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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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Simplificação para destravar o País

As estatísticas indicam que a contratação de empréstimos da habitação continuou mesmo na pandemia em todo o País

Em um país ineficiente e caro como o Brasil, as reformas são indispensáveis. Entretanto, deve-se admitir que elas exigem alto custo político e acabam postergadas ou até ignoradas. Por isso, em meio a temas como tributos e mudanças no funcionalismo, o governo precisa manter uma agenda de soluções pontuais que nem sempre depende de aval do Congresso. No final das contas, trata-se de uma carteira de iniciativas para facilitar a vida do cidadão e das empresas que acaba resultando em ganhos de curto prazo para a sociedade. 

Um desses exemplos se observa agora, em plena pandemia, um período de incertezas, desemprego e projetos adiados, que é o surpreendente crescimento do mercado imobiliário. Conforme A Tribuna publicou na edição de domingo (26), o financiamento da habitação pela Caixa na região cresceu 35%, no primeiro semestre, na comparação com igual período do ano passado. Inicialmente se pensou apenas em demanda reprimida. Entretanto, as estatísticas, que já se revelavam desde o começo do ano, indicam que a contratação de empréstimos continuou mesmo na pandemia em todo o País.

Por trás desse crescimento, segundo entrevistas com agentes do mercado, estão três fatores – os juros mais baixos, o novo contrato com correção pelo IPCA e a vontade dos bancos privados de financiar a habitação. Esses fatores têm um resultado em comum, que são prestações mais baratas, o que explica a disposição do mutuário de assumir prestação em momento de risco de desemprego. Deve-se lembrar que taxas de juros baixas reduzem o saldo devedor e, consequentemente, a possibilidade de calote nos bancos. Dessa forma, o sistema bancário se encoraja a ampliar os desembolsos e a economia ganha fôlego.

Neste caso do setor imobiliário, a queda dos juros básicos é uma tendência mundial. Entretanto, em meio a um governo paralisado por brigas internas e com os outros poderes e precocemente preocupado com as eleições de 2022, houve maturidade no Ministério da Economia para olhar com a atenção o financiamento da habitação. Na verdade não foi dado nenhum salto impressionante. Até agora, o programa Minha Casa, Minha Vida, não foi revigorado e parou de produzir imóveis no ritmo que a baixa renda precisa – simplesmente não há dinheiro para retomá-lo. Consequentemente, o deficit habitacional e a favelização resistem como alguns dos piores fracassos nacionais. Na Baixada, o financiamento imobiliário movimentou quase R$ 1 bilhão no primeiro semestre, uma expansão de R$ 260 milhões sobre o mesmo período do ano passado. Não se trata de solução para todos os males econômicos da pandemia, mas já é uma cifra que sustenta muitas famílias e empresas. Assim, medidas pontuais foram suficientes para se obter bons resultados. Por isso, espera-se que o governo se abstenha de polêmicas e se concentre no dia a dia, que é o que o País mais precisa agora. 

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