadores, quase sempre  engolidos pela falta de tempo e de condições de trabalho. Entretanto, já passou da hora de eles, jovens ou veteranos, entenderem o momento e refinarem os métodos de trabalho. Além disso, é preciso ter coragem, montar equipes ofensivas, lançar jovens e, principalmente, peitar cartolas que, por incompetência ou segundas intenções, só atrapalham. Se, entre os brasileiros, apenas Rogério Ceni é tido como confiável no momento, algo está muito errado.

Apontar soluções corajosas, que demandam atitudes drásticas, é fácil para quem está de fora. Porém, enquanto continuarem se sujeitando a um sistema que os inviabiliza, os treinadores brasileiros vão seguir preteridos. Nacionalidade não quer dizer capacidade, por certo, mas esse arrastão com sotaque espanhol à frente de Internacional, Flamengo e Atlético-MG, os três primeiros colocados do Brasileiro, somado ao declínio de nomes como Abel Braga, Mano Menezes e mesmo Vanderlei Luxemburgo, não é mera coincidência.

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