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Sábado

19 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Sínodo da Amazônia

184 bispos estarão reunidos, até o próximo dia 27, para tratar sobre assuntos que integram a pastoral católica e ambiental

Foi aberto pelo Papa Francisco, no Vaticano, o Sínodo da Amazônia. Até o próximo dia 27, estarão reunidos 184 bispos que atuam na região, além de outros convidados, entre os quais 35 mulheres. O encontro trata de assuntos comuns aos nove países que integram o bioma, organizados em dois eixos: pastoral católica e ambiental, e foi precedido por reuniões que aconteceram com a população local durante vários meses. 

O tema do evento - Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral - resume bem seus objetivos. Trata-se de assembleia geral de bispos e padres, que terá ainda a participação de cientistas, indígenas, ribeirinhos e autoridades da sociedade civil, que traçará os novos rumos da Igreja na região, além de apontar seu compromisso com a defesa do meio ambiente. 

O Sínodo provocou reações de setores conservadores, dentro e fora da Igreja. De um lado, há a preocupação ambiental - o Papa tem falado reiteradamente em preservar fauna e flora e, na homilia na missa de abertura do encontro, não hesitou em declarar que o fogo que devastou recentemente a Amazônia, ateado por interesses que destroem, não é o do Evangelho, além de condenar a "ganância dos novos colonialismos".  

De outro, há perspectiva do "novo rosto" que a Igreja Católica busca imprimir na Amazônia, rompendo a imposição que marcou ações no passado. Nesse sentido, dom Erwin Kräutler, bispo emérito do Xingu, declarou que, antigamente, se pensava que os índios não tinham cultura nem religião que merecessem o nome. Isso foi afastado, e hoje o encontro da Igreja com as propostas do Evangelho não pode marcado pela destruição da cultura e das tradições religiosas dos povos indígenas. Pelo contrário, afirma ele, a presença tem de partir com muito carinho e amor da experiência que os índios tiveram até agora, e toda religião tem de estar a novos impulsos. 

O papa Francisco reiterou, na abertura do Sínodo, que a prudência audaz - aquela que não se confunde com timidez e medo, que não é indecisão ou atitude defensiva, e sim a atitude do pastor, que sabe discernir - deve inspirar os caminhos da Igreja na Amazônia. Conjugando as preocupações pastorais com questões centrais para a humanidade, como é o caso da defesa e preservação do meio ambiente, o papa avança e inova. O Sínodo, embora com caráter consultivo, tem papel fundamental para renovar as ações da Igreja na região e pode apontar caminhos sobre como lidar com questões ambientais e socioeconômicas que afetam a população.  

Merece, portanto, atenção mundial e não deve se resumir à polêmica sobre as possibilidades de ordenar homens casados como sacerdotes, ou criar ministérios oficiais para mulheres e incorporar costumes dos povos indígenas em rituais católicos como forma de aumentar a presença de religiosos no bioma.  

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