EDIÇÃO DIGITAL

Quinta-feira

18 de Julho de 2019

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP) e membro do diretório nacional do partido. Foi superintendente da Funasa no Estado de São Paulo, vereador na cidade de São Vicente (SP), além de suplente de deputado estadual e candidato a prefeito no município.

Muito além da ideologia de gênero

Caso do menino Rhuan é um divisor de águas como símbolo da luta pela Justiça

Há algumas semanas um caso de homicídio cometido por uma mãe que assassinou brutalmente a facadas o próprio filho, degolou e mutilou o jovem pelo simples fato de ele não ser uma menina, chocou o país, ou pelo menos aqueles que tiverem acesso a essa informação.

Isso porque, diferentemente de outros casos até menos bárbaros que este que são divulgados à exaustão, explorados e esgotados pela mídia, o assassinato do jovem Rhuan Maicon da Silva Castro, de 9 anos, foi praticamente ignorado.

Como homem público, entendo que tenho uma responsabilidade a mais com a sociedade, porque fui escolhido dentro de muitos para representá-la. Inicialmente fiquei me perguntando o por quê da mídia ter se calado neste caso. Depois, sem fazer julgamentos ou acusações, junto com outros colegas da Casa, entendemos que mais do que procurar saber o por quê até agora a mídia se calou, precisávamos fazer alguma coisa para acordar a imprensa, para que fosse dada a devida repercussão a este crime, para que um caso de barbárie como esse, sem precedentes no Brasil e no mundo, não caísse no esquecimento.

Através de uma audiência pública, usamos as ferramentas que dispomos na Câmara dos Deputados para virar os holofotes da mídia para este caso, que deve ser tratado como um divisor de águas no que se refere a crimes no Brasil.

Chamar de criminosas a mãe do menino, Rosana Auri da Silva Cândido, de 27 anos, e sua companheira, Cassila Priscila Santiago Damasceno Pessoa, 28, é eufemismo. O crime ocorreu em Brasília no dia 31 de maio e qual foi a motivação? Segundo confissões feitas pelas autoras à polícia, ocorreu porque elas não queriam um filho homem, não sentiam amor ou qualquer carinho pelo menino. Rhuan foi morto enquanto dormia com diversas facadas no coração. Depois disso foi esquartejado e queimado. Diante da dificuldade de queimá-lo, sua mãe e madrasta resolveram colocar o corpo do menino em uma mala e jogar em um bueiro próximo ao bairro onde morava.

A mãe alegou que nunca quis ter um filho homem e que o próprio desejava ser menina, para justificar ter realizado no menino uma cirurgia caseira de mudança de sexo, conforme palavras da mãe. Com todo o respeito à absolutamente todos os gêneros e opções sexuais, esse crime trata de algo inédito no Brasil, quiçá no mundo, um crime de ideologia de gênero, essa tal ideologia que prega que a criança não é menino ou menina, que tal “fato” se trata de uma “construção cultural”. Foi essa ideologia que matou Rhuan. Tentaram transformá-lo em uma menina, o mutilaram, mas como não conseguiram, o mataram. Muito me preocupa que essa ideologia de gênero, que motivou essa barbárie, seja uma das causas defendidas pela esquerda brasileira, pelos mesmos que pedem Lula fora da prisão.

Onde estão os esquerdistas e ativistas da causa GLBTI, agora? Por que silenciaram? O laudo concluído pela perícia aponta que Rhuan foi degolado ainda vivo e que levou 12 facadas até morrer. É fundamental trazer os fatos e iluminar a verdade. Um crime como este transcende qualquer barreira de ideologia partidária e levanta o debate para que tentemos entender porque a nossa sociedade está tão tomada de distorções.

Cabe a nós, parlamentares, buscar o que motivou um crime bárbaro como esse para atuar no cerne da questão.

Todas as quintas-feiras a Comissão de Direitos Humanos, costuma ficar cheia, é uma das mais lotadas pelos deputados de diversos partidos. Se fosse um caso como o da vereadora Marielle Franco, a comissão estaria cheia, mas neste dia que tratamos do caso do menino Rhuan, curiosamente, estava vazia.

A vida do menino Rhuan, infelizmente, já não pode ser retomada, mas precisamos fazer alguma coisa para impedir que outras barbaridades como essa ocorram. A memória do menino Rhuan não pode jamais ser apagada. Esse caso será um divisor de águas e ele um símbolo da luta pela Justiça, por leis mais rígidas e punições específicas para crimes assim.

Precisamos também chamar a atenção dos ministros da Suprema Corte desse país que recentemente aprovaram o crime de homofobia. Há um novo modelo de crime acontecendo na nossa sociedade e isso não deve passar despercebido, porque esses criminosos não podem ficar impunes.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.