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Segunda-feira

14 de Outubro de 2019

Júnior Bozzella

É bacharel em Direito, empresário, deputado federal (PSL/SP) e membro do diretório nacional do partido. Foi superintendente da Funasa no Estado de São Paulo, vereador na cidade de São Vicente (SP), além de suplente de deputado estadual e candidato a prefeito no município.

Do outro lado da ponte

No nosso entendimento o ideal seria existir os dois projetos, do túnel e da ponte que ligariam Santos a Guarujá

O primeiro projeto que se tem notícia para a criação de uma ligação seca entre Santos e Guarujá foi apresentado em 1927, pelo engenheiro Enéas Marini, e previa a construção de um túnel por baixo do canal do Estuário. 

Desde então, inúmeros outros projetos foram apresentados, alguns deles mirabolantes, outros megalomaníacos, mas nenhum tangível. 

Na história mais recente que envolve a busca pelo projeto ideal de ligação seca entre Santos e Guarujá, em 2010, o então governador José Serra apresentou uma ponte estaiada que, para ser viável, teria que começar no canal 5, em Santos, e terminar quase que no Centro de Guarujá, uma obra faraônica e de realização um tanto improvável. 

Recentemente a Ecovias, concessionária de rodovias que explora o Sistema Anchieta-Imigrantes, apresentou projeto de construção de uma ponte entre as cidades de Santos e Guarujá estimada em R$ 2,9 bilhões. 

O traçado já vinha sendo analisado pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e foi levado para discussão na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Entre as principais divergências apontadas até o momento pelos grupos que são contra o projeto da ponte são possíveis impactos na atividade portuária que possam causar prejuízo ao desenvolvimento e expansão do Porto. 

No momento, a construção da ponte está em análise na Artesp e aguarda licença ambiental. Embora se trate de uma concessão estadual, a ligação entre as duas cidades envolve o Porto de Santos e, por isso, é fundamental que a solução de engenharia não impacte negativamente as operações do maior porto da América do Sul.

O sistema de balsas transporta hoje, em média, 23 mil veículos somados aos 14 mil passageiros diários das barcas entre Santos e Vicente de Carvalho. Na condição de membro da Comissão de Viação e Transportes (CVT) na Câmara dos Deputados e presidente da Subcomissão de Portos e vias Navegáveis, tenho buscado sempre estar envolvido nas questões relacionadas ao desenvolvimento da Baixada Santista, por isso já solicitei uma audiência pública focada em discutir junto aos principais agentes envolvidos qual seria o melhor modelo para a ligação seca Santos-Guarujá. Devem participar desse encontro Codesp, Artesp, Ecovias, Secretaria do Estado de Logística e Transportes (SLT), Prefeitura de Santos,  Prefeitura de Guarujá e entidades ligadas ao Porto de Santos, que são os setores diretamente impactados por qualquer projeto que venha a ser escolhido. 

Também já estivemos reunidos com o secretário Nacional de Portos, Diogo Piloni, e o Presidente da Codesp, Casemiro Tércio, onde buscamos fazer a interlocucão junto aos técnicos e assim buscar caminhos para os obstáculos que têm surgido, atuando como um facilitador para que a gente possa discutir hoje a execução da ponte, mas quem sabe, amanhã, o túnel ou ainda qualquer outro modelo que venha a facilitar a vida dos pedestres, ciclistas e população que reside, estuda ou trabalha nos municípios da região. 

No nosso entendimento o ideal seria existir os dois projetos, do túnel e da ponte. Isso porque um resolve o problema urbano, do deslocamento dos munícipes entre as duas cidades, e o outro seria de extrema importância para equalizar o problema viário que envolve as movimentações do maior porto da América do Sul, desafogando as Rodovias Cónego Domenico Rangoni e Anchieta. 

Nesse momento defendo a construção da ponte, pois além de ser o projeto final mais adequado, é também o mais viável. Ressaltando que o projeto tem que ser viabilizado de modo a preservar as questões portuárias, para que não tenha qualquer interferência na expansão do Porto. 

Mas é importante ressaltar que esta é uma questão técnica, e com base nos dados levantados pelos especialistas estamos buscando encontrar um modelo que contemple todas as necessidades relacionadas à demanda diária de pessoas que fazem o deslocamento Santos-Guaruja, que seja o melhor caminho para que as operações portuárias não sejam prejudicadas, que cause o mínimo impacto possível para a população da região e, obviamente, que seja financeiramente viável. 

Pretendo estar inserido e participar ativamente de todas discussões s encaminhamentos acerca dessa ligação seca. Tenho frequentemente me reunido com os prefeitos tanto de Santos quanto de Guarujá para que, juntos, consigamos a viabilização desse projeto que, até pela sua grandiosidade, é algo que deve construído a varias mãos, e assim temos feito desde esse momento inicial de discussão e escolha do projeto mais adequado.

As discussões sobre essa ligação já duram décadas. Estamos, agora, retomando o assunto porque vemos a urgência de encontrar uma saída para a ligação seca entre os dois município. A convocação da audiência na Câmara dos Deputados é o primeiro passo para que finalmente consigamos tirar a tão sonhada ponte do papel. 

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