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Quinta-feira

4 de Junho de 2020

Editorial A Tribuna

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Petrobras na Baixada Santista

Deve-se pensar em uma saída alternativa, como reservas ainda a serem exploradas na parte sul da Bacia de Santos

A decisão da Petrobras de transferir para o Rio de Janeiro 937 funcionários que atuam em sete plataformas da Bacia de Santos merece atenção não só das lideranças da região como do Governo do Estado. A medida, que entra em vigor no dia 1º, é resultado do austero programa de corte de despesas da empresa, que poderá provocar mais perdas à Baixada Santista. Recomenda-se que prefeitos e representantes do governador João Doria conversem com a estatal para conhecer os planos da companhia para o Litoral Paulista. Simultaneamente, deve-se pensar em uma saída alternativa, como uma potencial onda de investimentos em reservas ainda a serem exploradas por outras petroleiras na parte sul da Bacia de Santos, justamente a que está voltada exclusivamente para o Litoral Paulista.

Questionada sobre a transferência dos trabalhadores do edifício do Valongo em Santos, onde há 2,5 mil funcionários, a empresa não respondeu, o que ressuscita temores antigos de esvaziamento. Entretanto, é importante avaliar o impacto da transferência dos quase mil petroleiros das plataformas na cadeia de serviços – desde as empresas e profissionais terceirizados até o setor imobiliário, incluindo consumo e receita de impostos.

A transferência da estrutura de unidades e pessoal de Santos para o Rio não é uma novidade. A empresa já suspendeu os voos de helicópteros que eram feitos a partir de Itanhaém, dividiu o monitoramento de alguns campos com a sede fluminense e a tão esperada base de apoio não se consumou. Em consequência, algumas prestadoras de serviços que tinham se instalado na região acabaram desativando operações. 

A alegação da estatal em reportagens anteriores é de que o uso da estrutura já instalada no Rio e a logística de transporte de pessoal a partir da infraestrutura fluminense dispensa algumas atividades a partir de São Paulo. A distância das duas sedes das unidades de negócios (Rio e Santos) em relação às plataformas em operação é praticamente a mesma. Para entender melhor, o pré-sal se estende de Santa Catarina até o Rio, mas as reservas em exploração e as mais viáveis se concentram nos limites oficiais entre São Paulo e Rio em alto-mar.

Não se pode condenar a Petrobras por seu ajuste profundo, uma necessidade frente a investimentos pesados que a empresa precisa fazer e a uma das maiores dívidas corporativas do mundo. Para dificultar o quadro da petrolífera, os preços do petróleo, apesar da recuperação recente, estão em níveis baixíssimos, o que diminui a lucrativa da exploração do pré-sal, cujo custo é bem superior ao do Oriente Médio, que controla esse mercado. Mas o sonho do petróleo da Baixada atraiu investimentos, principalmente no setor imobiliário, e isso não pode ser ignorado. Como forma de amenizar esses impactos, a região precisa defender investimentos em dutos para escoar o gás dos campos a serem explorados no restante do Litoral Paulista. 

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