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Quinta-feira

18 de Julho de 2019

Paulo Corrêa Jr

Deputado estadual reeleito e líder do Patriota na Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa Jr. é formado em jornalismo e direito. Têm como bandeiras principais a descentralização do Porto, causas ligadas ao esporte e assistência social. É considerado um deputado metropolitano, pois sua base está espalhada pelas cidades que englobam a Baixada Santista, Vale do Ribeira e Litoral Norte.

O que ocorre com a segurança pública do Estado de São Paulo?

Além de números alarmantes, a sensação de insegurança e medo é a realidade da sociedade civil

Sábado, dia 13 de abril, me chamou a atenção uma matéria noticiada no programa Operação de Risco, onde meu amigo e parlamentar Delegado Olim foi assaltado em plena luz do dia num viaduto em São Paulo. Para o azar do ladrão, e sorte da população, o delinquente escolheu a pessoa errada e acabou preso.

Na mesma semana, me deparo com um caso semelhante, onde os “escolhidos” foram dois delegados que retornavam de um evento. Raquel Galinatti e Gustavo Mesquita reagiram ao assalto e prenderam o infrator.

Feliz por ver esses marginais atrás das grades, porém, questiono: E se fosse eu? Se fosse você? Seus filhos? Seus pais? Com muita sorte estaríamos aqui para contar a história e agradecer a Deus por nada pior ter acontecido.

Agora, vamos supor que tenha acontecido e fosse necessário registrar a ocorrência. Você já foi fazer um B.O.? Inúmeras vezes, nos deparamos com alguns problemas, como delegacias que não funcionam 24 horas e, muitas vezes, os policiais estão estressados. 

Você sabe por que isso ocorre? Hoje, existe um déficit de 13.824 policiais no Estado de São Paulo, especificamente delegados faltam 788. Por isso, esses policiais fazem jornadas maiores e trabalham por 3 ou 4 pessoas. Imagine uma delegacia, que deveria funcionar com 20 agentes, operar com apenas 5. Baseado nesse déficit, entendemos porque as delegacias não funcionam 24 horas, não existe recurso humano para isso!

Fora isso, as delegacias estão, em sua maioria, caindo aos pedaços, sem manutenção, e as viaturas em péssimas condições. Você pode pensar: “Ah, eles ganham bem!”.  Isso não é verdade, pois há 6 anos não é feito o reajuste salarial e, para completar, a Polícia Civil de São Paulo tem o pior salário do Brasil. Mesmo sem valorização, eles são referência nacional.

Com a posse do novo governador, acreditamos que essa defasagem de cargos e a equiparação salarial finalmente aconteceriam, pois foi uma promessa de campanha. Porém, no último dia 15 de abril, o secretário de Segurança Pública, general João Camilo Pires de Campos, em encontro com as diretorias da Associação dos Delegados da Polícia Civil (ADPESP) e Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDPESP), confirmou que o governo não dispõe de um plano para o incremento salarial. Previsão de concurso? Também não há!

Essa luta tem que ser minha, da Assembleia Legislativa, dos policias e de toda a população. Em prol da Baixada Santista, criei a lei da Operação Verão Permanente, aumentando o número de policiais militares nos feriados e fins de semana. Mas, o que mais fazer? Como efetivamente podemos sensibilizar o governo para que esse quadro mude?

Em tempo, nunca reaja a uma situação de assalto, diferente dos delegados que são preparados, nós não somos treinados e não devemos nos achar espertos para tal feito. Agradeço à delegada e presidente do Sindpesp Raquel Gallinati, que não só apresentou esses dados como luta incansavelmente por esta causa.

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