EDIÇÃO DIGITAL

Quinta-feira

18 de Julho de 2019

Paulo Corrêa Jr

Deputado estadual reeleito e líder do Patriota na Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa Jr. é formado em jornalismo e direito. Têm como bandeiras principais a descentralização do Porto, causas ligadas ao esporte e assistência social. É considerado um deputado metropolitano, pois sua base está espalhada pelas cidades que englobam a Baixada Santista, Vale do Ribeira e Litoral Norte.

A vida é valiosa demais para ser tratada em segundo plano

A crise interminável na saúde no país inteiro, revela histórias dramáticas de descaso, esperas intermináveis, falta de medicamento e equipamentos e total descontrole sobre a atual situação

Quando o Governo Federal bate a mão no peito e berra “entregamos mais uma UPA”, deixa de esclarecer que o custeio dessa unidade deverá ser mantida com recursos que, em sua grande maioria, obrigatoriamente, terão que brotar das terras do município, muitas vezes já com todo o orçamento comprometido. Contratação de todo corpo médico, enfermagem, manutenção, equipamentos para as ambulâncias, encargos sociais, treinamentos e afins, ficam sob a responsabilidade do município. Alguns repasses – tanto da União quanto do estado, invariavelmente atrasam. E a vida não pode esperar.

Assim, a conta nunca fecha. Com um volume enorme de pessoas a serem atendidas e recursos baixos, chegamos num estresse diário de pacientes insatisfeitos com a demora nas consultas e exames, e médicos muitas vezes sobrecarregados por conta desse volume. A humanização, fundamental num momento em que o paciente está fragilizado física e emocionalmente, dissolve-se como um comprimido efervescente.

Não há tempo para “bom dia”, “como estamos hoje?” ou mesmo “nossa, como o Senhor é educado doutor”. Falta tempo para elogiar e sobra para reclamar. Tudo passa a ser mecânico, com o agravante da falta de peças para que, mesmo friamente, a máquina de curar doentes funcione.

Assista a qualquer noticiário de TV e veja que isso passou a ser pauta diária. Precisamos reorganizar recursos, direcioná-los de forma interessante, promover um grande debate entre administradores, médicos, enfermeiros e sociedade para traçarmos um diagnóstico que permita definir quais os medicamentos necessários para mudar essa dura realidade que parece não ter cura.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.