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Segunda-feira

17 de Junho de 2019

Ivan Sartori

Desembargador aposentado, ex-presidente do Tribunal de Justiça, mestre em Direito da Saúde e professor de Direito Civil na Universidade Santa Cecília (Unisanta).

Nós não somos imortais, mas, parte de nós pode ser

Doação de órgãos é um ato sublime de muito amor ao próximo

Para nós, a morte é impensável. Aqueles que amamos e nós mesmos, segundo idealizamos, não morreremos tão cedo. Falamos nesse evento natural como um acontecimento muito distante. Poucos os que se preparam para a morte, ainda que, muitas vezes, tomemos providências de ordem legal para essa eventualidade.

Entretanto, “dona” morte pode tardar, mas, não falha. Daí a reflexão de que, apesar de sermos mortais, é bem possível que parte de nós ou de entes queridos sobreviva a ela.

Sim, é a realidade, se a doação de órgãos for a alternativa. É um ato sublime de muito amor ao próximo. É o legado mais nobre que podemos deixar.

E, hoje, o estado assumiu, com vigor, essa iniciativa médico-social cidadã, criando mecanismos e uma estrutura poderosa. Há uma Central Nacional de Transplantes; centrais estaduais; estruturas especializadas de procura e doação; de processamento e preservação; hospitais especializados; rede de serviços auxiliares específicos, tudo como prevê o art. 3º do Decreto 9.175/17. Não bastasse, decreto presidencial atribui também à Aeronáutica o transporte de órgãos e tecidos.

Nesse contexto, é bem menos provável a perda de órgãos, atualmente.

Assim, vale a pena pensar no momento de doar. Ele chegará inevitavelmente. E não há nada mais gratificante do que saber que um ente querido não se foi inutilmente, pois terá salvo uma vida ou vidas, proporcionando a felicidade de outra ou outras famílias.

Ocorre que, não obstante a logística à disposição, ainda tem muita gente morrendo na fila à espera de um transplante. Eis alguns óbices: recusa familiar, inclusive por motivo religioso ou preconceito; falta de preparo de boa parte do pessoal atuante nessa esfera, mesmo ao ensejo da abordagem dos familiares; tempo máximo de conservação extracorpórea dos órgãos versus captação e transporte, entre outros. Indispensável, portanto, conscientização coletiva a respeito.

Foi por essa razão que, estando eu na Presidência do Tribunal de Justiça, foi criado um programa, administrado por minha esposa, dessa conscientização. A campanha “Doar é Legal” foi marcante, no comitê de ação social daquela Corte, com a participação, inclusive, de profissionais de renome nessa área.

E, firme nessa vereda, tive a satisfação de, recentemente, escrever sobre o tema, focado no campo jurídico.

São alguns passos que pude empreender, ao lado de tantas outras pessoas que, incansavelmente, trilham esse nobilíssimo caminho, enfrentando a complexidade que envolve um transplante.

Então, caminhemos juntos!

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