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Terça-feira

22 de Outubro de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Jesus e a nova era

Em pouco tempo, treinador português lidera o Campeonato Brasileiro com o Flamengo

O técnico Jorge Jesus, do Flamengo, até com veemência, negou que tenha afirmado à revista francesa “So Foot” que os técnicos brasileiros estão “ultrapassados taticamente”. E mais: que os treinadores do Brasil, na prática, conseguem mascarar esse quadro a partir da qualidade natural dos nossos jogadores.

Mais recentemente, o treinador português, em entrevista no Rio de Janeiro, negou tais críticas, invocando principalmente o contexto da entrevista e alertou que não mais responderá a qualquer pergunta sobre o assunto. Decisão correta, não há razão para se envolver em polêmicas, até para não prejudicar o grande trabalho que realiza no Flamengo.

Com certeza, a revista francesa não inventou tal declaração. Jesus, sem dúvida, falou e “acertou na mosca”: nossos técnicos pararam no tempo, até por falta de cultura geral. Coincidência ou não, Jorge Jesus e Jorge Sampaoli, do Santos, são os grandes destaques do atual Campeonato Brasileiro. E mais: o Flamengo, com seu super-time, é o primeiro colocado e detentor de uma significativa série de vitórias, e o Santos é o 3º, apesar de claramente ter um elenco limitado e sem grandes estrelas.

Inegavelmente, não dá para comparar os dois elencos, a distância técnica é grande. Por esse ângulo, méritos maiores para Sampaoli, que fez o Santos até líder da competição por algumas rodadas. Estava claro que não se manteria, ainda sim treinador e time têm seus méritos.

Os resultados mostram que Flamengo e Palmeiras são os favoritos ao título nacional, pelos times e pelos elencos que possuem.

Os demais devem ser coadjuvantes, lutando por vagas na Libertadores e Sul-americana. No momento, essa é a lógica, não dá para contrariar.

Nessa faixa estão Santos, São Paulo, Corinthians, Internacional e até o Grêmio, em clara fase de crescimento.

Voltando ao foco inicial, com certeza Jorge Jesus fez um diagnóstico preciso do velho quadro de treinadores brasileiros, que reúne, dentre outros, Abel, Luxemburgo, Oswaldo de Oliveira, Tite e até Felipão, recentemente demitido do Palmeiras. Se não são superados, no mínimo não evoluíram em termos táticos.

Talvez a única exceção seja Renato Gaúcho, que, apesar de treinador há muito tempo, é jovem, de uma safra posterior e conseguiu montar um time forte e interessante no Grêmio.

A vinda de Jesus e Sampaoli para o Brasil foi extremamente positiva, literalmente expôs o baixo nível técnico dos treinadores brasileiros. Praticamente nenhum técnico reconheceu isso publicamente, pelo contrário, negaram os méritos dos dois “estrangeiros”.

Uma pena! Se tivessem mais humildade, poderiam até se reciclar e se atualizar. Há um fato positivo nessa postura: gradativamente, novos técnicos estão surgindo, como Odair Hellmann, do Inter de Porto Alegre, e Tiago Nunes, do Atlético Paranaense.

Curiosamente, os dois foram finalistas da Copa do Brasil, na semana passada. Tiago venceu e mostrou que é um dos integrantes da nova era do futebol brasileiro.

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