EDIÇÃO DIGITAL

Quarta-feira

21 de Agosto de 2019

Kenny Mendes

É deputado estadual (Progressistas). Professor universitário há mais de 20 anos, estreou na vida pública em 2013 como vereador em Santos. Foi reeleito em 2016 com a maior votação da história da Câmara Municipal - na ocasião, obteve 24.765 votos.

Contra o fim da picada

Poder público vem enfrentando diversas dificuldades em arcar com os custos relativos à saúde

Prevenir é melhor do que remediar. O ditado pode ser batido, mas, cada vez mais, se mostra atual. Como sabemos, o poder público tem dificuldades em arcar com os custos relativos à saúde – em muitos casos, diga-se, mais em razão de decisões equivocadas do que pela falta de recursos.

Assim, filas para internação, unidades médicas lotadas, pacientes em macas nos corredores e a ausência de medicamentos, profissionais e até de insumos nos hospitais são cenas infelizmente recorrentes no nosso cotidiano.

Nenhum agente público possui um poder supremo para conseguir banir as doenças ou os problemas decorrentes delas. Mas, com planejamento, ações adequadas e esforço, acredito ser possível, sim, diminuir suas ocorrências. E as vacinas são o meio mais eficaz de proteção frente a agentes patogênicos.

Pensando nisso, apresentei na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) um projeto de lei que pretende condicionar a matrícula em qualquer escola paulista, seja pública ou particular, à apresentação da carteira de vacinação do aluno. O documento deve estar atualizado, contendo os atestados de todas as vacinas consideradas obrigatórias para cada faixa etária até os 18 anos, conforme determina o Calendário de Vacinação da Criança e o Calendário de Vacinação do Adolescente.

É importante salientar que no caso de o estudante não possuir alguma das vacinas, ele ainda poderá formalizar a matrícula. No entanto, se o responsável não regularizar sua situação em até 60 dias, o caso será submetido ao Conselho Tutelar para as devidas providências.

Os novos casos de sarampo no país são um preocupante exemplo. Somente em solo paulista, 51 casos foram confirmados pela Secretaria de Estado da Saúde até o último dia 7. Na segunda-feira (10), teve início uma campanha de vacinação contra a doença e, ainda, a febre amarela – cuja atual cobertura vacinal é de 71,6%, número que a pasta pretende elevar.

Mas o problema é geral: a queda nas coberturas vacinais de crianças no Brasil ainda não foi suficiente para alavancar os índices de imunização, que continuam abaixo da meta considerada ideal pelo Ministério da Saúde. Balanço feito pelo Programa Nacional de Imunizações aponta que das oito principais vacinas indicadas a bebês, apenas uma atingiu em 2018 a meta recomendada – a BCG, que previne contra a tuberculose.

Com saúde pública não se brinca. Não por acaso atrelamos a questão à educação: se conseguirmos conscientizar a população da importância do tema, via escola, já será um grande passo. A intenção primordial é salvar vidas, nada mais do que isso.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.