Editorial A Tribuna

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Prefeitos e empresas em busca da vacina

O problema não é de distribuição, mas de oferta de vacinas, o que deve complicar as compras pela FNP, Condesb e empresas

Como resultado de erros inadmissíveis do Governo Federal em relação a vacinas contra a covid-19, prefeitos e empresas assumiram o papel que originalmente não é deles e começam a buscar imunizantes por conta própria. Na região, o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), que é formado pelos prefeitos das nove cidades, já negocia a aquisição de 700 mil doses, considerando a fatia que ainda não foi beneficiada pelo programa de imunização em curso. A iniciativa regional ocorre em paralelo à da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que prepara um consórcio para levar os imunizantes para os vários cantos do País. Há ainda as grandes empresas, que pressionaram os parlamentares e que estão prestes de obter autorização para comprar vacinas de fabricantes sem aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Aliás, essa exclusão da Anvisa é preocupante, pois futuramente essa brecha poderá ser usada via lobby da indústria farmacêutica para facilitar a liberação de outras classes de medicamentos. 

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O projeto favorável às empresas, que teve a votação concluída na Câmara e foi enviado para o Senado, permite adquirir imunizantes já autorizados por equivalentes da Anvisa de outros países credenciados à Organização Mundial de Saúde (OMS). Deve-se lembrar que os diretores da Anvisa, uma vez indicados pelo Poder Executivo, ganham autonomia para agir e estão blindados à ingerência política. Em outros países, como a Rússia, a agência sanitária russa é parte do Ministério da Saúde local. 

Aparentemente, o Governo Federal até não se incomoda de abrir mão da centralização no Plano Nacional de Imunização (PNI). No PNI, basta a chegada das doses a seu centro de distribuição em Guarulhos para que as vacinas estejam em algumas horas nas cidades médias e em 15 dias a municípios mais distantes. 

Entretanto, o problema atual não é de distribuição e sim de oferta de vacinas, o que deve também deve complicar as compras de doses pretendidas pelo Condesb, FNP e empresas. Por exemplo, o Governo Federal já tem dezenas de milhões de unidades já encomendadas junto à Pfizer e AstraZeneca que só vão chegar a partir de outubro. O relator do projeto que libera da compra de imunizantes pela iniciativa privada, deputado Hildo Rocha (MDB-MA), diz que só a China tem oito fornecedores de vacinas. Entretanto, comprar imunizantes não é como ir ao supermercado. É preciso se certificar da seriedade do fornecedor e de ele não esteja sendo disputado por outros países, que só agora começam a acelerar seus programas de vacinação. 

Dessa forma, percebe-se a confusão que o Governo Bolsonaro instaurou no combate à pandemia ao recusar a compra de 70 milhões de doses da Pfizer no semestre passado, quando a procura não era tão acentuada. Com tamanha desorganização e incompetência, empresas e prefeitos agora não têm outra alternativa. 

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