Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

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Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros

Somente em solo paulista, 106 municípios foram intimados pelo TCE-SP a prestar informações sobre as campanhas de imunização contra o novo coronavírus

Em janeiro, o prefeito de Guaribas, Joércio Matias de Andrade, tomou uma das 26 vacinas de imunização contra a Covid-19 recebidas pela pequena cidade piauiense. Apesar de ter 40 anos e não ser profissional da saúde, ele furou a fila do grupo prioritário a ser atendido. Não só ele: sua irmã e o cunhado também participaram da vacinação. “Queria dar o exemplo. Fui na inocência”, alegou posteriormente o gestor.

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O problema é que essa presumida ‘inocência’ tem afetado muita gente, administradores públicos em especial, pelos quatro cantos do país. Somente em solo paulista, 106 municípios foram intimados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) a prestar informações sobre as campanhas de imunização contra o novo coronavírus. Em todas, a suspeita de que algumas pessoas foram privilegiadas na distribuição da dose.

É difícil de acreditar que, até em um assunto tão delicado, a saúde pública, tenhamos que assistir a casos lamentáveis desse tipo. Desde o início da pandemia, em março de 2020, temos ouvido sobre a necessidade de se reinventar, de criar maior empatia com o próximo, o novo normal. Infelizmente, com esses atos, o que vemos é a manutenção de velhos hábitos danosos ao ambiente político.

Regra é regra. Deve ser cumprida. Quem fura a fila está desrespeitando o Plano Nacional de Imunização, estabelecido pelo Ministério da Saúde com a operacionalização da vacinação definida por públicos-alvos. Portanto, além de incorrer numa prática desleal e desumana, está também cometendo uma irregularidade.

Vamos acompanhar as denúncias do TCE que forem comprovadas. Seja político, agente público, familiar, não importa, quem cometeu abuso tem que ser penalizado. Um país que já assistiu 226 mil mortes pela doença não pode fechar os olhos para tamanha indecência.

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