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Sexta-feira

22 de Novembro de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Carille pode ser um novo Oswaldo de Oliveira

Se não tiver humildade, treinador corre o risco de ter um início fulminante e nada mais

Depois de oito jogos sem vitória, o Corinthians demitiu Fábio Carille. A derrota por 4 a 1 para o Flamengo, no Maracanã, foi a gota d’água de um processo irreversível, cuja ponta do iceberg são os resultados em campo, mas no qual as origens são bem mais profundas. A começar pela conduta do treinador.

Apoiado pelo início de carreira meteórico, no qual ganhou um Brasileiro e três Paulistas em apenas três anos, Carille acreditou que não era necessário medir palavras e dividir responsabilidades nas derrotas. Começou dizendo que não entendia como a equipe podia jogar tão mal e ocupar o quarto lugar e terminou afirmando que tinha vergonha do futebol apresentado pelos jogadores. Isso sem falar da eliminação na Copa Sul-Americana, quando indiretamente jogou a responsabilidade nas costas dos mais jovens.

Carille pode não ter tido a intenção, mas, com essas afirmações, lembrou o Renato Gaúcho dos velhos tempos, com o “eu ganho, nós empatamos e eles perdem”. Se entendia que o Corinthians padecia de todos esses problemas, ele deveria ter se colocado como parte do todo, não como vítima. Afinal, a bomba sempre estoura no colo do treinador, justa ou injustamente.

Em campo, Carille também foi vítima do sucesso precoce. Após pegar carona em uma filosofia vencedora e, com méritos, promover continuidade, o treinador acreditou que poderia ficar o tempo todo com 11 jogadores na defesa e viver de milagres de Cássio e vitórias magras. Para a sequência da carreira, ele vai ter de aprender a correr riscos e montar times que busquem as vitórias com bom futebol. E a ter a grandeza de reconhecer méritos de colegas como Jorge Jesus e Jorge Sampaoli, que jogam luz na defasagem dos nossos técnicos.

Caso ache que está tudo certo, que as conquistas alcançadas falam por si só, Fábio Carille corre o risco de se transformar em um novo Oswaldo de Oliveira. Campeão brasileiro em 1999 e do Mundial da Fifa em 2000, ambos pelo Corinthians montado por Vanderlei Luxemburgo, de quem era auxiliar, Oswaldo não parou mais em time nenhum de lá para cá. Com exceção de torneios estaduais,  só voltou a levantar taças no Japão.

Os mais experientes dizem que o fracasso ensina e que o sucesso engana. Carille já conheceu os dois lados da moeda, agora é hora de fechar para balanço e refletir.

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