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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

José Luiz Tahan

Livreiro da Realejo, editor, ilustrador e idealizador do festival Tarrafa Literária. Nasci em Santos em 1971, comecei como livreiro na mítica Livraria Iporanga aos 18 anos. Em 2001 criei a Realejo Livros e na sequência evoluímos para sermos editores. E, em 2009, estreamos o festival Tarrafa Literária. A parte desses trabalhos todos mantenho o desenho e ilustrações na minha vida. E um futebolzinho também.

Sonhos de menino

Quando você era criança, lembra qual seu sonho? Quem seria quando crescesse? Eu queria ser jogador de futebol, e desenhista, ou... Leiam a coluna!

Foi noutro dia, conversava com os meus três pequenos, o mais novo com 8 anos, a do meio com 10 e a mais velha com 12, sobre o que queremos ser quando crescermos. Como eu já cresci, e me tornei ou vou me tornando o que sou a cada dia, me voltei mais para eles. Claro que não precisam saber exatamente o que vão ser, a ideia é ver qual o sonho que mais lhes encanta.

O caçula queria ser livreiro, mas agora ele quer ser jogador de futebol, e eu, com um resto de esperança, pergunto sobre depois, quando se aposentar. Ele disse que será técnico de futebol, pelo menos no sonho, se afastou do ofício do pai.

As meninas manifestam vontade de serem como a mãe, médica de crianças. A mais velha vê séries ligadas ao tema, a do meio também gosta, apesar de adorarem maquiagem, blogueiras, essas vidas de instas e youtubers.

Daí, eles para mim, de bate-pronto: e você, papai? O que queria ser quando era criança? Ou melhor, quem queria ser?

Nesse dia, eu nem titubeei, mandei uma das minhas paixões, o desenho. Eu queria ser desenhista, queria ser o Walt Disney... Me lembro de estar no mar da Praia do Embaré, mexendo na água, pensando como era difícil fazer a água num desenho animado, tão nítida essa lembrança me vem e... Espera, que eles estão gargalhando, os três na minha cara. Eu: espera, espera, vocês riem por quê? Quando a gente sonha, a gente sonha em ser o maior, o mais espetacular... Aí me veio uma comparação que não deu muito certo, usei referências toscas. Vou querer ser o Disney, ou acham que vou quer ser, sei lá, o João Kleber, por exemplo?

Ao menos os deixei confusos e ganhei tempo.

Também sonhei em ser jogador de futebol, assim como meu pai foi. E a vida me levou a ser um editor de livros de futebol, e dentre os autores está o maior de todos, Pelé.

Mas, o sonho era de ser jogador, e nessa semana, isso não aconteceu, mas aconteceu uma convocação inusitada. Pelas comemorações do Dia do Choro e do nascimento de Pixinguinha, se fez um evento no Museu Pelé, e a convite da organização, eu fui convocado, quer dizer, convidado a participar de um bate-papo ao lado do campeão mundial Clodoaldo e outros convidados.

Sentamos lado a lado, as tabelas eram com a passagem do microfone, os arremates eram desfechos de raciocínios, e não houve uma dividida. Mas que tarde, amigos. Ao fim do papo, fui atrás do Corró e novamente perguntei sobre se ele topa fazer uma biografia. Dessa vez ele foi mais positivo, afinal, nos entendemos muito bem em campo.

Parece que foi um sonho.

Obrigado pela preferência, voltem sempre.     

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