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Sábado

29 de Fevereiro de 2020

Editorial A Tribuna

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Mudanças no Palácio do Planalto

Será a primeira vez que um general ocupa o cargo desde 1981, quando Golbery do Couto e Silva deixou o cargo. Mas os tempos são outros

A substituição do ministro Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, pelo general Walter Souza Braga Netto indica mudança substantiva no governo. Braga Netto consolida o núcleo militar junto ao presidente Jair Bolsonaro e sua principal função não será na articulação política, e sim na reorganização administrativa da pasta. De um lado, é ressaltada a competência e o perfil mais técnico do novo ministro; de outro, o esvaziamento que aconteceu na Casa Civil nas últimas semanas evidencia que o Ministério terá outras funções e responsabilidades. 

A presença de um militar na Casa Civil não deve ser vista como contradição. Será a primeira vez que um general ocupa o cargo desde 1981, quando Golbery do Couto e Silva deixou o cargo. Mas os tempos são outros: enquanto ele representava um projeto político para o País, identificado com a Escola Superior de Guerra, e baseado na segurança nacional como condição para o desenvolvimento, Braga Netto destacou-se muito mais como gestor dedicado e competente durante seu período como interventor federal na Segurança do Rio de Janeiro, em 2018. 

Não há dúvida que foi fortalecida a área militar no governo federal. Desde a posse de Jair Bolsonaro, três núcleos se formaram: um considerado técnico, no qual despontam o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro; outro mais ideológico, defendendo pautas polêmicas, e representado pelo chanceler Ernesto Araújo, e pelos ministros da Educação, Abraham Weintraub, do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e por Damares Alves, da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos; e pelo grupo formado por militares da ativa e da reserva. 

Entre eles estão nomes destacados das Forças Armadas – Braga Netto ocupava o segundo principal posto do Exército, a chefia do Estado-Maior – e os dois principais cargos civis do Planalto serão, pela primeira vez, ocupados por dois generais da ativa e do alto comando: Braga Netto, a quem caberá coordenar o trabalho e ação dos ministérios, e Luiz Eduardo Ramos, chefe da Secretaria de Governo, encarregado da articulação política. Entre eles está Tarcísio Freitas, da Infraestrutura, com ótima avaliação. 

Os militares que ocupam ministérios no atual governo são nomes reconhecidos e respeitados. Todos têm sólida formação e preparo, e sua maior presença pode significar inflexão para a eficiência e comedimento no exercício dos cargos, reduzindo o espaço para excessos ideológicos. Espera-se pragmatismo responsável do novo chefe da Casa Civil. Com boa imagem e respeitado, ele tem trânsito junto ao empresariado e possui experiência internacional. Considerado rígido, não é alinhado a grupos políticos mais extremados das Forças Armadas, e defendeu, durante a campanha presidencial, a separação do Exército do candidato Jair Bolsonaro. 

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