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Quinta-feira

18 de Julho de 2019

Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

No trilho certo

EMTU realizou o primeiro teste com uma composição da CPTM dentro do projeto de recriação da rota entre Baixada Santista e São Paulo, extinta em 1996

No ano passado, antes da campanha eleitoral, ouvi piadas após afirmar que uma das minhas bandeiras de mandato, caso eleito deputado estadual, seria a retomada da linha férrea de passageiros entre Santos e a Capital. É compreensível: outros políticos antes de mim atuaram com o mesmo propósito, sem que a medida de fato vingasse. A ideia estava, de certa forma, engavetada pelo Estado desde 2017, quando eu ainda era vereador. No início desta semana, no entanto, tive a certeza de que é importante acreditar nos seus ideais – não importa o quão difícil seja alcançá-los. 

Entre segunda e terça-feira, a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo) realizou o primeiro teste com uma composição da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) dentro do projeto de recriação da rota entre Baixada Santista e São Paulo, extinta em 1996. É o primeiro passo para que uma antiga reivindicação da região saia do papel.

A proposta foi incorporada no plano de governo do então candidato ao Palácio dos Bandeirantes João Doria (PSDB), ainda durante o período eleitoral, após o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB) – que coordenava a campanha no Litoral do hoje governador – me solicitar sugestões. Além de projetos nas áreas da saúde, segurança, educação e mobilidade urbana, pedi que a ideia de retomada da linha de trem fosse pensada “com carinho”. Mas que não fosse somente uma linha turística como desejavam no passado, mas também um modal de transporte de passageiros, que futuramente poderá ser interligado ao VLT, na Baixada Santista, e ao Metrô, na Capital. Tudo indica que fui ouvido.

Logo que assumi a cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em março, estive com o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, membro do meu partido, para discutir a questão. Também apresentei um requerimento na Casa com a proposta. A resposta não poderia ser melhor: ele se mostrou entusiasmado e garantiu que não mediria esforços para que o plano fosse retomado e levado adiante. 

O bom resultado obtido neste teste inicial mostra que estamos na rota certa. O objetivo era verificar as condições dos trilhos, já que um trem de passageiros tende a balançar mais do que um com cargas. Outros virão, em condições climáticas diferenciadas, a fim de se observar todos os detalhes técnicos pertinentes ao trajeto. 

A composição saiu da Estação da Luz, na Capital, e desembarcou no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, na área portuária santista. Nossa proposta foi de criação de duas linhas matinais e duas vespertinas, além de outra turística, com um serviço diferenciado.

É apenas o início, mas não poderia ser mais promissor. O caminho está aberto: basta empenho para trilhá-lo.

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