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Quarta-feira

17 de Julho de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Motivo de orgulho

Se o País não investir e não incentivar a prática do esporte entre as mulheres, dando também apoio e infraestrutura, muito em breve o Brasil não figurará sequer entre as 10 melhores do ranking mundial

Infelizmente, não temos hábito e nem a cultura do futebol feminino. É quase uma ironia: assim mesmo temos uma jogadora eleita muitas vezes a melhor do mundo. De nome simples, apenas Marta, da pequena cidade de Dois Riachos, em Alagoas, filha de uma infância sofrida, como muitas desse País repleto de desigualdades.

É mais um fenômeno, daqueles que “surgem do nada”, que aparecem de tempos em tempos, como João do Pulo, Ayrton Senna, Pelé, Gustavo Kuerten (Guga) e outros mais que desafiam a vida e se tornam heróis nacionais.

Foi muito triste acompanhar, neste domingo (23), a eliminação da seleção brasileira feminina da Copa do Mundo que se realiza na França. Pelas circunstâncias da partida – o time teve a chance de virar o jogo, já na prorrogação, – e pela garra, dedicação, sacrifício e coragem das meninas. Literalmente, superaram seus próprios limites.

Um exemplo até para a equipe masculina, que carece de identidade e até de vontade de representar o Brasil com dignidade e sentimento. Que ninguém se iluda com os 5 a 0 contra o Peru, um time fraco, principalmente, em termos defensivos. Além disso, o gol no início facilitou tudo.

Marta, após o jogo deste domingo, na entrevista obrigatória, foi muito feliz, ao alertar que ela e jogadoras como Formiga e Cristiane, dentre outras, não serão eternas e que é preciso valorizar o futebol feminino. Pura realidade, se o País não investir e não incentivar a prática do esporte entre as mulheres, dando também apoio e infraestrutura, muito em breve o Brasil não figurará sequer entre as 10 melhores do ranking mundial. Se hoje estamos nesse grupo, devemos a Marta e ao esforço isolado de um grupo de meninas.

Ela se emocionou muito, sugerindo até que seu choro de hoje seja a alegria de amanhã. Vale torcer para que seu apelo sensibilize quem de direito.

Ao longo dos mais de 120 minutos do jogo deste domingo foi a nítida a diferença entre as duas seleções, tanto em termos físicos como em organização tática. A falta de experiência de algumas, por falta de intercâmbio e prática constante, também foi visível. O lance do primeiro gol francês foi um exemplo claro. Ao “dar o bote” e, consequentemente, liberar a lateral do campo, nossa atleta deu chance a uma jogada fatal. Assim mesmo, o Brasil reagiu, empatou e quase fez o gol que poderia ser da vitória.

O resultado deixará suas marcas, como aquelas que ficaram no time masculino, novamente contra a França, só que na partida final da Copa do Mundo de 1998, no Stade de France.

Mas deixará também uma lembrança positiva envolvendo um grupo que tem que ser motivo de orgulho.

Rigorosamente, um time de guerreiras!

P.S. Nem no recesso do futebol brasileiro, em razão da Copa América, o Santos deixa de ser manchete negativa. Desta vez o fato envolve um e-mail do técnico Jorge Sampaoli, para o presidente José Carlos Peres, cobrando pagamentos em atraso. Tal mensagem, segundo fontes bem credenciadas, na prática, teve um tom de notificação.

Que ninguém se surpreenda se Sampaoli arrumar as malas e voltar para o mundo do futebol sério e civilizado. Meu cético amigo, como grande e experiente jornalista, que fique esperto.

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