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Segunda-feira

14 de Outubro de 2019

Ivan Sartori

Desembargador aposentado, ex-presidente do Tribunal de Justiça, mestre em Direito da Saúde e professor de Direito Civil na Universidade Santa Cecília (Unisanta).

Rede de intrigas e fofocas

Fala do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso aponta que repercussão do caso dos hackers presos pela PF contém 'mais fofoca do que fatos relevantes'

Em palestra na cidade de São José dos Campos, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso se manifestou a respeito da divulgação de conversas digitais privadas entre procuradores da Operação Lava Jato e o ministro da Justiça e Segurança Sérgio Moro. Esses diálogos têm sido divulgados, de forma reiterada, por parte da imprensa, alimentada pelo americano Glenn Greenwald e asseclas. A quadrilha, como sabido, obteve acesso ao material, por meio do trabalho espúrio do réu confesso Walter Delgatti, um velho conhecido da Justiça.

Barroso se declarou “muito impressionado com a quantidade de gente que está eufórica com os hackeadores”, dizendo, categoricamente, que, “em sua percepção, há mais fofoca do que fatos relevantes”, apesar do esforço de se maximizar o ocorrido. E prosseguiu, falando que, apesar de todo o estardalhaço que se está fazendo, “nada encobre o fato de que a Petrobrás foi devastada pela corrupção”.

Cabe cumprimentar o ministro Barroso pela lucidez. Ele foi preciso ao se reportar, indiretamente, ao amplo conjunto probatório que sustenta a condenação dos envolvidos no escândalo retratado pela Lava Jato, principalmente o comandante em chefe da operação de desmonte do Brasil, Lula da Silva, ora residente e domiciliado em Curitiba, mais precisamente no cárcere da Polícia Federal.

Agora, numa nova rodada, a rede de intrigas da gangue, secundada pela imprensa, tem como alvo uma palestra de Sergio Moro ministrada em setembro de 2016, em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. O evento não estaria no sistema de cadastramento eletrônico de atividade de docência eventual do TRF4, sucedendo que o então magistrado, segundo a quadrilha, teria omitido o evento em benefício próprio, ferindo a ética e propiciando claro conflito de interesses.

Em nota, Moro explicou que a palestra foi sobre o enfrentamento da corrupção e a responsabilidade do setor privado. Na época, o evento foi amplamente divulgado na mídia. Ademais, Moro exibiu recibo de doação do valor de R$ 10 mil reais a uma instituição de caridade.

Não bastasse, o cadastro do Tribunal foi criado posteriormente, pela Resolução 10, de 9 de fevereiro de 2017. Então, não teria como o sistema apontar a palestra. Aliás, os protagonistas da falácia nem mesmo conhecem o mercado da atividade, a implicar cachês de R$ 60 a mais de R$ 100 mil, dependendo do palestrante.

A propósito, a LILS, empresa de Lula, arrecadou R$ 27 milhões em palestras ministradas, inclusive, a empreiteiras e empresas condenadas por corrupção, como a Cervejaria Petrópolis, cujo presidente acaba de ser preso. Outras empresas frequentadoras dos tribunais e já com bens bloqueados também foram agraciadas pelo hoje presidiário.

Concordo, portanto, em gênero, número e grau com o ministro Barroso. E mais, vejo com preocupação essa espécie de “catarse coletiva” que assola certos grupos ideológicos, sempre com vistas a enfraquecer a Operação Lava Jato, marco histórico de combate à corrupção. Otimista, como sempre, lanço mão do dito popular de que “a mentira tem perna curta”. Que tenha mesmo, para o bem do país! Contra fatos comprovados não há argumentos inteligíveis, quaisquer que sejam as cores partidárias.

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