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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Marcio Calves

É jornalista e comentarista

Atenção tripulação de bordo, preparar para decolagem

Aeroporto Civil Metropolitano em Guarujá já deve inciar sua operação no segundo semestre de 2019

São quase 19 anos. Nos lembramos bem de uma tarde, instado pela diretoria de A Tribuna, quando ligamos para o então prefeito Maurici Mariano, na época reeleito com 65% dos votos, e decidimos iniciar uma campanha para implantação de um aeroporto civil em Guarujá.

Obviamente, aproveitando a estrutura existente da Base Aérea de Santos, que incluía também uma escola de pilotos de helicópteros.

Nós combinamos, então, que ele convocaria uma reunião dos prefeitos da região em Guarujá para iniciar a campanha. Se não nos equivocamos, o encontro ocorreu 24 horas após, ou no dia seguinte. Mas, foi rápido e contou com a presença da maioria dos executivos da região.

A época era ideal, um ano político, 1998, com eleição até para presidente da República. Fernando Henrique Cardoso, a partir do sucesso do Plano Real, pleiteava o segundo mandato consecutivo.

Nesses períodos eleitorais, candidatos prometem de tudo e demonstram um otimismo incrível. Durante a reunião na Prefeitura de Guarujá, num primeiro momento foi decidida a obtenção do engajamento imediato do Governo de São Paulo, na época sob o comando de Mario Covas e o vice Geraldo Alckmin.

A idéia, na sequência, era conseguir uma audiência imediata no Ministério da Aeronáutica, de modo a também comprometer o Governo Federal. Em poucas horas, reunião marcada em Brasília. E lá foi o grupo, animado e otimista, nessa altura contando com o apoio dos parlamentares federais.

Se contrapondo ao clima de entusiasmo geral, durante uma conversa informal, o então deputado Beto Mansur afirmou: “Não sai nem em 10 anos”.

Não que fosse contrário, ele deixou isso bem claro, mas por conhecer os bastidores de Brasília e da complicação que seria transformar uma base militar num aeroporto civil. Intimamente, tal reação causou grande indignação, talvez por certa ingenuidade em relação à Capital Federal, achávamos que, com tanto apoio e pelo ano político, até que seria fácil. Sem contar a importância da Baixada Santista, a partir do Porto de Santos, o maior do País.

A primeira meta era convencer a Aeronáutica e uma parte da ala militar mais conservadora. Surgiu, então, a tese do compartilhamento, prevendo as duas atividades em completa harmonia, mesmo que num clima de “cordialidade hostil”.

Tal integração, no papel, demorou anos, aos poucos confirmando “a profecia parlamentar”. Mas,  um dia saiu e até fomos convidados a assinar, em uma solenidade na Base Aérea, o “Documento de Compartilhamento”.

Uma festa! Nós pensamos conosco: agora vai. Não foi novamente. Ou melhor, seguiu num ritmo típico brasileiro. Afinal, envolvia também uma questão ambiental, diante da necessidade de uma pequena ampliação da pista, ainda que isso não fosse um fator impeditivo para o início efetivo de atividades.

Num determinado momento, no aeroporto de Guarulhos, antes do embarque, casualmente, conhecemos Germán Efromovich um empresário de múltiplas nacionalidades: boliviano de nascimento, é também polonês por iure sanguinis, além de colombiano e brasileiro, por naturalização. Em sociedade com seu irmão, criou a companhia aérea brasileira OceanAir, depois renomeada Avianca Brasil.

Durante a conversa, ao perceber a nossa atividade e a ligação com a região, pediu que intermediássemos uma conversa com a então prefeita de Guarujá, Maria Antonieta. Ele se dispunha até a assumir as obras civis, apenas com a contrapartida de poder implantar duas ou três linhas aéreas.

Até conseguimos a audiência, por duas vezes, mas ambas foram canceladas pela prefeita, na época mais preocupada com seu casamento. Em uma conversa por telefone, Efromovich foi claro: “Por favor, obrigado, mas esqueça”. E assim foi feito. 

Nos últimos dias, o noticiário indicou que, finalmente, falta pouco para o início de atividades do Aeroporto de Guarujá. Talvez ocorra até outubro, com dois ou três vôos.

Será mesmo verdade? Nós esperamos que sim. Porém, poderia ter ocorrido bem antes, viabilizando empregos e desenvolvimento para a região e para o Brasil. Foram quase duas décadas, que absurdo. 
Quase um crime contra o próprio Brasil.

Etimologicamente, segundo consta, a frase vem do latim, de um livro do século IV, mas é eterna.

Antes tarde do que nunca!

Assim: Atenção tripulação de Bordo, preparar para a decolagem.

Em caso de atraso, senhores passageiros, tenham um pouco mais de paciência.

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