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Terça-feira

17 de Setembro de 2019

Paulo Corrêa Jr

Deputado estadual reeleito e líder do Patriota na Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa Jr. é formado em jornalismo e direito. Têm como bandeiras principais a descentralização do Porto, causas ligadas ao esporte e assistência social. É considerado um deputado metropolitano, pois sua base está espalhada pelas cidades que englobam a Baixada Santista, Vale do Ribeira e Litoral Norte.

Uma casa de chás chamada AGEM

Agência Metropolitana da Baixada Santista não tem cobrança de resultados e jamais fez valer sua missão de integrar organização, planejamento e execução das funções públicas

Desde quando foi criada, em 1998, a Agência Metropolitana da Baixada Santista – AGEM – jamais fez valer sua missão: integrar a organização, o planejamento e a execução das funções públicas de interesse comum da Região Metropolitana da Baixada Santista. Assim, lá se foram duas décadas sem que isso jamais tenha acontecido.

Com um longo histórico de ideias que não saem do papel, serviu sempre de abrigo e emprego para políticos sem mandato ou amigos de pessoas influentes. Sem problemas com orçamento, garantido pela Casa Civil, recebe, ainda, investimentos dos nove municípios que compõem a Baixada Santista e do Governo do Estado para pesquisas e estudos. Porém, não tem cobrança de resultados, o que a torna um perfeito lugar para se tomar chá.

Enquanto isso, assuntos importantes e de interesse dos quase dois milhões de moradores da região são deixados para segundo plano, ou viram projetos que nunca são colocados em ação.

Há anos fala-se da importância do incremento no transporte hidroviário e de um plano efetivo de mobilidade urbana, com a aplicação de um bilhete único, capaz de fomentar empregos e melhorar a vida do cidadão. Mas, assuntos tão complexos como esse, quando entram na pauta da Agência, tornam-se mais um maço de papel guardado em alguma gaveta.

Por outro lado, as cidades, sem nenhum órgão para aglutiná-las, acabam por criar soluções paliativas que terminam no seu limite de município, como a moto-faixa em São Vicente, ou a ciclovia de Santos, que até bem pouco tempo não “conversava” com a cidade vizinha. Caso típico da discussão entre os municípios que defendem o VLT e os que entendem que o BRT seria a melhor opção. Em briga de elefantes, quem sofre é a grama e, assim, o usuário fica sem nenhuma das opções.

Até quando vamos manter esse faz de conta financiado com dinheiro público? Ou colocamos em prática nossa vocação metropolitana ou corremos o risco de continuarmos andando cada um para um lado, sem destino ou linha de chegada.

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