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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Tarifas bancárias

Entre as ações está a redução da inadimplência como chegue especial e cartão de crédito

O Banco Central (BC) tem adotado medidas para estimular a concorrência entre as instituições financeiras. A Autoridade Monetária impôs algumas mudanças para reduzir a inadimplência como cheque especial e os cartões de crédito, as duas linhas de crédito mais caras, mas o custo dos empréstimos pouco se moveu. O BC também incentivou as fintechs, as startups do setor financeiro, que ainda são muito pequenas para resultarem em efeito concorrencial. Agora, uma pesquisa revelou outro reflexo da concentração do mercado bancário: o alto custo das tarifas.

Em reação ao calote que avançou na recessão do período 2015/2016, os grandes bancos realizaram uma agressiva revisão dos valores das tarifas. O processo foi tão acentuado que algumas das instituições tiveram lucros com essas cobranças na casa do bilhão de reais. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) realizada entre abril de 2017 e março de 2019 mostra que as taxas bancárias subiram o dobro da inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Na média, os serviços aumentaram 14% frente aos 7,45% do IPCA.

OIdec também identificou um reajuste desenfreado dos pacotes, a cobrança mensal que garante um mínimo de serviços. Quanto maior o valor, mais saques e transferências de valores. Os aumentos nesses casos foram mais elevados ainda, variando de 14% a 50%, considerando os estatais Banco do Brasil e Caixa e os privados Bradesco, Santander e Itaú Unibanco. Deve-se lembrar ainda que esse setor fez uma migração profunda aos meios digitais, reduzindo custos com folha de salários, papel e logística.

Aos correntistas têm sido apresentados pacotes que superam os R$ 50,00 mensais – R$ 600,00 em um ano. Quem não aceita pode optar por mensalidades abaixo de R$ 20,00, com poucos serviços. Caso a pessoa supere o previsto em saques e transferências, são cobrados valores extras que podem dobrar o custo mensal. Segundo os órgãos de defesa do consumidor, os bancos estão obrigados a fornecer uma conta básica gratuita, mas que, na prática, dependerá de tarifas avulsas, principalmente quando se exige atendimento rápido.

As fintechs surgiram como alternativas para o correntista gastar pouco ou nada com tarifas, mas isso não é verdade. Como esses bancos virtuais não têm redes bancárias, ao precisar sacar dinheiro, esse usuário terá que transferir recursos para um banco tradicional ou para os caixas 24 horas, pagando tarifas avulsas. Se fizer uns três saques, será o mesmo valor do pacote simples de uma instituição convencional.

Os bancos precisam ser remunerados pelos serviços que prestam, com direito a cobrar mais conforme o conforto que oferecem aos clientes, mas é preciso o setor reavaliar se seus correntistas, em tempos difíceis, estão em condições de suportar esses aumentos. Caso contrário, o Brasil terá nova safra de desbancarizados.

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