Eduardo Silva

É Diretor de Jornalismo da TV Tribuna. Além de dirigir a afiliada da Rede Globo na Baixada Santista e no Vale do Ribeira, é comentarista esportivo da TRI FM.

O tricampeão Clodoaldo

Clodoaldo Tavares Santana, um jovem de 20 anos que assumiu a condição de titular quando Zagallo substituiu João Saldanha, no comando do time brasileiro

Os especialistas apontam a Seleção Brasileira de 70, que conquistou o tricampeonato mundial no México, como a melhor seleção de todos os tempos. E não faltam motivos para esse status daquele time mágico. Um dos maiores é que o técnico Mário Jorge Lobo Zagalo conseguiu escalar 5 “camisas 10” no mesmo ataque: Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé e Rivellino. E como segurar as pontas desse ataque genial, com tanta gente habilidosa, mas que não tinha vocação para a marcação.

A resposta tem nome e sobrenome: Clodoaldo Tavares Santana, um jovem de 20 anos que assumiu a condição de titular quando Zagallo substituiu João Saldanha, no comando do time brasileiro. Clodoaldo teve uma ótima escola, como garantiu o saudoso capitão Carlos Alberto Torres, em entrevista na casa dele na Barra da Tijuca em 2013.

“Clodoaldo foi preparado no Santos para substituir o grande Zito. E as nossas excursões pelo mundo nos deram muita bagagem e experiência para qualquer desafio. Quando ele virou titular depois das eliminatórias já estava pronto”.

Clodoaldo marcava como ninguém. Cobria as descidas do capitão Carlos Alberto e ainda partida para o ataque. Revendo as partidas de 70, por várias vezes, Corró, como é conhecido até hoje, apareceu na área adversária tentando o gol. E ele conseguiu na difícil semifinal contra o Uruguai. O craque Gérson estava muito marcado e preferiu recuar dando espaço para o avanço de Clodoaldo. A sugestão de Gérson foi feita para o capitão Carlos Alberto, que na hora chamou o camisa 5 da seleção.

O jogo estava 1 a 0 para os uruguaios, Clodoaldo começou a jogada na intermediária do nosso ataque, tocou para Tostão que passou a bola na medida para Corró empatar. “Imagino eu que estava acostumado a comemorar com  aqueles craques que marcavam tantos gols, de repente, eu vi Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé e Rivellino me abraçando”.

O meia Gérson não se cansa de elogiar Clodoaldo. “Ele chegou menino na Seleção, mas foi mostrando uma personalidade. Eu já sabia que era um grande jogador no Santos, mas o talento dele explodiu naquela Copa. Tinha que ser naquela seleção”.

Pelé também reconhece. “Ele foi reserva nas eliminatórias, mas treinou muito, foi crescendo e mereceu ganhar a camisa 5”.

O gol contra o Uruguai foi decisivo para levar o Brasil até a decisão contra a Itália. Um lance que mexe com dois grandes da grande Seleção Brasileira de 82. O maestro Júnior, comentarista da TV Globo, tinha 16 anos na Copa de 70. “Eu vendo aquele garoto no meio daquelas feras ficava impressionado com o jeito dele jogar. A infiltração que ele faz contra o Uruguai é a demonstração que ele estava muito a frente dos tempos. Só quem tem visão de craque poderia fazer um gols daqueles há cinquenta anos”. 

Paulo Roberto Falcão, outro médio-volante genial não economiza elogios: “O Clodoaldo se jogasse hoje seria o sonho de todos os treinadores, porque era um volante que marcava muito, mas sabia jogar, tinha velocidade, fazia coberturas. Dava gosto de ver jogar”.

E no jogo final Clodoaldo decidiu se despedir de forma triunfal. A partida já estava no final quando ele começa a driblar os italianos. Sai da marcação de 5 para iniciar o lance do quarto gol brasileiro. O meia Gérson, o Canhotinha de ouro, que estava do lado de Corró falou. “Todos ficaram olhando e pensando. O que ele vai fazer. Foi driblando um a um dos marcadores e nós só observando. Ele fez uma jogada brilhante e nós só poderíamos aplaudir”.

Muricy Ramalho, técnico tricampeão brasileiro pelo São Paulo e treinador do Santos no título da Libertadores faz questão de ressaltar como Clodoaldo era moderno em 1970. “Se você quiser explicar a um jogador como é ser moderno na posição de médio-volante é só pedir as cópias das partidas da Seleção de 70 e ver como o Clodoaldo jovaga. Era demais para aquela época”.

A seleção brasileira ganhou o tri, consagrou toda aquela geração e apresentou ao mundo um craque da camisa 5. Um menino de 20 anos que só queria saber de jogar bola. E como jogava o Clodoaldo. Obrigado, Corró.

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