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Domingo

22 de Setembro de 2019

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP) e membro do diretório nacional do partido. Foi superintendente da Funasa no Estado de São Paulo, vereador na cidade de São Vicente (SP), além de suplente de deputado estadual e candidato a prefeito no município.

Hackers, Greenwald e bitcoins

Existe a suspeita de que o pagamento em criptomoeda tenha sido uma maneira de ocultar possíveis provas dos mandantes para execução dos crimes cibernéticos contra membros do governo e do MPF

Em março deste ano surgiram os primeiros indícios de que a criptomoeda, conhecida como bitcoin, estava sendo utilizada para lavagem de dinheiro, conforme apurações da Receita Federal.

Nesta ocasião foram identificados pagamentos que totalizam 300 mil reais por meio de transações com bitcoin no exterior. Aparentemente tratava-se de uma espécie de “teste” em busca de novas formas, cada vez mais sofisticadas, para burlar o rastreamento da lavagem de dinheiro pelas quadrilhas de criminosos. Ao que tudo indica, a ideia desses grupos é tentar receber dinheiro no exterior usando esse instrumento, que não é regulado na maior parte dos países, o que dificulta a identificação de origem e destino.

Parece que a utilização de bitcoins no mundo do crime não se restringe à lavagem de dinheiro, mas também ao pagamento de hackers envolvidos em ações criminosas como a invasão dos aparelhos celulares do ex-juiz e atual Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores como Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba, que foram vítimas de interceptação ilegal de suas comunicações.

A Polícia Federal investiga os quatro hackers presos na operação Spoofing por suspeita de terem recebido o pagamento em bitcoins para invadir o celular do procurador e do Ministro.

Diante disso, protocolei na última semana na Câmara dos Deputados um requerimento convocando para uma Audiência Pública os hackers envolvidos na invasão aos celulares de Moro e Dallagnol para prestarem esclarecimentos se houve ou não pagamento em bitcoin pelo site The Intercept por conta da compra das informações. Da mesma forma, pretendemos levar também à Casa o jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept para dar sua versão sobre os fatos.

Existe a suspeita de que o pagamento em criptomoeda tenha sido uma maneira de ocultar possíveis provas dos mandantes para execução dos crimes cibernéticos. Se isso ocorreu, na condição de parlamentar usaremos todas as ferramentas que estão a nossa disposição na Câmara para auxiliar a Polícia Federal a elucidar a verdade sobre este caso.

O Site The Intercept tem claramente um direcionamento político partidário de esquerda, o que deixa totalmente comprometida sua isenção na divulgação da atividade jornalística. Isso pode ser comprovado se fizermos uma rápida análise de seu conteúdo. Uma reportagem divulgada pelo portal R7 mostrou que nas primeiras semanas de outubro do ano passado todas as publicações revelaram viés político favorável à esquerda. Dos 27 artigos e reportagens divulgados neste período, nenhum abordou qualquer denúncia ou assunto relacionado ao PT. No entanto, no mesmo período foram cinco artigos e 10 reportagens críticas ao candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Além dos graves crimes cibernéticos cometidos pelos hackers, coloca-se em questão a compra de informações de forma ilegal e criminosa, a divulgação deinformações obtidas de maneira ilegal, e quais seriam os interesses por trás delas.

Dessa forma entendo que é necessário convocar os quatro hackers e futuramente, Greenwald, para esclarecer se houve ou não pagamento em bitcoin pelas informações compartilhadas com o site pelos hackers que invadiram contas de diversas autoridades ligadas a Operação Lava Jato.

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