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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Mais ambição para o turismo

É preciso investigar melhor as tendências desse mercado e não apenas apostar se vai descer muito paulistano com base nas previsões do tempo ou no calendário de feriados

Merece apoio a intenção do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores) de buscar o setor público para fomentar eventos que atraiam turistas para a região. A entidade prevê para este mês uma ocupação de 70% da hotelaria da Baixada Santista. Um bom desempenho que pode ser garantido não só pelas atrações locais, mas também pelo bolso vazio dos paulistas, sem condições de ir para regiões mais caras, e pela expectativa de temperaturas altas para a época. Daí a ideia de ter mais festivais, shows, festas típicas e provas esportivas para não depender da sorte ou da mudança climática.

Entretanto, iniciativas desse tipo dependem de sintonia maior entre as prefeituras da região, que no campo do turismo parecem ver suas cidades como concorrentes. Muito se fala em trabalho conjunto por parte das autoridades, mas não se vê resultados concretos, persistindo o veraneio de final de semana e de baixo valor gasto por visitante. Falta uma estratégia bem definida para expandir o setor na Baixada.

Há muitas décadas, os negócios turísticos da região usufruem de um movimento garantido de veranistas às praias do estado devido às estradas em boas condições, à proximidade a grandes centros e ao baixo custo. Mas esse fluxo é instável e indisciplinado pela sazonalidade e pela crise da ocasião, o que tira a previsibilidade que os investidores precisam. Por isso, a necessidade de haver atrações que multipliquem os hóspedes na Baixada Santista.

Simultaneamente à falta de uma parceria entre as cidades da região para assuntos de turismo, um fenômeno precisa ser visto com maior atenção pelas autoridades e empresários da Baixada, que é a febre dos blocos de carnaval de São Paulo, que se repete em grandes e médias cidades sem tradição carnavalesca, como Campinas, Belo Horizonte e Brasília.

A tendência é registrar uma descida de menor número de veículos nessa época, como um reflexo dos bloquinhos na Capital e Interior. Ao invés de relaxar nas praias, muitos preferem curtir o bom e velho Carnaval em seu próprio município.

É preciso investigar melhor, com pesquisas sérias, as tendências desse mercado e não apenas apostar se vai descer muito paulistano com base nas previsões do tempo ou no calendário de feriados. Aliás, o último, de Corpus Christi, no dia 20, foi decepcionante para o Litoral.

O país tem visto, ao longo das últimas décadas, surgirem novos polos turísticos, geralmente no Nordeste e em regiões interioranas e mais calmas, como Capitólio (MG) e Brotas (SP). Aplicativos facilitaram o acesso e reduziram o custo das viagens turísticas, fragmentando-as em várias modalidades: religiosas, ambientais, históricas, para idosos e para esportistas. As oportunidades são inúmeras, porém é preciso ter foco para agregar valor ao turismo regional.

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