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Quinta-feira

24 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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PIB cresce no segundo trimestre

Produto Interno Bruto nacional cresceu 0,4% no segundo trimestre deste ano. Resultado surpreendeu analistas, que esperavam baixa

O Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu 0,4% no segundo trimestre deste ano, quando comparado com o trimestre anterior. O resultado surpreendeu – muitos analistas esperavam números piores, que poderiam inclusive ser negativos – e afastou a possibilidade de recessão, caracterizada por dois trimestres sucessivos de recuo do PIB (no primeiro trimestre ele havia diminuído 0,1%). 

Não há razão, porém, para otimismo excessivo. Em doze meses até junho, a economia brasileira cresceu apenas 1% e, passados 20 trimestres desde que a recessão foi iniciada no País, a atividade segue 5% abaixo do que era antes. O ritmo da recuperação segue lento, e as perspectivas são ainda de avanço de 0,8% a 1% no PIB em 2019.

Há sinais contraditórios: enquanto houve leve melhora no nível da atividade econômica, voltou a crescer a incerteza em relação ao futuro, agravada pela desaceleração global e crise argentina. Pesquisas de confiança junto a empresários e que medem a intenção de consumo das famílias mostram certa expectativa positiva no curto prazo, mas que é substituída pelo pessimismo quando são questionados sobre horizonte mais longos. 

Alguns pontos positivos merecem ser destacados. O aumento do investimento ficou em 3,2% entre abril e junho, quando comparado com o trimestre anterior, o que não era esperado, uma vez que a capacidade ociosa das empresas ainda é grande e o consumo da população fraco. Destaque-se ainda que, na comparação com o segundo trimestre de 2018, o investimento cresceu 5,2%, e considerando quatro trimestres, a alta é de 4,3%.

A indústria, como um todo, avançou 0,7%, e os serviços 0,3%. Não são números espetaculares, mas indicam movimento de produção e consumo. A agropecuária teve resultado negativo (-0,4%), o mesmo acontecendo com a indústria extrativa, que recuou 3,8% no segundo trimestre, prejudicada diretamente pela tragédia de Brumadinho (MG). Destacaram-se ainda a indústria de transformação e a construção civil, que cresceram 2% e 1,9%, respectivamente, entre abril e junho.

Esses dois setores, notadamente a construção civil, estão entre os que mais sofreram no período recente. O PIB da construção cresceu pela primeira vez, na comparação anual, após 20 trimestres em queda, mas há riscos à vista. A continuidade do sucesso depende da preservação do Programa Minha Casa, Minha Vida, cujos recursos para 2020 estão seriamente ameaçados. 

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, resumiu a situação ao dizer que, embora os números sejam positivos, “não dá para soltar fogos com o resultado de um trimestre”. Para ele, o Brasil está em processo de recuperação, e o caminho será ainda longo e difícil, notadamente para as contas públicas, reconhecendo que o deficit primário não será zerado até o final do atual governo. 

 

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