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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Editorial A Tribuna

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Sinais de volta da construção

Pesquisas indicam que a valorização média dos imóveis perde neste ano para a inflação, mas se deve ressaltar uma grande vantagem em relação aos outros anos

Assim como em outros setores da economia, o crescimento do mercado imobiliário depende da confiança do construtor de que haverá compradores em um mercado desaquecido e da expectativa do consumidor de que não será demitido. Mesmo com esses sinais ainda adversos, a construção da casa própria vem apresentando números positivos, é claro, sem euforia.

Pesquisas indicam que a valorização média dos imóveis perde neste ano para a inflação, mas se deve ressaltar uma grande vantagem em relação aos outros anos. O mercado não está parado – há canteiros em funcionamento e compra e venda de unidades.

Dois indicadores ligados ao crédito pesam a favor da construção. O primeiro é a manutenção da taxa Selic em seu menor nível por um bom tempo e a provável série de cortes que o Banco Central deve começar a realizar a partir da próxima semana. Isso estimula a queda do custo dos empréstimos habitacionais. Como se trata de financiamento de longo prazo, muitas vezes superando os 30 anos, o recuo de décimos percentuais fazem muita diferença no saldo devedor. 

O segundo indicador importante é que aos poucos mais bancos concedem crédito imobiliário, ainda muito concentrado na Caixa. O setor privado tem oferecido empréstimos da casa própria, muitas vezes mais voltado ao correntista de relacionamento, aquele que já tem negócios com a instituição e, por isso, é de menor risco. Falta ainda registrar um avanço contundente das fintechs, startups de produtos financeiros. Elas movimentam muito pouco em relação aos grandes bancos, mas inserem no mercado agentes de competição, o que mais falta no concentrado sistema bancário brasileiro. 

Espera-se, também, que as construtoras estejam mais preparadas para a retomada. O revés de meados da década, devido à recessão, que abalou principalmente as incorporadoras com capital aberto na bolsa, fez uma pré-seleção de companhias, dando mais garantia ao comprador de que receberá seu imóvel. Há ainda as construtoras populares, movidas pelas verbas do Minha Casa, Minha Vida. Neste campo, por uma falha do próprio governo, a população mais pobre é a grande prejudicada.

A verba de subsídios para ajudar a faixa mais carente a adquirir um imóvel do Minha Casa está praticamente parada. Até agora o governo não deu uma sinalização convincente sobre se irá atender esse público. Se a resposta for não, será um absurdo e uma injustiça social. 

No âmbito da Baixada Santista, a prévia da pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi) mostra sinais de recuperação – sem festejar. A venda de imóveis de dois quartos quase que dobrou no acumulado de 12 meses encerrado em junho, em relação com igual período do ano passado. É verdade que a base de comparação já era diminuta, mas o resultado positivo é animador. Porém, esse mercado depende de mais sinais do governo.

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